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CARPE DIEM! Aproveite 2007!

CARPE DIEM!



O ano está acabando. Recebemos dos amigos e familiares mensagens desejando que aproveitemos bem o próximo ano. Mesmo quem não está com espírito natalino nem a fim das tradicionais confraternizações, sempre pensa se aproveitou bem o ano e faz planos para os próximos 365 dias.

Sabemos que o tempo é finito e a vida é breve. Mas nem sempre sabemos aproveitar bem os nossos dias.

Há uma expressão latina nas odes do poeta Horácio que diz “Carpe Diem ”. Rubem Alves escreveu:
"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.

Podemos concordar com ele, pois o passado já foi e não sabemos como será o futuro. O presente é o tempo certo e inédito para viver.

Em todos os períodos da literatura universal, muitos escritores fizeram referência ao “Carpe Diem ”. Na Literatura Brasileira, essa idéia esteve muito presente durante os períodos do Barroco e Arcadismo.

O homem barroco, diante da efemeridade da vida, sente o desejo de aproveitá-la, mas teme pela salvação espiritual, resultando no sentimento contraditório característico desse estilo de época. Gregório de Matos escreveu em um soneto:
"Goza, goza da flor da mocidade. / Que o tempo trata a toda ligeireza / E imprime em toda a flor sua pisada."

No Arcadismo, a mesma sensação de fugacidade do tempo e o carpe diem horaciano nas liras de Tomás Antônio Gonzaga:
“Sobre as nossas cabeças,/ Sem que o possam deter, o tempo corre; / E para nós o tempo, que se passa, / Também, Marília, morre.”

Walt Whitman escreveu um poema que começa assim :
"Carpe Diem, aproveite o dia. / Não deixes que termine sem que tenhas crescido um pouco, / sem que tenhas sido um pouco mais feliz, / sem que tenhas alimentado teus sonhos."

Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, escreveu:
“Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio”.

Mais recentemente o tema fez parte do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, de 1989. Imperdível para os estudantes de Letras, profissionais da Educação e todos os que acreditam na transformação dos valores que escravizam.

Na época em que assisti ao filme eu tinha 17 anos, estava saindo do Curso de Formação de Professores, com sonhos de uma turma perfeita. Eu queria ser como o Professor Keating, que mandava rasgar os manuais e incentivava todos a seguirem seus sonhos. Minhas dúvidas sobre fazer Filosofia ou História se dissiparam, eu faria Letras e seria professora de Literatura.

O que caiu no vestibular de 1990? Carpe Diem! Um texto de Tomás Antônio Gonzaga fazendo relação ao tema do filme. Ponto pra mim.

E o tema do tempo que corre está em meus versos sempre:

“...Os dias se movimentam
em procissão contínua
águas de Heráclito
nos diferentes rios
relógios nas longas noites
siderais...”

“...As esperas parecem incontáveis
nas horas que escorrem.
São Relógios de Dali
que escapam entre os dedos...”

“...Perco-me nas horas do relógio
sem memória,
mas não ignoro o insistente
carpe diem
dos ponteiros...”

“...Cronos, meu Senhor,
não meça meus passos
tão rápido!
Deixa que eu ouça a voz
de Dirceu
despertando Marília.”

Segundo a mitologia grega, Cronos, diante da ameaça de ser destronado por um dos seus filhos, come-os assim que nascem. Tudo que nasce do Tempo é devorado por ele mesmo. Um belo símbolo. Cronos é o tempo medido pelo relógio, o tempo linear que dita o ritmo das nossas vidas. Mas existe Kairos, o tempo que é vivido, o tempo qualitativo.

No sentido mais profundo, a expressão Carpe Diem não quer dizer para só para aproveitar os instantes como se fossem os últimos e fazer coisas inconseqüentes, mas aprender a sincronizar Cronos e Kairos.

Uma das melhores mensagens que recebi esse ano sobre o tema, atribuída a Chico Xavier, foi:
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

"Tempus fugit", o tempo foge, não esqueça de aproveitá-lo. "Carpe diem"!
Solange Firmino
Enviado por Solange Firmino em 02/12/2006
Código do texto: T307635
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Sobre a autora
Solange Firmino
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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