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Relatório de Estágio Supervisionado de Enfermagem

1. INTRODUÇÃO

O Estágio Supervisionado é um cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que define que todo curso de Licenciatura deve oferecê-lo para a formação de seus profissionais, que no caso específico do curso de Enfermagem possibilita atuação na área técnica no campo da saúde e, também, na rede de ensino pública ou privada de nosso país.

O Estágio Supervisionado é uma atividade obrigatória que deve ser realizada pelo aluno de cursos de Licenciatura que deve cumprir uma carga horária pré-estabelecida em instituições públicas e/ou privadas sob a orientação e supervisão de Professor-Orientador e/ou profissionais credenciados.

O Estágio Supervisionado tem por princípios a formação acadêmica, pessoal e profissional. Cabe a cada Instituição de Ensino Superior (IES) estruturar essa atividade obrigatória, sempre seguindo critérios gerais definidos pela Legislação específica e demais normas relativas emitidas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). Assim, o Estágio deve ser estruturado de forma a dar continuidade aos conhecimentos e habilidades adquiridas nas diversas disciplinas e atividades previamente ministradas pela Instituição de Ensino Superior (IES) a qual o aluno está vinculado.

O Estagio Supervisionado deverá integrar “teoria e praticas”, componentes indissociáveis da “práxis” que tem um lado material, propriamente prático, com a particularidade do que só artificialmente, por um processo de abstração, podemos isolar (VASQUEZ, 1968).

O presente Relatório de Estágio Supervisionado descreve as características e práticas observadas, conforme exigência legal do Colegiado do Curso de Licenciatura em Enfermagem por meio da Instrução Normativa n.º 045, de 13 de maio de 1991, da Universidade Estadual do Marajó (UEMA).

O Estágio Supervisionado do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Marajó (UEMA) deve ser desenvolvido para oportunizar mais um espaço de aproximação e integração do aluno de Enfermagem com a realidade dos profissionais de saúde.

Esse Estágio Supervisionado de Enfermagem foi cumprido levando-se em conta a duração de 1 (um) ano, correspondendo ao calendário letivo do ano de 2010, indo do início das aulas, em janeiro, até o término das mesmas, em dezembro.

A carga horária desse Estágio Supervisionado de Enfermagem é correspondente ao total de 320 (trezentas e vinte) horas.

O presente Estágio Supervisionado de Enfermagem possibilitou a vivência da realidade hospitalar, permitindo o cumprimento de atividades diversas, como por exemplo: passagem de plantão; cumprimento de escalas; atendimento direto aos pacientes; documentação das prescrições de enfermagem e avaliações da assistência de enfermagem em documentos anexos ao prontuário do paciente; acompanhamento de atividades de formação continuada; desenvolvimento de ações de prevenção e controle de infecção hospitalar e doenças transmissíveis; participação em eventos e projetos de educação em saúde; e planejamento e avaliação dos serviços executados. Portanto, houve a preparação completa que possibilita ao aluno de Enfermagem atuar futuramente no mercado de trabalho, mediante aperfeiçoamento prático, técnico-científico-cultural e relacionamento profissional.

O produto final do Estágio foi esse Relatório de Estagio Supervisionado de Enfermagem, que foi realizado no Hospital Geral do Marajó (HGM), Ilha de Marajó, Estado do Pará. Nessa Unidade de Saúde, o aluno-estagiário cumpriu suas atividades, sempre acompanhado pela supervisão do Professor-Orientador.

Os objetivos propostos foram atingidos tendo em vista que todas as condições foram disponibilizadas e todas as atividades propostas foram satisfatoriamente desenvolvidas. Alguns problemas levantando durante a realização das atividades foram observados e foram sanados a partir de uma intervenção direta do aluno-estagiário por meio da proposição de metodologias diferencias no cumprimento das atividades e tarefas.

Enfatizamos o total apoio da Direção Geral e da Coordenação de Enfermagem do Hospital Geral do Marajó (HGM), tendo oferecido primorosa atenção e oportunizando todas as condições para a realização das atividades propostas.

2. DIAGNÓSTICO DA UNIDADE HOSPITALAR

Este tópico apresenta com detalhes a caracterização da Unidade Hospitalar alvo do Estágio Supervisionado de Enfermagem.

2.1 IDENTIFICAÇÃO

O Hospital Geral do Marajó (HGM) localiza-se à Avenida João Lisboa da Cruz, n.º 112, Centro, CEP 68.111-000, Ilha de Marajó, Estado do Pará.

O Hospital Geral do Marajó (HGM) é mantido pelo governo estadual do Pará e é administrado pela Secretaria Estadual de Saúde, nos termos da Legislação em vigor.


2.2 CARACTERÍSTICAS DO HOSPITAL GERAL DO MARAJÓ - HGM

Esse tópico apresenta as dimensões física, de recursos humanos e financeira do Hospital Geral do Marajó (HGM).

2.2.1 DIMENSÃO FÍSICA

O Espaço Físico do Hospital Geral do Marajó (HGM) é amplo e divide-se em: (1) Área Administrativa; e (2) Área Clínica, conforme detalhes abaixo.

A – ÁREA ADMINISTRATIVA:
- 01 Recepção;
- 01 Sala da Direção Geral;
- 01 Sala de Administração;
- 01 Sala para coordenação;
- 01 Sala para chefia médica;
- 01 Sala para chefia de enfermagem;
- 01 Auditório;
- 01 Copa e cozinha;
- 01 Refeitório;
- 01 Almoxarifado;
- 01 Sala de expurgo;
- 01 Sala de desinfecção de material;
- 01 Depósito de material de limpeza;
- 02 Dormitórios;
- 01 Sala de regulação;
- 01 Sala de transporte social;
- 01 Farmácia;
- 01 Sala de desestress;
- 01 Área para higienização das ambulâncias;
- 01 Estacionamento com 75 vagas.



B – ÁREA CLÍNICA
- 03 Enfermarias;
- 02 Salas de Tratamento;
- 01 Centro Cirúrgico;
- 01 Unidade de Terapia Intensiva - UTI;
- 01 Centro de Tratamento de Queimados;
- 01 Centro de Tratamento Oncológico;
- 01 Sala de Serviços de Ação Social;
- 01 Sala de Espera;
- 12 Consultórios Médicos;
- 09 Gabinetes de Enfermagem;
- 01 Brinquedoteca;
- 01 Classe Hospitalar;
- 01 Capela.


2.2.2 RECURSOS HUMANOS

O Hospital Geral do Marajó (HGM) possui o seguinte quadro de profissionais:

- 01 Diretor Geral;
- 03 Coordenadores;
- 25 Médicos;
- 45 Enfermeiros;
- 05 Fisioterapeutas;
- 04 Psicólogas;
- 03 Pedagogas;
- 03 Assistentes Sociais;
- 02 Nutricionistas;
- 02 Biomédicos;
- 15 Técnicos de Enfermagem;
- 10 Auxiliares de Enfermagem;
- 07 Técnicos de Laboratório;
- 02 Administradores;
- 01 Contador;
- 01 Cientista da Computação;
- 01 Jornalista;
- 01 Bibliotecária;
- 25 Assistentes Administrativos;
- 12 Serviços Gerais;
- 06 Motoristas;
- 04 Porteiros;
- 01 Jardineiro;
- 08 Guardas.

Vale destacar que aqui não estão especificados os colaboradores e os profissionais diversos que atuam como parceiros nas diversas ações e projetos realizados ao longo do ano. Nesse tópico não estão incluídos também os profissionais da Secretaria Estadual de Saúde que eventualmente realizam atividades de capacitação e acompanhamento das ações desenvolvidas em âmbito da Unidade Hospitalar.

2.2.3 DIMENSÃO FINANCEIRA

Os recursos financeiros do Hospital Geral do Marajó (HGM) são geridos por 02 (duas) fontes:

a) A FUNDAÇÃO MARAJÓ SOLIDÁRIO (FMS) do Hospital Geral do Marajó - HGM é uma entidade filantrópica que gere recursos previstos em seu estatuto e que visa arrecadar recursos através de Contribuição dos Associados; Convênios; Subvenções; Doações; Promoções diversas; entre outras fontes.

b) Entidade Mantenedora – O Governo do Estado do Pará, através da
Secretaria Estadual de Saúde, atende as necessidades financeiras conforme regulamentação legal. Estes recursos chegam ao Hospital Geral do Marajó (HGM) por meio de requisições de materiais de expediente e ou reparos, bem como obras solicitadas pela equipe gestora.


2.2.4 PROJETOS E AÇÕES ESPECIAIS

O Hospital Geral do Marajó (HGM) possui uma rica programação de ações e projetos que seguem o proposto pelo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).

Assim, são comemoradas datas especiais, que incluem: datas comemorativas e feriados, como por exemplo: Dia do Médico, Dia das Mães, Dia das Crianças, Dia do Enfermeiro, Dia Mundial Sem Tabaco, Dia Mundial de Combate às DST/ AIDS, Semana da Criança e Natal.
 
Há, ainda, diversos Projetos e Programas em andamento no Hospital Geral do Marajó (HGM), e outros que são realizados em âmbito municipal e regional e contam com a parceria dos profissionais do HGM, a saber:

- Projeto Pedagogia Hospitalar;
- Projeto Doutores da Alegria;
- Programa de Saúde da Família;
- Programa Municipal de Educação Ambiental e Sanitária;
- Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses;
- Programa Municipal de Vigilância Ambiental;
- Programa Municipal de Prevenção ao Escalpelamento.

3. ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE ENFERMAGEM

O presente Estágio Supervisionado de Enfermagem foi realizado, durante o período de janeiro a dezembro de 2010, no Hospital Geral do Marajó (HGM), Ilha de Marajó – Estado do Pará.

As atividades desse Estágio Supervisionado de Enfermagem foram planejadas previamente, nos semestres anteriores, como parte das Disciplinas Estágio Supervisionado I e II, seguindo o roteiro geral do “Projeto de Estágio do Curso de Enfermagem”, que se encontra referenciado ao final desse documento.

Todas as etapas foram desenvolvidas com acompanhamento do Professor-Orientador do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Marajó (UEMA), que é o profissional responsável pelo Estágio Supervisionado dos cursos de Licenciatura.

Tudo o que foi realizado durante o período do Estágio Supervisionado de Enfermagem encontra-se descrito adiante. Assim, essa parte que contém as ações e trabalhos diretamente relacionados ao Estagio está dividida em: (1) Observação e Análise; (2) Atendimento em Enfermagem; (3) Participação em Projetos e Programas; (4) Participação em Eventos; e (5) Discussão das Atividades Desenvolvidas.

3.1 OBSERVAÇÃO E ANÁLISE

Assim, de acordo com o “Projeto de Estágio do Curso de Enfermagem”, inicialmente foram realizadas várias observações no estabelecimento de saúde a fim de obter a maior quantidade de informações relevantes ao Estágio, por meio da análise de diversos documentos. Com essas observações foi possível conhecer melhor o histórico e a realidade de funcionamento dessa instituição.

Nessa primeira fase, houve a investigação de toda a estrutura organizacional e administrativa do Hospital Geral do Marajó (HGM), averiguando as condições de trabalho, tais como: disponibilidade de recursos físicos, materiais, financeiros e humanos. Também foi observada a integração da Unidade de Saúde com a comunidade.

Nas primeiras semanas, verifiquei as instalações prediais da Unidade Hospitalar, tais como: sala de direção, sala dos Enfermeiros, sala de coordenação, secretaria, dormitórios, farmácia, depósitos, auditório, cozinha, refeitório etc.

Em consulta ao Departamento de Recursos Humanos da Unidade Hospitalar obtive o número de servidores administrativos e de apoio que atuam na instituição. E, também, coletei dados dos recursos materiais disponíveis (computadores, macas, leitos, ambulâncias, aparelhos de raio-x, ultra-som, etc.).

Vale destacar que essa etapa de “Observação e Análise” não se restringiu só aos primeiros dias de Estágio, pois ela se prolongou durante todas as demais etapas, permitindo que a obtenção de informações diversas, tais como: (1) Características dos clientes/pacientes; (2) Recursos materiais mais utilizados no atendimento em Enfermagem; (3) Indicações bibliográficas; (4) Procedimentos e técnicas mais utilizadas pelos Enfermeiros e Técnicos em Enfermagem; (5) Técnicas de Avaliação dos resultados e tratamentos disponibilizados à clientela atendida pela Unidade Hospitalar; (6) Métodos de controle de infecção hospitalar; e (7) Principais dificuldades enfrentadas por profissionais de saúde.

Além disso, tive a oportunidade de registrar as seguintes informações: (1) Filosofia e Missão da Unidade Hospitalar; (2) Calendário de Atendimento; (3) Fluxogramas existentes; (4) Funcionamento dos diversos órgãos e setores do Hospital; e (5) Integração do Hospital com outras instituições públicas e privadas.

Ressalta-se que todos esses momentos foram muito importantes e contribuíram com a formação e ampliação dos saberes. E, não poderia deixar de mencionar que nessa primeira fase contei com acompanhamento do Professor-Orientador da UEMA que colaborou com os seguintes trabalhos: (1) orientação para o preenchimento dos formulários comprobatórios do Estágio; (2) orientação no levantamento de bibliografia; (3) orientação na coleta de dados durante a “Observação e Análise” da Unidade Hospitalar; e (4) preparação da apresentação em “PowerPoint” do Seminário que deverá reunir os dados coletados e é uma obrigação a ser cumprida como parte da “Disciplina de Estágio Supervisionado”.

Considero importante destacar que semanalmente dediquei um tempo para fazer reflexões sobre o andamento do trabalho, verificando se os objetivos propostos para aquele período foram atingidos, como foi o desempenho geral, se as atividades foram adequadas etc. Assim, de maneira contínua pude verificar o relacionamento da teoria e prática.

Após essa primeira etapa, foram iniciadas as atividades de atendimento em Enfermagem, quando foi possível o desenvolvimento de inúmeros trabalhos e procedimentos, sempre contando com apoio da equipe de profissionais do Hospital Geral do Marajó (HGM).


3.2 ATENDIMENTO EM ENFERMAGEM

Esse tópico traz com detalhes a descrição das inúmeras atividades e ações de promoção de saúde, prevenção e de cuidados curativos prestados ao longo do Estágio Supervisionado de Enfermagem.

Nesse período, tive oportunidade exercer atividades de atendimento em Enfermagem em muitos departamentos do Hospital Geral do Marajó (HGM), como: Enfermarias, Ambulatórios, Centro de Tratamento Oncológico, Centro de Tratamento de Queimados, Serviço de Atendimento Móvel Urgente, Unidade de Terapia Intensiva etc. Além disso, participei de inúmeras atividades externas, em Projetos, Programas e Eventos específicos.

Nas Enfermarias participei de atividades de atenção primária, secundária e terciária, atuando na assistência de Enfermagem às crianças e adolescentes, às mulheres, aos adultos e aos idosos. As atividades desenvolvidas foram as seguintes: (1) passagem de plantão; (2) realização de escala no período de descanso e lanche dos funcionários do Hospital; (3) realização de escala completa de trabalho nos turnos diurno e noturno; (4) prescrição de assistência de enfermagem; (5) encaminhamento de paciente a exames conforme rotina da instituição; (6) atendimento de Enfermagem na Urgência e Emergência; (7) atuação em atividades de Enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva; (8) acompanhamento de atividades de educação continuada oferecida aos profissionais locais; (9) realização de cuidados diretos de Enfermagem para atendimento de pessoas vítimas de queimaduras graves; (10) participação na prevenção e controle de forma sistemática a infecção hospitalar e de doenças transmissíveis; e (11) acompanhar o planejamento de previsão de recursos materiais e humanos.

Ao longo desse tempo, tive a oportunidade de acompanhar consultas médicas em diferentes áreas (pediatria, ginecologia, obstetrícia, oncologia, dermatologia, cirurgia geral etc.), permitindo-me assim colocar em prática os meus conhecimentos e habilidades. Pude aplicar com bastante intensidade o aprendizado de procedimentos de Enfermagem, tais como a administração de vacinas e fármacos, a pesquisa de glicemia capilar e a avaliação da pressão arterial. Nesse trabalho, pude perceber os inúmeros problemas nos quais o clínico se depara no seu dia a dia. Em todos os acompanhamentos aos médicos, sempre relatei com bastante cuidado na minha agenda pessoal as histórias clínicas e os registros dos dados colhidos no sistema informático do SIASUS.

Em acompanhamento às atividades do Programa de Saúde da Família (PSF), participei no assessoramento de consultas realizadas por médicos em comunidades rurais, bem como colaborei com vários “Agentes Comunitários de Saúde” nos procedimentos de Enfermagem ao domicílio. No acompanhamento das inúmeras equipes multiprofissional do PSF, ampliei muito meus conhecimentos e aprimorei minhas habilidades de relacionamento interpessoal, atuando em muitas atividades diferentes: (1) visitas domiciliares; (2) Oficinas educativas para casais abordando planejamento familiar; (3) atividades de acompanhamento de gestantes para falar dos exames do período Pré-Natal; (4) acompanhamento das mulheres puérperas para falar de aleitamento e vacinação infantil; (5) palestras nas escolas e Igrejas com os adolescentes e jovens para falar de sexualidade e DST/ AIDS; e (6) atividades com idosos etc. Nesse trabalho pude constatar a distância a que muitos marajoaras estão dos serviços de saúde das cidades e a dificuldade de acessibilidade que têm, principalmente por falta de meio de transporte.

Participei, ainda, em serviços de Enfermagem no trabalho do Serviço de Atendimento Móvel Urgente (SAMU).

3.3 PARTICIPAÇÃO EM PROJETOS E PROGRAMAS

Durante o período do Estágio Supervisionado de Enfermagem pude acompanhar as atividades de diversos Projetos e Programas, a saber: (1) Projeto Pedagogia Hospitalar, (2) Programa Municipal de Educação Ambiental e Sanitária, (3) Programa de Saúde da Família, (4) Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses, e (5) Programa Municipal de Prevenção ao Escalpelamento.

Logo a seguir, eu apresento algumas informações sobre cada um desses Projetos e Programas que são desenvolvidos diretamente ou com colaboração de profissionais do Hospital Geral do Marajó (HGM).

A – PROJETO PEDAGOGIA HOSPITALAR

O Projeto Pedagogia Hospitalar é realizado por uma equipe multidisciplinar de profissionais do Hospital Geral do Marajó (HGM). Esse Projeto nasceu há cerca de 4 anos para dar atendimento diferenciado às crianças e adolescentes que estejam hospitalizados por meio da “Classe Hospitalar”, que nada mais é do que uma extensão da escola ao ambiente hospitalar. Assim, em termos práticos a “Classe Hospitalar” funciona como uma sala de aula adaptada ao ambiente hospitalar para atender crianças e adolescentes em internação temporária ou permanente, garantindo o vinculo com a escola e/ou favorecendo o seu ingresso ou retorno ao seu grupo escolar correspondente. A “Classe Hospitalar” visa entender as dificuldades dos pacientes e proporcionar a eles a realização do processo educativo, levando atividades diversificadas de escrita, leitura, matemática e jogos para garantir o desenvolvimento intelectual e acompanhamento escolar. Vale destacar que a “Classe Hospitalar” se complementa com a “Brinquedoteca” e a “Recreação Hospitalar”, pois parte das atividades de cunho pedagógico e instrucional (como jogos, dança, teatro e música), pode ser desenvolvida na “Brinquedoteca” ou na programação da “Recreação Hospitalar”.


B – PROGRAMA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA

O Programa Municipal de Educação Ambiental e Sanitária é um trabalho desenvolvido pela Prefeitura Municipal, e envolve vários órgãos locais na execução de ações diversas para garantir a proteção do meio ambiente e melhorar a saúde da população. A agenda de trabalhos do Programa Municipal de Educação Ambiental e Sanitária inclui a execução de diversas palestras e atividades nas Escolas públicas e particulares. Nessas palestras são abordados assuntos que favoreçam a construção de consciência ecológica e ajudam a esclarecer aos alunos a necessidade de adquirir hábitos para uma vida saudável.

C – PROGRAMA DE SÁUDE DA FAMÍLIA - PSF

O Programa de Saúde da Família (PSF) é o eixo central das políticas públicas de saúde no Brasil, pois reúne um conjunto de ações extremamente relevantes para garantir esse direito constitucional de todo brasileiro. Esse trabalho é realizado por uma numerosa equipe de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, e conta com atuação de muitos parceiros locais, tais como: Universidade Estadual do Marajó (UEMA), Instituto Técnico Federal do Pará (IFPA), ONG Crianças da Amazônia, Associação de Moradores da Reserva Extrativista (AMOREX), Pastoral da Criança e Igrejas Evangélicas.


D – PROGRAMA MUNICIPAL DE CONTROLE DE ENDEMIAS E ZOONOSES

Os trabalhos do Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses são desenvolvidos pela equipe técnica do departamento municipal de Vigilância Sanitária (VISA). Nos últimos anos houve uma integração das ações desse Programa com as cidades circunvizinhas por meio de um Consórcio Municipal, o que possibilitou que os resultados fossem otimizados. O cronograma do Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses contém uma lista enorme de ações integradas entre todos os órgãos públicos Federais, Estaduais e Municipais e a comunidade em geral para combate a diversos problemas, como por exemplo: Dengue, Malária, Febre Amarela, Calazar, Raiva, Doença de Chagas e Ulcera de Bauru, entre outras moléstias. A equipe da Vigilância Sanitária faz esse trabalho por meio de visitas aos estabelecimentos comerciais e domiciliares, limpeza de bocas de lobo, limpeza e roçagem de lotes baldios, e periodicamente realiza mutirões de limpeza das margens de córregos, logradouros públicos e todos os possíveis locais com criadouros de mosquitos e caramujos. Além disso, há a distribuição de material educativo (folder, adesivo, panfleto, cartilhas, etc.) para alunos nas Escolas e população em geral em blitz educativas. Outra atividade importante desse Programa são as campanhas publicitárias de conscientização da população usando todos os veículos de comunicação da cidade (rádios, programa televisionados, jornais impressos, revistas e internet).


E – PROGRAMA MUNICIPAL DE PREVENÇÃO AO ESCALPELAMENTO

O Programa Municipal de Prevenção ao Escalpelamento é realizado pela equipe de profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em parceria com a Secretaria Estadual da Mulher e Capitania dos Portos do Marajó. Na Amazônia, o transporte fluvial faz com que muitas mulheres percam seus cabelos em acidentes. As péssimas condições de segurança nas embarcações levam anualmente inúmeras crianças e jovens a passarem por essa dor drástica de ver seu rosto desfigurado, o que atinge muito mais do que a sua beleza física, pois afeta profundamente sua auto-estima e qualidade de vida. Para conscientizar a população da Amazônia sobre a prevenção ao escalpelamento são realizadas ações focadas em atividades de campo por meio da fiscalização das embarcações e, também, na mobilização social e tentativa de participação de todos os segmentos da sociedade por meio de campanhas educativas.

3.4 PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS

No período de Estágio, pude participar de 02 (dois) eventos coordenados pelos membros do Conselho Municipal de Saúde, que foram: (1) Seminário Municipal de Políticas Antidrogas e (2) Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (CMSAN).

A – SEMINÁRIO MUNICIPAL DE POLÍTICAS ANTIDROGAS

O Seminário Municipal de Políticas Antidrogas é um evento anual realizado pelo Conselho Municipal Antidrogas, que é o órgão local que reúne diversos seguimentos da sociedade marajoara nos esforços que possam reduzir e prevenir os danos à saúde e à vida, bem como as situações de violência e criminalidade associadas ao uso prejudicial de drogas (bebidas alcoólicas, fumo, crack etc.). Esse evento ocorre sempre no auditório da Universidade Estadual do Marajó (UEMA), e nesse ano contou com a participação de cerca de 250 pessoas. Assim, foram apresentados os trabalhos de educação para prevenir e reduzir os problemas decorrentes do uso e comercialização de álcool, fumo e entorpecentes em nossa cidade e região.

B - CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL (CMSAN)

A Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (CMSAN) foi organizada pela equipe de técnicos do Conselho Municipal de Saúde e foi realizada no auditório da Universidade Estadual do Marajó (UEMA). O evento contou com a presença de cerca de 350 pessoas.


3.5 DISCUSSÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

O Hospital Geral do Marajó (HGM) é um hospital referência e conta com uma das melhores estruturas físicas e de recursos humanos da Amazônia brasileira. A variedade e qualidade dos serviços de saúde são realmente significativos, especialmente nessa região tão carente de nossa nação.

Assim, ao longo de todo Estágio pude fazer a relação teoria prática de forma satisfatória, pois foi possível realizar com êxito todas as atividades propostas inicialmente pelo Projeto de Estágio Supervisionado, o que me permitiu assimilação de inúmeros conhecimentos e habilidades.

Por meio de um intenso processo de questionamentos e reflexões pude entender que o profissional de saúde em geral tem de conhecer o seu potencial de modificar comportamentos pessoais e coletivos no que se refere à saúde.

Percebi que muitas das doenças observadas no atendimento direto aos enfermos nas Unidades de Saúde não podem ser compreendidas totalmente a não ser que sejam vistas no seu contexto pessoal, familiar e social.

Por meio da participação nos diversos Projetos e Programas descobri um mundo extremamente rico e amplo para explorar o crescimento pessoal e profissional no atendimento em Enfermagem. Em cada um deles tive um aprendizado extraordinário, o que aguçou meu interesse pelo aprofundamento na pesquisa científica e na integração dos saberes próprias das áreas de Enfermagem com outras áreas do conhecimento humano, em especial a Psicologia e Assistência Social. Esses Programas e Projetos foram: (1) Projeto Pedagogia Hospitalar, (2) Programa Municipal de Educação Ambiental e Sanitária, (3) Programa de Saúde da Família, (4) Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses, (5) Programa Municipal de Prevenção ao Escalpelamento.

No “Projeto Pedagogia Hospitalar” e no “Programa Municipal de Educação Sanitária e Ambiental” eu pude fazer reflexões e críticas dentro do contexto pedagógico da Licenciatura. Assim, pude adquirir uma visão melhor dos conhecimentos teóricos historicamente construídos e as práticas profissionais do cotidiano do professor, em geral, e do Enfermeiro, em particular.
   
Em termos de aprendizado no entendimento das políticas públicas a participação no Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses foi o mais surpreendente. A princípio, não tinha idéia que iria aprender tanto. No acompanhamento do trabalho realizado pela VISA pude ver o avanço dos resultados por meio do planejamento integrado entre as diversas Prefeituras da região do arquipélago do Marajó. Muitos problemas que até pouco tempo pareciam impossíveis de serem solucionados foram paulatinamente vencidos por meio da união dos esforços através do Consórcio Municipal. Essa estratégia de fazer a gestão integrada das políticas públicas de saúde possibilitou um melhor aproveitamento dos poucos recursos humanos e materiais que os municípios dispõem. Esse tipo de vivência prática, na qual o estudante de Enfermagem pode acompanhar a construção de um novo modelo de gestão em saúde pública é realmente relevante para sua formação profissional, pois permite que o mesmo compreenda melhor como encontrar soluções para problemas complexos que envolvem múltiplas questões, como é o caso das endemias e zoonoses. Foi gratificante demais ver na prática como a realidade local pode mudar se os governantes e políticos quiserem. Quando um trabalho é realizado de forma séria e compromissada todo mundo sai ganhando. Essa experiência no Programa Municipal de Controle de Endemias e Zoonoses mostrou-me que é possível fazer a diferença nessa questão.

No Programa de Saúde da Família (PSF) tive um aprendizado rico e diversificado. Ao dedicar vários dias em acompanhamento aos “Agentes Comunitários” do PSF em visitas aos domicílios da zona rural vivi muitas experiências marcantes, que com certeza irei lembrar por toda minha vida. Nesse trabalho junto ao PSF, pude acompanhar um trabalho de parto, dando apoio a uma parteira tradicional. Quero destacar que o acompanhamento de um nascimento de uma belíssima criança, no apoio a essa parteira tradicional, foi realmente a mais emocionante experiência que tive ao longo de meu Estágio Supervisionado de Enfermagem. Tive também a oportunidade de conhecer de perto o trabalho da Pastoral da Criança, tão significativo para muitas comunidades ribeirinhas do interior da Ilha de Marajó. Além disso, pude colaborar com os trabalhos sociais desenvolvidos pelos membros da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), que periodicamente desenvolvem ações de apoio às famílias carentes, distribuindo bens (alimentos, calçados, roupas, remédios etc.) e na realização de palestras sobre comportamento e sexualidade, que incluem temas como planejamento familiar, aborto, DST/AIDS.

No Programa Municipal de Combate ao Escalpelamento pude ver como um problema tão triste afeta a vida de centenas de famílias em nossa região. Nos poucos dias que participei pude aprender o valor de um trabalho assim. Posso dizer que essa estratégia é um modelo a ser levado para outras regiões da Amazônia. Mas, também entendo que não é nada fácil solucionar um problema dessa natureza sem envolvimento de todos os seguimentos sociais, especialmente dos governantes, pois é um programa que exige gastos e não gera muitos votos. Mas, é preciso que todos apóiem esse trabalho, pois precisamos garantir que nossas mulheres marajoaras mantenham-se sempre belas, ostentado aquilo que tanto orgulha a alma feminina, uma belo conjunto de madeixas negras e sedosas !!!

Com relação à participação nos eventos de políticas públicas de saúde, tenho a dizer que foi uma experiência muito boa. Nos dias do Seminário Municipal de Políticas Antidrogas pude aprender muito. Sei que nos últimos vinte anos, o consumo de drogas, principalmente o de bebidas alcoólicas vem aumentando no Brasil. O mesmo tem acontecido com o uso de maconha, cocaína e crack. Hoje, até mesmo nas pequenas cidades do interior do arquipélago do Marajó as drogas já se tornaram realidade, e com elas chegaram também um número muito grande de problemas, principalmente violência, acidentes e AIDS. Ter participado desse evento foi importante para ampliar meu leque de conhecimentos e abriu-me os olhos para entender melhor essa questão. Antes eu tinha apenas uma visão parcial sobre esse tema tão complexo, mas, agora, após ouvir tantas palestras e debates aprofundados, pude enxergar melhor o quão necessário é o fortalecimento de uma rede de atenção às questões relativas ao uso de álcool e outras drogas. Felizmente tive o privilégio de participar desse evento, o que me faz sentir uma obrigação maior como profissional de saúde e cidadão marajoara para somar forças às demais iniciativas que estão em andamento em nosso município e Estado para auxiliar nas Políticas públicas de combate às drogas.

Na Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (CMSAN) aprendi muito, o que me faz querer participar de mais eventos nessa temática.

Em tudo isso, pude entender profundamente como o Enfermeiro deve ter conhecimento não somente das técnicas de Enfermagem, mas também sobre a fisiopatologia das doenças, sinais e sintomas e fatores socioeconômicos envolvidos no processo saúde-doença.


Como fechamento de todas as reflexões do aprendizado desse riquíssimo período de Estágio Supervisionado de Enfermagem no Hospital Geral do Marajó (HGM) registrei os problemas mais comuns nessa Unidade de Saúde, especificamente, e em nosso município, de modo geral, que precisavam ser sanados. Assim, em ordem prioritária, elencamos todos eles abaixo:

- Falta de compromisso político. O Hospital Geral do Marajó (HGM) tem recebido apoio menor do que merecido pela Secretaria Estadual de Saúde;

- Falta de articuladores e coordenadores na área de Comunicação e Marketing. Apesar do volume de trabalho desenvolvido e grande número de resultados, ainda não há nenhum trabalho forte na divulgação das ações do Hospital, o que inviabiliza a ampliação de parcerias e compromete o envolvimento da comunidade no processo de construção das políticas públicas de saúde;

- A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e as Enfermarias estão recorrentemente lotadas, o que inviabilizam o trabalho médico. Esse é um problema generalizado que precisa ser sanado brevemente para se pensar em melhorar os serviços de saúde;

- Alto Índice de Insatisfação por parte dos profissionais de Enfermagem, que apresentam como maiores queixas a sobrecarga de trabalho, o stress constante e a desmotivação com os salários;

- Profissionais desatualizados. Infelizmente essa é uma triste realidade que pode ser percebida facilmente no trabalho de observação do dia a dia da Unidade Hospitalar;

- Trabalho individualizado e isolado entre os diferentes departamentos e profissionais. Não existem muitas iniciativas no intuito de melhorar as relações interpessoais, especialmente entre diferentes categorias profissionais (Médicos, Enfermeiros e Servidores Administrativos);

- Número reduzido de médicos especialistas e outros profissionais (assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, técnicos em radiologia etc.). Esse é um problema que afeta a maioria das Unidades Hospitalares e leva sobrecarga para o sistema de saúde;

- Problemas na avaliação das ações e resultados. Avaliar sempre é difícil, mas é preciso repensar o modo como isso tem sido feito;


É certo que o Hospital Geral do Marajó (HGM) está tomando algumas medidas para sanar esses e outros problemas, o que de certo modo traz certa esperança, mas é preciso que haja mais investimentos para a melhoria da saúde local. Nisso, vale destacar o papel da Direção que está atuante no sentido de sensibilizar a Secretaria Estadual de Saúde para conseguir mais melhorias na infra-estrutura e na capacitação de seus profissionais, entre outras questões relevantes.

Um aspecto bastante positivo que foi observado se refere ao número de parcerias que o Hospital Geral do Marajó (HGM) possui com órgãos públicos e empresas privadas, como por exemplo: Capitania dos Portos, Universidades, Secretarias Municipais de Saúde, Igrejas, ONG’s etc. Assim, essas instituições são chamadas sempre para atenderem programações especificas e contribuem com conhecimentos e atividades de qualidade o que enriquece as atividades rotineiras da Unidade Hospitalar.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este Relatório de Estágio Supervisionado em Enfermagem apresenta uma síntese das atividades desenvolvidas que foram extremamente importantes para o aprimoramento dos conhecimentos adquiridos durante minha graduação na Universidade Estadual do Marajó (UEMA).

Através de diversas atividades supervisionadas por profissionais extremamente qualificados e empenhados na transmissão dos conhecimentos e orientação da prática de atendimento em Enfermagem pude aplicar os inúmeros conhecimentos adquiridos nas diversas disciplinas ao longo da graduação. Assim, pude aplicar e desenvolver todas as informações e experiências adquiridas de forma árdua, porém com extrema gratificação, pois hoje posso concluir que me considero apto e capaz de assumir a responsabilidade de estar na posição de Enfermeiro.

Após a realização do Estágio pude vislumbrar que essa etapa contribuiu de forma excepcional para a minha formação no curso de Licenciatura em Enfermagem. Nesse contexto, vejo que passei a compreender profundamente a grande responsabilidade que cabe ao Licenciado em Enfermagem. Entendo que o “Enfermeiro” deve ter uma formação geral para atender as necessidades da sociedade no atendimento básico em saúde e, ao mesmo tempo, estar preparado para ensinar como professor-orientador, ajudando a formar outros profissionais em cursos técnicos de saúde. Felizmente, posso dizer que minha formação me dá condições plenas para atuar no ensino de saúde, de modo a oferecer aos meus futuros alunos uma instrução que possibilite a formação holística e humanizada, quebrando a forma tradicional e fragmentada do processo de ensino-aprendizagem que separa teoria da prática e que perdurou durante muitas décadas nos cursos oferecidos em nosso país. O contacto diário com diversos doentes contribuiu não só para aprofundar os meus conhecimentos sobre a abordagem aos pacientes e suas patologias e adquirir conhecimentos técnicos próprios da Enfermagem, mas também para o meu desenvolvimento profissional e pessoal, principalmente no que se refere à possibilidade de explorar a relação Enfermeiro-doente.

Sou extremamente grato ao apoio que recebi de todos os profissionais do Hospital Geral do Marajó (HGM), que dispôs de todo material solicitado para atender ao meu trabalho como estagiário. Considero que todos os objetivos propostos foram atingidos com sucesso tendo em vista que todas as condições foram disponibilizadas, todas as atividades foram realizadas e não houve nenhuma falta grave. Alguns poucos problemas levantados durante a realização das atividades foram sanados satisfatoriamente.

Sei que ficar na posição de observador/ telespectador, só criticando a qualidade da saúde sem conhecer a realidade dos Hospitais, Policlínicas e Postos de Saúde é fácil. Mas, essa oportunidade que tive de vivenciar a prática numa instituição de saúde pública, colocando-me no lugar dos profissionais que lidam diariamente com essa dura realidade permitiu que eu identificasse as várias causas que contribuem para as deficiências e carências amplamente difundidas pela mídia em geral.

Podemos dizer que existem situações diferentes e muitos motivos para queremos mudanças no quadro dos serviços de saúde de nosso município, especificamente, e do Brasil, em geral, pois ficou evidente que enquanto não for dado o devido valor aos profissionais que atuam, principalmente, nos estabelecimentos públicos, não haverá como reverter o quadro alarmante de ineficiência que tem acompanhado a história triste da saúde pública em nosso país.

Além disso, percebi em alguns casos a falta de comprometimento de alguns profissionais para com o atendimento humanizado, o que nos deixa de certa forma tristes e até um pouco revoltados por entendermos que sem uma boa oferta de atendimento em saúde não existe desenvolvimento social ou econômico.

Observei em vários locais que o quantitativo de pessoal é deficiente e que a superlotação de pacientes acarreta sobrecarga de trabalho, o que gera stress e, conseqüentemente, interfere negativamente para que o Enfermeiro possa realizar um atendimento com tranqüilidade e equilíbrio emocional. Essa carência de recursos humanos impede que muitos profissionais sejam liberados para participar de cursos de atualização. Além disso, os baixos salários levam parte dos profissionais de saúde a ingressar numa dupla ou tripla jornada de trabalho, o que gera um grande desgaste físico e mental.

É certo que as condições de trabalho e os estímulos relacionados ao aprimoramento profissional também devem fazer parte da pauta de prioridades dos gestores públicos responsáveis pela saúde, em todos os níveis, municipal, estadual e federal, melhorando a qualidade do atendimento da população e proporcionando maior segurança aos trabalhadores de Enfermagem.

Pude perceber que já existem algumas iniciativas bem sucedidas com objetivo de melhorar os índices de saúde, contudo constatei também que ainda não há uma percepção clara por muitos profissionais (especialmente por alguns gestores públicos e políticos !!!) sobre o que se deve fazer para mudar esse cenário.

Sei que temos um longo caminho a percorrer se quisermos uma melhoria de nosso país, mas não só no sentido de crescer a economia, pois acredito que desenvolvimento vai bem além, devendo privilegiar o desenvolvimento integral do ser humano.

No mais, posso dizer que saber que existem em andamento várias ações com o propósito de melhorar a qualidade da saúde me permitem vislumbrar algumas esperanças que conseguiremos alcançar, num futuro não muito distante, uma situação desejada há muitas décadas.

Sei que não podemos nos abater frente às dificuldades. Vejo que ingressar no mercado de trabalho da saúde é um desafio enorme e, por isso mesmo, quero estar disposto para lutar diariamente, sem perder o foco para vencer os problemas

Pretendo me envolver com todo coração nessa vida de “Enfermeiro”, pois quero lutar de corpo, alma e espírito com compromisso sério para construir uma saúde de qualidade. Por isso, quero ser um profissional aplicado e dedicado que tem como meta a promoção de mudanças na saúde nacional, por que entendo que a oferta de atendimento humanizado é responsabilidade de todos que almejam uma vida mais digna os cidadãos de nosso país e do mundo.


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6. AGRADECIMENTOS

A realização deste trabalho só foi possível com o apoio recebido de diversos amigos e colegas, a quem sou profundamente grato.

Aproveito esse momento para dedicar a alguns profissionais que inspiraram a realização de mais esse trabalho, especialmente: (1) Coordenadora do Curso de Enfermagem da UNIRG, Giselle Pinheiro Lima Aires Gomes; (2) Professora Enfermeira Fabíola Gorete do SENAC; e (3) equipe de Enfermeiros da Escola Técnica Evangélica do Tocantins (ETET), da cidade de Gurupi (TO).

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Ilha de Marajó - PA, Junho de 2011.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 06/06/2011
Reeditado em 01/12/2011
Código do texto: T3018061
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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
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