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Crise no Ar

O controle de tráfego aéreo é feito por um conjunto de 4 unidades de monitoramento que se integram para cobrir todo o território brasileiro. Cada unidade regional do sistema leva o nome de Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Espaço Aéreo). Cada unidade é composta por uma rede de Radares e Estações de Telecomunicações que detectam as aeronaves que sobrevoam a área de cobertura. A maior parte dos equipamentos e dos componentes do sistema é de origem francesa, em funcionamento desde a década de 70. Há mais de 13 mil pessoas trabalhando no controle do espaço aéreo, sendo que a metade desse contingente são militares. Não é de se estranhar que retiraram a Infraero do comando da Força Aeronáutica e o atual governo criou a ANAC (Agência Nacional da Aviação Civil) para substituir o DAC (Departamento de Aeronáutica Civil) para abrigar nessas agências os cabides de emprego, com salários elevados para os beneficiários políticos nas chefias e administrações.
A caixa-preta do Legacy revela que a torre de São José dos Campos ERROU e autorizou os pilotos a voar a 37 mil pés, na contramão do avião da Gol. O resto já se sabe.
Aquela saída: culpem os americanos não funcionou. Alguns cretinos acusaram um verdadeiro complô que teria subestimado o acidente com o Boeing da Gol para dar destaque às fotos do dinheiro do dossiê-gate. Quando o acidente aconteceu, no dia 29 de setembro, a operação-padrão dos controladores de vôo ainda não estava em curso, é verdade, mas já estavam em vigência as péssimas condições em que eles trabalham, o que é atestado por organismos internacionais,  quando foi noticiado no The New York Times, o governo reagiu com sua honra verde-amarela ferida.
Seja como for, essas agências e a aeronáutica estão sob responsabilidade do Governo, pois é o governo, na pessoa do Presidente da República quem MANDA, dá as ordens.
Pois assim, acredito que a culpa e a responsabilidade por esse apagão que vitimou 154 pessoas é do Governo, do Presidente da República. Lula e FHC que não investiram na infra-estrutura do país.
Em oito anos de governo, FHC usou tudo das privatizações para pagamento da divida externa. Lula nesses quatro anos liquidou a dívida com o FMI. Essa política adotada por FHC e também usada por Lula, deixaram os banqueiros estrangeiros com o sorriso de orelha a orelha. O sensato seria usar pelo menos 60% desses pagamentos para investimento interno, no aparelhamento da infra estrutura.
O Brasil já está usando 85% de sua capacidade funcional e por uma simples continha ( 3% x 5 anos = 15%), não há como o país suportar um crescimento da ordem de 3% ao ano, pois em cinco anos o Brasil estará usando toda a sua capacidade funcional. Não houve e não há investimentos na infra estrutura, na capacidade funcional do Brasil. Para construir uma usina hidro-elétrica, no mínimo leva cinco anos, idem para aberturas de estradas e remodelações de portos e aeroportos e etc. Para se investir na infra-estrutura, além de outros fatores, o governo precisa cortar gastos e nos debates pré-eleição, Lula já acenou que esta não é sua intenção.  Pela ocasião, talvez deveria levar a um debate se há a necessidade de privatizar o setor do controle do espaço aéreo nacional e então, ocorrendo alguma irresponsabilidade, aí sim colocaríamos a culpa nas pessoas que irão administrar essas empresas privatizadas.
Os fatos que ocorrem fora do Brasil atingem aqui dentro um forte estado de comoção, como o atentado do World Trade Center ou a guerra do Iraque, que vitimaram milhares de pessoas. E, há um certo descaso com os acontecimentos ocorrido aqui dentro do Brasil, como a queda do avião da Gol que vitimou 154 pessoas pois, acidentes acontece, não é mesmo? E, como pela total falta de segurança, as guerrilhas urbanas, onde morre mais brasileiros do que as vítimas da guerra do Iraque. E o pior, a cada dia convivemos com o tal conformismo que esse caótico cardápio de estado de coisas acontece desde Cabral.
Aqueles supostamente que viviam a tal realidade brasileira, os letrados, os intelectuais, os esquerdistas que tanto estavam no grupo de FHC e do Lulla, que lutaram contra opressão militar e plantavam para a sociedade a "real" necessidade de "mudanças", são os mesmo que estão aí neste palco de guerra de interesses, colocando a sociedade sob tortura da opressão civil, principalmente aqueles que vivem da rudeza de seu trabalho, que não ficam sentados batendo papo nos celulares ou numa confortável poltrona teclando o seu computador e sim, que agonizam em intermináveis filas dos hospitais público e da previdência.
Será que éramos felizes e não sabíamos?
Será que o povo sabe muito bem onde achar o caminho ou se comporta como massa de manobra, idolatrando um governante como que se ele fosse um líder espiritual ? Que antes acreditaram nas "virtudes" daqueles que se autodenominavam os donos da ética, da moral, da honestidade, da dignidade, e agora, pelas modelagens da Fé-Demais, compram esses discursos de que corrupção e assalto do dinheiro público sempre existiu. Claro que sempre existiu, mas de igual e de tal forma desses que agora dançam e cantam a mesma música que antes diziam não suportar ouvir, NÃO.
Vivemos num estado letárgico, de preguiça cívica. Nesse mar de lama de escândalos sem fim, o fato seria para usarmos as poucas ferramentas que temos nessa nossa Democracia, para um levante de toda a população, inclusive daqueles que acreditaram nos desbravadores da esperança, que desfraldavam aos quatros ventos a bandeira da ética, da moral, da honestidade e da dignidade.
Entra governo, sai governo, entra governo e sai governo... O fato é que convivemos, até não sei quando, suportando esse estado de caos. Talvez, deixando as paixões de lado, necessitamos achar um meio de levarmos a massa um pensamento voltado no plantio de ações que efetivamente pudessem nos dar "a força" para um planejamento e construção do nosso tão desejado bem-estar.
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 05/11/2006
Código do texto: T282587
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Plínio Sgarbi