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DEUS É SOL

Wagner Herbet Alves Costa (1968-2006)
Quinta 13 Outubro de 2005 às 00:04:40

Prezados leitores,

Teve um ‘testemunha de Jeová’ que quis situar o sinal da cruz como sendo algo meramente pagão, ao mesmo tempo que menciona a suposta ligação com o culto de deuses solares da Mitologia. Esta inferência não é nova para mim, pois no artigo em que refuto as asneiras sabatistas do sr Bacchiocchi, o mesmo vai, semelhantemente, por esse caminho das similaridades que haveria entre o Cristianismo Romano com o paganismo. [Mais isso só prova uma coisa: a tremenda ignorância dele e dos mais que o acompanham com idéias parecidas].

a) O Sr. Samuele Bacchiocchi, a respeito duma pintura de Cristo cerca de 240 d.C., fala o seguinte: “É um mosaico que retrata Cristo como deus Sol viajando na quadriga (carruagem romana) do sol. O alvorecer também se tornou a orientação para a oração e para as igrejas cristãs” (sic)”[http://minit03.bizland.com./58dKENNEDY.html].

E ele mesmo cita, ainda, a brilhante síntese de São Jerônimo sobre o dia de domingo: “Se é chamado de Sol pelos pagãos, nós muito alegremente o reconhecemos com tal; uma vez que foi nesse dia que a luz do mundo apareceu e nesse dia o Sol da justiça ressuscitou” (sic)”[http://minist03.bizland.com/58dKENNEDY.html].

Ora, que Jesus é o nosso sol: a Escritura não deixa dúvida! Porquanto, na Bíblia, o Messias é denominado de “sol de justiça” (Mal 3,20) e também de “sol nascente” (Is 60,3). Inclusive, o evangelho relata que na Transfiguração: “O seu rosto resplandeceu como o sol” (Mt 17,2). E, semelhantemente, São João descreve-o assim: “Sua face era como o sol” (Ap 1,6)... Portanto, ainda que a Igreja usasse tal titulação para o culto cristão, ela estaria em perfeitíssima consonância com a revelação bíblica.


Mas, para o maior esmagamento dos ensinamentos dos heréticos (da laia do sr Bacchiocchi), também está escrito: “Iahweh é sol”(Sl 88(83),12). Daí, Jesus (‘Iahweh Salva’) é sol. Nosso Sol!


Resumindo: a Bíblia deixa claro que Cristo não só quis, por antecipação, através de profecias, ser reconhecido como SOL; mas também, como vimos apresentou-se com feição solar (cf. Mt 17,6; Ap 1,6). Além, é claro, de fazer, pela providência divina, com que a sua ressurreição coincidisse com o dia em que muitos pagãos tinham com dia associado ao astro-rei. [Lembremos que as populações oriundas do paganismo, é que, maciçamente iria aceitar a Boa Nova, enquanto o povo judeu, em massa, iria rejeitá-la. Daí Jesus ter dito: “Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que produza seus frutos” (Mt 21,43). “Vos enciumarei de um povo que não é povo” (Rm 10,19).]


De fato, como o “sol nascente” (Is 60,3) viria a este mundo era, pois, por deveras, pedagógico que seu ressurgir, isto é, a sua ressurreição fosse assinalada similarmente pelo nascimento do sol físico: porquanto, quando o astro-rei surge no horizonte, parece levantar-se da terra; como Cristo que se levantou de sua sepultura. Não por menos, ainda, está escrito que Jesus ressuscitou “ao nascer do sol” (Mc 16,2), “ao raiar do primeiro dia” (Mt 28,1) – que é o ‘dia do sol’.


E assim, ao que tudo indica, também fazia parte da instrução divina que, quando nosso divino sol (Jesus) fosse crucificado, o sol natural ficasse obliterado (seu brilho não poderia ser visto); e é justamente o que aconteceu: “Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas em toda terra” (Mt 27,45). Sincronizando, desse modo, os eventos concernentes ao astro sideral, com os do “Astro das alturas” (Lc 1,78). [Com é didático nosso Deus, não é mesmo? Utiliza-se das realidades temporais para sinalizar as que são eternas.]


O erro dos pagãos, dentre outros, era contemplar tais criaturas (sol, lua e estrelas) como sendo elas próprios deuses criadores, ao invés de “ler” nelas os sinais do Criador delas. Pararam nas criaturas (mas não as considerando criaturas) e não perceberam o Criador por elas sinalizadas, nem os seus desígnios... A criação é um livro escrito por Deus, um alfarrábio de parábolas. Por isso, não se pode desprezá-la; mas, sim, ler o que nela está “escrito”. De fato, dum certo modo, Deus nos fala por meio de tudo que ele criou. Não nos deve estranhar ver Jesus ensinando a respeito de coisas como o Reino dos Céus comparando-o com uma semente que depois vira uma árvore onde os pássaros dos céus vão fazer pouso. [“Porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles... Sua realidade invisível – seu eterno poder e sua divindade – tornou-se inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas” (Rm 1,20).]


Peçamos a Deus, a iluminação devida para, mais e melhor, compreendermos o que ele nos deixou por escrito no grande livro da criação!


Não é à toa que o “sol nascente” (Is 60,3) nasceu daquela que, escrituristicamente, é também descrita como a “Mulher vestida com o sol” (Ap 12,1). Assim, a que é revestida com o astro-rei carregara, em seu ventre, e depois em seus braços, aquele que é o nosso “Rei” (Ap 19,16) e “Astro das alturas” (Lc 1,78)!


b) Ao citar aquela carruagem em que Cristo é representado seu reluzente condutor, o sr. Bacchiocchi logo fez uma comparação com o deus pagão Hélios ou equivalente. {Hélio tinha um carro solar puxado por “cavalos de fogo” [ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL, Editor Delta SA., RJ, 1982, Vol.6, p. 3178].}


É preciso lembrar ainda as pessoas que: a idéia de carruagem de fogo não pertence, exclusivamente, à cultura romana (ou gentílica). Na Bíblia, ela está presente: “Os carros de Deus são milhares de miríades” (sl 68(69),18). “Iahweh abriu os olhos do servo e ele viu a montanha cercada de cavalos e carros de fogo em torno de Eliseu” (2 Rs 2,17)... [Caiu por terra, a pretensão velhaca do Bacchiocchi.]... Continuemos: notemos, ainda, que um dos conhecidos episódios bíblicos, o arrebatamento do profeta Elias, é textualmente descrito que ele foi levado em “um carro de fogo com cavalos de fogo” (2 Rs 2,11).


Portanto, carros divinos (mesmo que puxados por cavalos de fogo) são BÍBLICOS. E, por conseguinte, representações artísticas, de tal envergadura, são bem fundamentadas na Escritura.


E mais! É CURRIOSÍSSIMO notar que, dentre os planos que Davi deixou para que seu filho Salomão construísse, havia um que dizia respeito à confecção de um carro de Deus: “Deu-lhe o modelo do carro divino” (1 Cron 28,18). [Obviamente, carro aqui não é automóvel, mas carruagem. O qual poderia, sim, ser a imagem de uma charrete puxada por cavalos de fogo. Ao contrário do que se costuma crer, que fosse o Mercabah (cf. Ez 1).]


c) Se pudesse dar um conselho a alguém, diria: Vá estudar, ó honorífico e laureado doutor Bacchiocchi! E deixe de nos apoquentar com textos risíveis com o que escreveu sobre a questão do domingo, ao menos no que tange ao seu herético intento... Todavia, reconheço que há alguns pontos valorosos no que escrevestes, como aquele em que o senhor escancaradamente confessa: “A Igreja de Roma era uma igreja predominantemente gentia que assumiu a liderança das comunidades cristãs após a destruição de Jerusalém” (sic)”[http://minist03.bizland.com/58dENNEDY.html]... MARAVILHA de confissão! Até esse inimigo da fé divina (a fé católica) reconhece que com a queda da capital israelita, no século I, a Igreja de Roma se projetara de forma proeminente com relação as demais.


E elogio, igualmente, a sua fidelidade em citar o episódio da questão da Páscoa: “Controvérsia da Páscoa, que se chamou Quatroceman, que finalmente levou o bispo Vitor, de Roma, a excomungar os cristãos asiáticos” (sic)”[http://minst03.bizland.com/58d. KENNEDY.html] Em que, de cara, tal fato, mostra-nos que o Bispo de Roma agia, já naquele primevos tempos (século II), como, verdadeiramente, chefe maior do Cristianismo (ainda que nem todos, por ventura, aceitassem isso).


Pena que nem todos seguissem as recomendações de um dos maiores apologetas do segundo século, Santo Irineu, bispo de Lião (França): “Porque é com essa Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda igreja, isto é, que devem sempre, em benefício dos que procedem de toda parte, se conservou a tradição que vem dos apóstolos” (Contra as Heresias)” [AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de, A Minha Igreja, Editora Cléofas, Lorena-SP, 1997, p. 103].


E ainda me vem um bando de heréticos escrever as mais estapafúrdias e infundadas afirmações de que o papado, bem como a supremacia da Igreja de Roma, surgiram somente depois de Constantino (século IV).


d) Os hereges não deixam de ser parciais! Daí eles, como já afirmei num artigo anterior (ou mesmo neste, no caso da simbologia solar), não perderam a mania de comparar com o paganismo as coisas são do Catolicismo. Não à toa, por isso, volto a questionar: Já pensou se nós fôssemos julgar os elementos da fé cristã, por se parecerem com o paganismo, o que sobraria da própria Bíblia? (Desculpem-me novamente ter colocado nestes termos!)


O pior, é que, às vezes, é preciso dar um remédio amargo... Veja o seguinte artigo publicado no jornal Folha de São Paulo (Discurso Editorial/USP: Especial da Sexta-feira, 3 de março de 1996) por Maria das Graças S. Nascimento (Prof a do dept. de Filosofia da USP) comentando a obra de Voltaire ‘Deus e os Homens’ (publ. Martins Fontes, 224 p.): “Esta análise mostra que a religião judaica não apenas se funda, como as outras antiguidades, em prodígios narrados de geração em geração, mas também que as crenças dos judeus eram “um amontoado confuso e contraditório de ritos de seus vizinhos. Eles tomam o nome de Deus emprestado dos fenícios, tomam os anjos dos persas. Têm a arca errante dos árabes, adotam batismo dos indianos, a circuncisão dos sacerdotes do Egito”(p. 62). Em princípio, portanto, não há razão maior para crer em seus relatos de que para crer nos relatos dos outros povos pagãos”.


É o mesmo Voltaire que, assustado, questionava como São Pedro podia ter “matado” um homem que havia feito uma ‘oferta’ (cf. VOLTAIRE, La Bíblia Aplicada, Antonio Rocha Editora, Espanha, Tomo II, p.222). Mencionava, ele, aquela passagem em que Pedro diz: “ “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração para mentires ao Espírito Santo... não foi a homem que mentiste, mas a Deus.” Ao ouvir estas palavras, Ananias expirou” (At 5,3-5). [São Pedro, aqui, deixa claríssimo que o Espírito Santo é uma pessoa, e pessoa divina!]


Talvez o caso mais conhecido das semelhanças com os mitos pagãos seja a do Dilúvio. “Deucalião era o “Noé” da mitologia grega. Quando Zeus resolveu valer-se dos dilúvios para destruir a humanidade, que deveria ser punida pela maldade... Prometeu avisou a Deucalião e a sua mulher. Disse-lhe que construíssem uma arca de madeira” [ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL, Editora Delta SA., RJ, 1982, Vol 5, p. 2534]... Outro elemento comum nos contos míticos é a presença de gigantes... A Bíblia cita a existência de gigantes? Golias, que Davi enfrentou, era o quê? Está também escrito: “Vimos gigantes (os filhos de Enac, descendência de gigantes). Tínhamos a impressão de sermos gafanhotos diante deles e assim também lhes parecíamos” (Nm 13,33).


[Obs.: o nome Zeus se parece com que palavra da língua portuguesa? Não se parece com o vocábulo Deus?]


Posso aumentar um pouco a dose do remédio?... Lá vai ele! Já viste algo parecido com o que segue (e que foi extraído do capítulo 154 do pagão Livro dos Mortos Egípcio): “Saúdo-te, meu Pai de Luz, que nos dizes que o corpo daquele que é Santo... Não verá a corrupção. Sou inteiramente como meu Pai. O Deus que se gerou a si mesmo”[CRUZ, Marques, Profecias de Nostradamus até outubro de 1999 (“Fim dos Tempos”), 32a edição, Editora Pensamento, SP, 1987, p. 53]... Talvez algumas passagens bíblicas ajudem nisso: “Eu te louvo, ó Pai” (Mt 11,25), “Pai das luzes” (Tg 1,17). “Nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,27). “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17,21): “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30).


Traz, ainda, a seguinte mensagem a “última parte do capítulo final do ‘Livro dos Mortos’: “Sem cessar, e sempre, é celebrado o Mistério do Túmulo Aberto, a RESSUREIÇÃO DE OSÍRIS-RÁ, a Luz Incriada”[CRUZ, José Marques da, Profecias de Nostradamus: até outubro de 1999 (“Fim dos Tempos”), Idem, pp. 53 e 56].


Espero que depois de uma dessas, os hereges deixem de infernizar os ouvidos dos cristãos e parem de repetir, feito gralhas malditas, velhos e carcomidos chavões: ‘Isso se parece com o paganismo, aquilo se assemelha com a religião dos incrédulos; logo, não pode ser cristão’... Vou fazer um último questionamento: E daí se se parece? (Por ventura, estamos mais preocupados com as aparências?) Afinal, que parte da Bíblia é afirmado que o Cristianismo não se parece com as religiões pagãs? Onde?


e) De fato, a comum explicação que vemos hoje em dia, a respeito do formato da cruz, é o que escreve o presbítero ortodoxo Aleksandr Mien: “Segundo a cruel praxe romana das execuções, os próprios condenados carregavam nos ombros o patibulum, o braço horizontal da cruz em que deveriam ser pregados” [MEIN, Aleksandr, Jesus Mestre Nazaré, 9a edição, Editora Cidade Nova, SP, 1999, p. 272]. Ou seja, levavam uma trave (ou ‘stauros’, em grego) aos ombros. Depois é que esta seria afixada a um poste ou viga vertical, que ficava no local da crucificação.


Tanto é assim que, todas as apresentações, sobre a temática ‘SUDÁRIO DE TURIM’, que eu já vi em TVs católicas (Rede Vida, Século XXI, Canção Nova), bem como a leitura que fiz sobre tal assunto, os estudiosos católicos, unissonamente, afirmaram que o modo de crucificação era justamente esse: levava-se uma haste de madeira sobre as escápulas que, posteriormente, era preso a uma coluna vertical. [Aí, sim, é que se formava a configuração possuidora de duas traves.]


Aleksandr Mein ainda precisa: “Provavelmente a cruz de Cristo era um crux commissa romana, isto é, a forma de letra T, como atestam muitas das fontes antigas (cf. p. ex. Pseudo-Barnabas, Epístola, IX; Tertuliano, Adversus Marcionem, III, 22). A tabuleta acima da cabeça era fixada na cruz por meio de uma base; por isso, graças a essa tabuleta, a cruz assumia a forma mais conhecida de + (cf. Irineu, Contra os heréticos, II, 24)” [MEIN, Aleksandr, Jesus Mestre de Nazaré, 9a edição, Editora Cidade Nova, SP, 1999, p. 274, nota 5].


Em suma: “Jesus foi seguidamente obrigado a carregar a pesada travessa da cruz (que poderia pesar em torno de 60 kg)... No Gólgota, a barra foi fixada ao poste vertical, formando a cruz” [READER’S DIGEST, Depois de Jesus: o triunfo do cristianismo, 1a edição, Reader’s Digest do Brasi Ltda, RJ, 1999, p. 21].


f) Percebemos, portanto, como cita Mein, que cristãos do segundo e da primeira metade do terceiro séculos, como Irieneu e Tertuliano, confessam a Cruz do Calvário como sendo composta por duas traves. Permitam-me, ainda, acrescentar o testemunho de S. Justino Mártir (escrito pelo ano 150 d.C.): “Com efeito, uma haste da cruz se ergue verticalmente e dela surge a parte superior, quando se ajustou a haste transversal”[PATRÍSTICA, JUSTINO DE ROMA, Editora Paulus, SP, 1995, p. 252, n. 91]. Ele também, numa coisa (ao menos), não deixa dúvida: a Cruz que foi erguida no Gólgota era composto de duas peças!


O mesmo Justino, inclusive, compara a Vitória de Cristo, na Cruz, estando este crucificado de braços abertos, com a que o Povo Hebreu obteve sobre o inimigo Amalec: “Moisés orava a Deus com as mãos estendidas... enquanto permanecia nessa forma, Amalec era derrotado. E se o povo tinha forças, era por causa da cruz que as tinha... ele formava o sinal da cruz”[PATRÍSTICA, JUSTINO DE ROMA, 9a edição, Editora Paulus, SP, 1999, p.250, n. 90]. (Falava sobre a passagem de Ex 17,11-12.)


A ‘cruz’ teria um significado de eternidade entre os antigos egípcios! Ora, tal simbologia, no meu simplório entender, é perfeitamente aplicável à Cruz; por causa do Sacrifício do Senhor. Pela sua morte na cruz, o Altíssimo alcançou-nos a vida eterna. Por isso: “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6,14). Ela se torna, por comparação e associação, como a ‘Escada de Jacó’ – que unia o céu a terra. Como dizem: ‘Pela Cruz é que se chega a Luz!’ É verdade, porém: “Há muitos dos quais muitas vezes vos disse e repito, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18). Não por menos: “A linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mais para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1 Cor 1,18).


O sinal da Cruz simboliza toda esse grandioso evento salvífico de nosso Deus que, por amor, encarnou-se, numa pessoa de nossa natureza humana (Maria), para que nós pudéssemos nos tornar participante de sua natureza, ou seja, “participantes da natureza divina” (2 Ped 1,4).


Ora, as imagens são também uma linguagem (seja uma “linguagem” pictórica, seja uma “linguagem” escultórica, etc). Se alguém vê, por exemplo, um cartaz no hospital, onde um indivíduo está com o dedo na frente da boca, isto estaria a lhe comunicar a seguinte mensagem: ‘Faça silêncio!’... Uma caveira com ossos cruzados, numa embalagem, está a nos informar que é um produto dentro dela é perigoso. Aliás, as imagens, e coisas afins (como os sinais gesticulados), são uma linguagem mais universal do que a própria escrita: haja vista, também os analfabetos delas podem participar.


Há, ainda, quem vislumbrasse na própria composição da cruz uma seguinte realidade: a trave vertical representaria ligação, operada por Cristo em sua morte redentora, do céu a terra: “Reconciliar por ele e para ele todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo sangue da sua cruz” (Col 1,20). E, a horizontal, que a Boa Nova deveria atingir todo horizonte do mundo, isto é, a universalidade (ou “catolicidade”) dos povos: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos” (Mt 28,19); levando a palavra de Deus à “terra inteira” (Rm 10,18).


Seja como for, nós, que utilizamos a Bíblia Perfeita (e que contém todos os livros inspirados), poderemos repetir, venerativamente, a frase que se apresenta no deuterocanônico livro da Sabedoria: “Bendito o lenho pelo qual vem a justiça”(Sb 14,7)!


g) Embora pareça óbvio que, com associação do Estado Romano à Religião Cristã, houvesse um aumento da difusão do símbolo da cruz, não quer dizer que a mesma não houvesse – ainda que em menor escalar – sido utilizado anteriormente no universo cristão; ao menos sob a forma da persignação (o sinal-da-cruz feita na fronte, nos olhos, na boca) A Enciclopédia Delta Universal traz a seguinte declaração: “O uso da cruz como símbolo da fé remonta a pelo menos o primeiro século depois de Cristo. Tertuliano, antigo escritor cristão, disse que os cristãos de sua época usavam-na diariamente” [ENCICLÓPEDIA DELTA UNIVERSAL, Editora Delta SA, RJ, 1982, vol 5, p. 2410].


De todo jeito, fica patente que a afirmativa de que os cristãos primitivos não retratariam (de forma alguma) um instrumento de tortura ou de morte usado contra Cristo não tem qualquer sustentação histórica; pois só o fato da persignação (traçar gesticulando o sinal-da-cruz com os dedos das mãos) já é uma forma de representação. [E que, principalmente, é totalmente furada e descabida a assertiva de que foi Constantino quem introduziu a cruz como símbolo cristão.] Ainda acrescento, a esse meu argumento, a imagem que foi descoberta em uma das Catacumbas dos primeiros séculos de Cristianismo e que representa uma coroa de espinhos (um dos instrumentos de tortura impingidos a Jesus): “Foi feito um capacete de espinhos do Sudário, igual ao que está representado na pintura das Catacumbas de Pretestato (datada, mais ou menos, do ano 150 depois de Cristo)” [SCANNERINI, Silvano, Mirra, alóes, polens e outras pistas (pesquisa botânica sobre o Sudário), Edições Loyola, SP, 1999, p. 29].


Além do mais, mesmo que se acreditasse numa má-intenção de Constantino em querer atrair a aprovação e/ou apoio dos cristãos, ao adotar um sinal cruciforme em sua flâmula; isso só provaria justamente que, para agradar os cristãos, ele utilizou-se dum signo que era tido pelos seguidores de Cristo com retumbante estima. Seria como se ele tivesse raciocinando algo assim: ‘Para cativar o apoio dos cristãos devo mostrar apreço por alguma coisa que eles têm em grande consideração; mas o quê? Já sei: o sinal da Cruz!’


P.S.: Tudo que escrevi está, e sempre estará, sujeita a um maior e melhor juízo, que é o da Santa Madre Igreja. A qual pode corrigir, refutar, completar e tudo o mais que for necessário para manter a integridade do Depósito da Fé.


[Adendo 1: Pesquisas arqueológicas parecem apontar para o uso da cruz no Cristianismo já no século I, conforme alguns querem enxergar na descoberta de um artefato em forma de cruz que foi descoberto nas escavações da cidade de Herculano, soterrada pelas cinzas do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C: “Foram efetuadas escavações em Herculano, que levaram a descobrir a marca de uma cruz sobre uma parede na parte reservada aos escravos de uma casa nobre. Em torno da cruz ainda se viam os pregos que sustentavam a portinhola ou a cortina que escondia o símbolo cristão. Chamando a atenção o feito de que a Cruz se encontrava num alojamento de escravos, oculta por medo de perseguições ou por temor de zombaria. Sabe-se que o escândalo ou a loucura da cruz era contestado pelos intelectuais do Império Romano, de modo que eram escarnecidos os homens mais simples que davam crédito”[http:// [link]


[Adendo 2: No livro ‘Depois de Jesus: o Triunfo do Cristianismo’, na página 204, tem uma pintura catacumbial do 3o século em que, rodeando Jesus Cristo, estão representados vários cestos cheios de pães. E, sobre cada um destes pães, se vê claramente uma cruz gravada... {Ainda que fosse o hábito, comum naquele tempo, de assar os pães, dessa forma, traçando cruzes sobre a massa que iria ao fogo; mesmo assim, não teria o artista cristão usado essa “coincidência” para acentuar o significado do mistério eucarístico do sacrifício redentor de Cristo? O qual, indiscutivelmente, é associada, em toda primitiva iconografia, à multiplicação dos pães!}.]


[Adendo 3: Havia, ainda, a possibilidade, como quer enxergar alguns, que o condenado carregasse uma viga até o lugar em que seria crucificado e depois era afixado a esta, e esta, por sua vez, ao tronco de uma árvore. Bem, sendo isso possível; também é preciso lembrar que, a trave transversal poderia ser fixado ao caule de uma árvore envelhecida, que não tinha mais galho algum. (E mesmo que fosse uma árvore nova, poder-se-ia tê-la podada para ficar somente o tronco, até para dar mais visibilidade ao que estava sendo crucificado – já que a copa atrapalharia.) E, desse modo, igualmente se formaria o sinal da cruz; pois, ao tronco vertical, juntar-se-ia a trave horizontalmente posta. Portanto, uma cruz do mesmo jeito!]

Bibliografia


-AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de, A Minha Igreja, Editora Cléofas, Lorena-SP, 1997.

-BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.

-CRUZ, José Marques da, Profecias de Nostradamus: até outubro de 1999 (“Fim dos Tempos”), 32a edição, Editora Pensamento, SP, 1987.

-ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL, Editora Delta SA., RJ, 1982, Vol. 5.

-ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL, Editora Delta SA., RJ, 1982, Vol. 6.

-FOLHA DE SÃO PAULO, Especial de Sexta-feira, 3 de março de 1996.

-http://minst03.bizland.com/58d.KENNEDY.html.

-http://www.veritatis.com.br/artigo.asp?pubid=2966.

-PATRÍSTICA, JUSTINO DE ROMA, Editora Paulus, SP, 1995.

-READER’S DIGEST, Depois de Jesus: o triunfo do cristianismo, 1a edição, Reader’s Digest do Brasil Ltda, RJ, 1999.

-SCANNERINI, Silvano, Mirra, aloés, polens e outras pistas (pesquisa botânica sobre o Sudário), Edições Loyola, SP, 1999.

-VOLTAIRE, La Bíblia Aplicada, Antonio Rocha Editora, Espanha, Tomo II.



Fiquem com Deus!
Wagner Herbet Alves Costa
Enviado por Wagner Herbet Alves Costa em 01/12/2006
Código do texto: T306337

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Wagner Herbet Alves Costa
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