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ÉTICA



Outro dia enquanto desfrutávamos merecidas férias na bela Natal e aguardávamos cessar o temporal que assolava a cidade, entabulamos uma boa conversa com o simpático casal proprietário do hotel e alguns dos hóspedes que ali, também, encontravam-se esperando que a chuva parasse.

Discorremos, inicialmente, sobre a natural beleza da cidade e, todos demonstraram preocupações com o progresso desorganizado.

Observamos que o Turismo cresce sem planejamento, existe uma invasão de investidores europeus que, apesar de trazerem investimentos, gerar empregos e, naturalmente impostos não estão preocupados em manter o meio ambiente.

Casas e terrenos a beira mar estão sendo transformados em Hotéis e Flats. Não existe, como deveria, projetos políticos de parceria público/privados para que tais investidores se comprometam com a preservação do meio ambiente, iluminação, saneamento etc. Aliás, o saneamento básico é caótico, havia, inclusive, um protesto dos “nativos”, assim são chamadas pessoas naturais da cidade de Natal, contra um projeto da Prefeitura que pretende despejar nas águas verdes da linda Praia de Ponta Negra, os detritos de fossas batizados pelos indignados moradores de “água suja”, conforme se podia ler na faixa colocada no calçadão da orla.

  Existe uma grande exploração do turista, cobra-se por tudo, preço com base nas moedas americana e européia; constata-se, assim, uma visão deturpada de que todos os visitantes sejam oriundos daquelas regiões e que o povo dos demais estados brasileiros é tão abastado quanto àqueles.

 Parece que a Secretaria de Turismo não está atuando como deveria. Por duas vezes consecutivas tentamos visitar o Forte do Reis Magos e o Museu de Câmara Cascudo; em ambas as ocasiões os encontramos fechados; os hotéis e agências de turismos não foram avisados; na oportunidade, observamos vários ônibus que transportavam turistas sendo obrigados a voltar; um deles foi avisado pelo motorista do carro que havíamos alugado de que o local estava fechado.
 Revolta ver a exploração sexual das meninas pobres de Natal pelos turistas estrangeiros.

Ao final concluímos que, o progresso desorganizado, a ambição desmedida dos investidores, a pobreza, a ignorância e a falta de cultura de significativa parte da população aliada à inoperância e descaso do Governo, infelizmente, deixam Natal longe do Paraíso que poderia ser.

O que melhoraria a cidade e as condições de vida da população menos favorecida é desvirtuado pela falta de ética, mencionou Hans, um simpático gaúcho que tivemos o prazer de conhecer e participava da conversa.

Lembrei-lhe, então, que ética é, apenas, um código de comportamento firmado por determinado seguimento ou organização da sociedade, nem sempre revestido de caráter virtuoso.

Na verdade, o que ocorre no país e no mundo é o completo desrespeito a vida, em face da ambição desmedida de poucos, em detrimento do prejuízo de muitos; é o esquecimento dos valores reais como o amor ao semelhante e à pátria em conseqüência da desagregação da família, instituição primeira na formação do homem de bem.

A chuva cessou e decidimos com boa dose de humor, característica peculiar do brasileiro, retomarmos a conversa no próximo temporal, ocasião em que nós, homens e mulheres de boa vontade elaboraríamos um documento para, posteriormente, encaminhá-lo as autoridades nacionais indicando-lhes, não só a solução para os problemas observados em Natal, mas, também, em todo o país.

Ana Aparecida Ottoni
Ana Aparecida Ottoni
Enviado por Ana Aparecida Ottoni em 12/11/2006
Código do texto: T288940
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Sobre a autora
Ana Aparecida Ottoni
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Ana Aparecida Ottoni