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ANDRÉ PAGANELLI: O KENNY G. BRASILEIRO

Com talento e carisma, André Paganelli torna-se referência na música evangélica instrumental brasileira

Não faz tanto tempo assim que ele se converteu, foi há cerca de dez anos após ser internado duas vezes numa clínica para tratamento de usuários de cocaína. Depois de superar esse momento difícil de dependência química, André Paganelli deu a volta por cima, e atualmente é considerado um dos maiores instrumentistas da música evangélica nacional. Cláudio Apolinário, cantor, diretor da IAAD – Instituto Assistência Anjos de Deus e apresentador da Rádio Musical de São Paulo, acompanhou de perto seu drama: “Descobri essa realidade de uma maneira que me machucou muito. Ele passou três dias sozinho num quarto de hotel se drogando, correndo risco de ter uma overdose. Com muita insistência, aceitou ser internado numa clínica para desintoxicação”. Até hoje o pastor ainda se emociona ao falar da mudança ocorrida na vida do saxofonista. “O plano de Deus para o André foi tremendo. Daquele momento em diante, vimos uma real transformação”, complementa.

Não é novidade que o gênero evangélico instrumental é pouco difundido por aqui, mas mesmo assim o saxofonista apresenta uma bagagem de causar inveja a muitos cantores da chamada “música secular”. Sua afinidade musical vem desde a infância e, se o pai não entende nada do assunto – como diz o próprio André –, coube ao avô dar aquele empurrãozinho. “Eu toco saxofone há 46 anos, e comecei a ensinar teoria musical quando ele ainda era bem pequeno”. Membro da Assembléia de Deus do Belém, Otávio da Silva reconhece o esforço do neto: “Ele é muito dedicado na obra, principalmente agora que também é pregador”. Filho do pastor Armando de Oliveira Leal e da violinista Sueli Leal, André Paganelli confessa que o maior comprometimento dos pais na sua formação musical foi o incentivo para que ingressasse na banda da igreja. “Eles influenciaram muito na minha vida cristã, educando-me nos princípios da Palavra”, complementa.

Até os 23 anos, vários instrumentos passaram por suas mãos. “O primeiro foi um sax-horne, uma espécie de bombardino pequeno”, recorda. Em seguida, vieram trombone, trompete, clarineta e, finalmente, saxofone. Esse último foi o responsável por tirá-lo do anonimato, alavancando sua carreira como músico instrumentista. “Ele e o instrumento formam um só organismo, não tem explicação lógica. É um dom dado por Deus”, comenta o maestro Donaldo Guedes, relator da Aliança Batista Mundial e que atua a frente da orquestra e coral do ministério de louvor da Igreja Batista da Liberdade, em São Paulo.

Muitos cantores são privilegiados por terem uma bela voz, jogadores de futebol pela habilidade em dominar a bola, pastores pela prática da retórica. André Paganelli não é cantor, muito menos jogador de futebol, mas veio para quebrar paradigmas, transmitindo mensagens de amor, louvor e adoração com sua sensibilidade musical e, naturalmente, com os solos de seu saxofone. “Creio que tenho ajudado a abrir um novo mercado, incentivando novos talentos”, afirma o músico. Donaldo Guedes concorda: “Sem dúvida, ele é um grande exemplo de sagacidade, determinação e talento, e pode influenciar muitos jovens espalhados por esse nosso Brasil”.

Influência americana e experiência internacional – André Paganelli foi influenciado pelo Smooth Jazz norte-americano, estilo introduzido nos anos 70 pelo trompetista Miles Davis, e marcado por uma maior suavidade musical. Se a princípio, os “puristas” do jazz tradicional torceram o nariz, a música se tornou mais atraente e acessível ao público. Para os brasileiros, o Smooth Jazz deixou de ser apenas “aquele som que se ouve em sala de espera de dentista”. Como a suavidade das composições é um elemento importante para a música cristã, o saxofonista tratou logo de incorporar essa característica ao seu trabalho. Pelo jeito, a combinação deu certo. “Ele é um obreiro raro, desses que aparecem de tempos em tempos, além de excelente músico e pregador de invejável cultura bíblica”, testemunha Eli Fernandes de Oliveira, pastor, doutor em Teologia e eleito várias vezes presidente da Convenção Batista Brasileira e do Estado de São Paulo.

Foi nos Estados Unidos – onde morou de 1999 a 2001 – que sua carreira teve um impulso decisivo, tornando-o conhecido e lhe abrindo as portas do mercado fonográfico. O sucesso na “terra do Tio San” foi tanto que o artista recebeu o apelido de “Kenny G Brasileiro”. E ele não se incomoda nem um pouco com essa comparação. “Sou um admirador do trabalho dele. Os amigos, a mídia e os membros das igrejas me chamavam assim, pois o nosso estilo e proposta para o sax soprano é muito similar”. Para Cláudio Apolinário essa questão é irrelevante: “Muitos o consideram o Kenny G dos evangélicos, mas pra mim ele é o servo André Paganelli de Jesus”. Sem desgrudar de seus instrumentos de trabalho – um saxofone alto e um soprano –,  André Paganelli tocou inúmeras vezes para o Consulado Brasileiro em Los Angeles, e realizou diversos concertos na Califórnia, sempre tendo o público e a crítica como aliados. Foi assim no Eagle Theater, Grand Olimpic Auditorium e na mega igreja Crystal Cathedral. Além disso, ele ainda gravou um video-clip para a música Castelo Forte, em Hollywood. Depois de dois anos trabalhando, estudando e convivendo com a cultura cristã dos “gringos”, ele aponta as diferenças entre a indústria evangélica nos dois países. “O mercado da fé por lá está muito a frente, mas há uma religiosidade exacerbada sem prática cristã, assim como os católicos agem por aqui”.

O saxofonista também já realizou uma turnê evangelística de cem dias pela Europa, apresentando seu trabalho e ministério em Portugal, Espanha, Inglaterra, Itália, França e Suíça. “Muitas igrejas estão sendo fechadas, a fé genuína e protestante do Antigo Continente tem perdido espaço para o racionalismo, o humanismo e o materialismo”, comenta. E quanto ao Brasil? “O povo brasileiro é mais religioso, mas nem tudo que reluz é ouro. Cresce muito numericamente, e pouco qualitativamente”.

Se a experiência internacional foi importante para sua carreira e crescimento do seu ministério, o fato é que André Paganelli batalhou muito para conquistar o reconhecimento e o respeito público pelo seu trabalho. Foi um ano e meio tocando com a Banda Kadoshi, ao lado do saxofonista Isaías Salustiano, até migrar definitivamente para a carreira solo. A partir daí, ele gravou três cd’s independentes – dois no Brasil  e um nos Estados Unidos –  antes de assinar o primeiro contrato. “Minha participação com músicos e bandas foi quase inexpressiva. Desde que comecei a estudar saxofone, meu sonho era ser solista”, confessa. Ao todo, como instrumentista, ele possui dez discos gravados – sete inéditos e três coletâneas – e já abocanhou vários prêmios importantes: Troféu Omega 2001, Prêmio Magnífico 2001 e 2003, além de duas indicações seguidas ao Troféu Talento, em 2001 e 2002.

Apresentações de gala –  A capital paulista foi testemunha de alguns momentos marcantes na carreira do saxofonista. Em 2001, ele foi protagonista do show “Paganelli In Concert”, realizado no Olympia, famosa casa de espetáculos na época;  dois anos mais tarde, escolhido para tocar com o cantor americano Alvin Slaughter no Ginásio da Portuguesa. E demonstrando seu lado diplomático, em 2002, participou de uma grande conferência no Hotel Transamérica, ocasião em que se apresentou para o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Com dois trabalhos lançados pela Bompastor – Caminhando Para o Alvo e Meditação –, o artista, que também já fez curso de arquitetura e desenho industrial, não se julga um perfeccionista, mas faz questão de participar de todo o processo de produção de seus discos, inclusive na escolha das fotos e elaboração da capa. “A música é mais uma extensão da minha veia artística, e como trabalhei na área de design e projetos durante muitos anos, gosto de acompanhar tudo de perto”.

Formado em Teologia e consagrado pastor em 2004, André Paganelli exerce seu ministério pastoral na Igreja Batista da Água Fria, zona norte de São Paulo. E como todo artista incumbido da proclamação do Evangelho, ele também apresenta um ministério itinerante, visitando igrejas e participando de festividades e conferências. “Sou pastor e músico, e isso é bastante atraente para as igrejas que me convidam”. Não há nada de mal em fazer um merchandising, não é mesmo? “O André Paganelli traz à consciência da congregação a importância de músicas que remetem à adoração, ou seja, o que é mais importante no nosso contato com Deus”, opina Paulo Lutero de Melo, pastor da Igreja O Brasil Para Cristo do Grande Templo da Pompéia e apresentador da Rádio Musical.

A esposa Alessandra colabora ativamente com a vida artística e ministerial do marido.  “Percebo cada vez mais que o André é uma dádiva de Deus para a minha vida”, comenta. E, há alguns meses, o casal foi presenteado com o nascimento do primeiro filho, Brian. Orgulhoso, o papai faz questão de explicar a escolha do nome: “Tanto André como Brian – respectivamente de origem grega e celta –, tem o mesmo significado: forte”.
Só o tempo pode dizer se Brian também se tornará músico. Entretanto, não resta dúvidas de que ele vem para ajudar o pai a dar continuidade na obra a serviço do Senhor.

Fonte: Revista Eclésia - Edição 117
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JDM

José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 23/11/2006
Reeditado em 30/10/2009
Código do texto: T299103
Classificação de conteúdo: seguro

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José Donizetti Morbidelli
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