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“Enquanto o pastor pastava o burro rezava”

Se atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu,muitas são as “cause mortifer” dos que não mais seguem a folia: mesmice, violência oculta pela mídia, síndrome do vazio do dia seguinte – da alma e do bolso... E claro, as conseqüências dos excessos!

Uma cena comum "sexy-story" das micaretas no Brasil: no alto do trio-elétrico, uma bunda eletrificada se quebra e se requebra para todos os lados no ritmo estonteante – não educante, porém, libidamente edificante – do axé-music; música, por sinal, com um recheio de gostos passageiros com os mais variados ingredientes: vassouras, carro-velho, arrastão, “pueira”...  Tudo resumido numa brincadeira de tomada, ou seja: às mentes supérfluas, qualquer besterol dá luz! – literalmente, balada pra sair do chão. E como na lei da natureza subir significa descer, resume-se que essa levada louca – com gosto de chiclete com banana - sempre terminará numa pinel...

Por aqui, em terras mafrenses, prolifera-se a Gang que sacaneia com o amor, gerando nas “boquinhas das garrafas” a síndrome da mãe-criança com Bebê Chorão. A traseira celebridade “balança, mas não cai” – pelo menos, momentaneamente; está segura dentro duma mini-saia “beira-cu”, amarrada às linhas da calcinha fio-dental: visão pra nenhuma mente cariada, pela  falta de libido, botar
defeito.

Os vanguardistas da tecnologia sexológica já criaram – para as micaretas da Era PT – a “calcinha lula-lá”: difícil de entrar, mas depois de umas doses de pinga, fácil de voar! Com um detalhe, a única que já vem acompanhada de pentelhos grisalhos – renovando, assim, o modismo careca que aflora do futebol às passarelas da moda; radicalização total da concepção de higiene associada à falta de pelos. Se assim o fosse, teríamos, na política - com os “severinos” da vida - uma limpeza geral, e não um nepotismo cabeludo e descarado em cada gabinete familiar.

Sem o peso e sem a medida do rótulo do conservadorismo exacerbado, e deixando o preconceito de lado, louvemos a livre manifestação do povo – afinal, a simplicidade pode ser o resumo de uma felicidade entendida dentro dos limites do conhecimento de cada um. Convém, para que não “confundamos” excesso com recesso, não trocarmos uma boa leitura por um “tambor de crioula” – o ideal seria a junção do saber com a alegria da cultura do povo; mas aí seria pedir demais em um país onde a preocupação maior, nos dias de hoje, é com a construção de cadeias – e a cadeia de hoje consome o tijolo que não foi colocado na escola de ontem.

As micaretas se vão. Ficam os pastores a consertarem os estragos das festas comerciais; procuram, assim, aumentar o patrimônio das igrejas apocalípticas que infestam os centros das cidades com a gritaria dos atormentados em fuga do fogaréu profético, na insônia do medo do espeto de um satanás antropófago de almas.

E bem resumindo este quadro, poderíamos deduzir que: enquanto o pastor pastava atrás das ovelhas desgarradas, o burro rezava para fugir do tédio e da falta de baladas.

Brinquemos, então.
Kal Angelus
Enviado por Kal Angelus em 17/11/2006
Código do texto: T294024
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Sobre o autor
Kal Angelus
Teresina - Piauí - Brasil
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