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RESENHA DO LIVRO “A ALEGRIA DE ENSINAR” DE RUBEM ALVES.

                  Esta obra, segundo o autor nos mostra que é o professor que deve em primeiro lugar levar a alegria ao aluno, mesmo que diante dos mais variados tipos de problemas, devendo enfrentá-los de forma encorajada e ensinar de forma sempre alegre e divertida usando do lúdico a todo instante, mostrando o quanto é prazeroso aprender e descobrir o novo em uma sala de aula que seja acolhedora e colorida como um imenso jardim, dando-lhes segurança para que possam melhor desenvolver o aprendizado.
           Se a educação que recebemos na escola é para tirarmos boas notas, passarmos de ano e assim conseguirmos um bom emprego esta é a cultura do status social, que estamos acostumados e não a do conhecimento ampliado. O foco de aprendizagem é limitado a repetir o que se é ensinado, sendo o correto que o aluno fosse instigado e lançado para o conhecimento com segurança e amparado, trazendo de certa forma bons resultados. É dever de professor tentar entender as diferentes situações e conduzir o aluno, despertando o interesse e a curiosidade para que se descubra algo novo, pois as coisas não devem sempre ser levadas tão a serio ou de forma autoritária, é preciso que se brinque de forma ordeira depende dele a construção e a continuação dos sonhos destes alunos.
           Ensinar, mas ensinar com alegria, Rubem Alves mostra em sua obra que a alegria esta acima do ensinar e o lúdico é o principal caminho do conhecimento e não nos deixa esquecer o que somos. Fica assim claro que a função do ensinar é um exercício imortal. É através do conhecimento que se vive eternamente o pensamento nunca acaba e não morre jamais estando sempre presente no pensamento daqueles que um dia foi ensinado por nós, e assim seremos eternos, seremos para sempre lembrados por aqueles que um dia ensinamos com alegria.

           O professor que se deixa levar pelos sonhos dos alunos faz com que estes sejam levados a um aprender democrático onde todo tem o direito de sonhar e serem conduzidos com alegria às mudanças e ao despertar as curiosidades em descobrir coisas novas. Rubem Alves diz ainda que é preciso brincar mais deixando de lado o autoritarismo, permitindo que através dos sonhos haja a verdadeira construção do saber. Hoje nas escolas não se partilha os sonhos dos alunos, quando um deles esta com dificuldade dizem que o aluno é indisciplinado, esquecendo-se que todos já fomos crianças e que elas vivem de sonhos, e que às vezes são capazes de fazer algo tão maravilhoso dignas de elogio, mas querem impor na forma de aprender onde a alegria em aprender e o sonho não esta presente. Esta escola não é um lugar de alegria ou sonhos parece um lugar onde tudo isto é deixado de lado e deve ser esquecido para que outros conhecimentos sejam adquiridos. Quando o aluno chega à escola o medo entra em sua mente o professor entra em sua vida com suas perfeições quase perfeitas arranca-lhe do mundo do sonho e tira-lhe seus conhecimentos já adquiridos, levando ele a uma nova experiência onde é dominado e obrigado a aprender como lhe é ensinado, não cabendo qualquer tipo de alegria em aprender e seus sonhos as tratados de forma desconsiderada.
 O ensinar deve ser mudado para o lúdico e o aluno respeitado e tratado como ser capaz que é, pois seus conhecimentos e seus pensamentos vão alem da imaginação, onde o sofrimento não existe e lúdico é sempre o centro de suas atenções.
 Ensinar sem alegria é torturar a quem vem com alegria para a escola, cheio de sonhos achando que tudo é brincadeira. Vem pronto para aprender, mas não é isto que vai fazer. Simplesmente vem para que sejam tirados seus conhecimentos, pensamentos e sonhos. O autor traz em sua obra a velha e já conhecida estória “O sapo”, que pode ser representado pelo aluno que acaba de chegar à escola em forma de príncipe que tudo sabe e muitos sonhos tem pela frente  em seu reino da fantasia onde tudo acontece a qualquer momento e num passe de mágica passa por uma transformação e todo seu saber já não lhe serve e tem de aprender tudo de novo de forma dura e rude mas afinal consegue superar os obstáculos ate se tornar o melhor, até o dia em que descobre que para aprender teve de esquecer muito do que já sabia e deixar para traz a melhor parte de sua vida deixando de ser criança que sonha e brinca. Agora na escola é o melhor, mas às vezes lembra do passado e nos sonhos que acreditava e continua preso a eles e se pergunta após alguns anos para que tanto aprender se a melhor parte de sua vida foi quando criança e sonhador dos seus próprios sonhos.
  Há necessidade de se achar um novo modo de ensinar onde não se tire o direito da criança de escolher como e de que forma quer aprender, pois é ela o centro da educação ou ao menos devia ser.
 Devemos concordar que a escola é uma maquina de ensinar e de fazer alunos padronizados onde todos devem aprender e pensar e agirem do mesmo jeito essa maquina de educar que parece ser tão inteligente parece não ter cérebro, pois não pensa nas crianças que entram todos os anos pela porta da frente da escola cheias de entusiasmo e com o passar dos anos, são cobradas a tirar boas notas para passarem de ano e assim por diante ate chegarem a faculdade depois ao primeiro emprego, e ao final de suas vidas sempre fará a mesma pergunta, para que e porque aprender tanta coisa se somos seres humanos cheio de sonhos e alegria em viver e de que adianta tanto aprender e tirar boas notas se não conseguimos esquecer o passado e é este que nos faz feliz. Cabe a escola ser o suporte e não uma maquina de ensinar, incapaz de pensar que já fomos crianças e temos em nossas mentes e no subconsciente, todos estes mesmos gostos pela aventura. A educação deve ser continuada aos recém chegados.
 As crianças às vezes são tratadas como animais que vão para o abate e serão transformadas em novos produtos de acordo com a necessidade do mercado, onde as brincadeiras não são vistas com bons olhos, quem sonha é visto com inútil, pois sonho não é a realidade e nem faz alguém juntar riquezas, não sabem os que pensam assim que sonhar faz o ser viver de modo a trazer para dentro de si todo o universo. De acordo com o autor a melhor maneira de sonhar para quem não é mais criança é poder contemplar uma, pois ela pode nos fazer lembrar como é viver de sonhos e alegrias. Os sonhos são tirados da vida e deixados de lado para se sonhar outras coisas que só interessam aos adultos e quando há grande preocupação principalmente na criação dos filhos, e mais tarde quando se é avô é já tiver contemplado estes sonhos é que se da conta e volta ao passado para pensar em seus sonhos de criança a procura da felicidade perdida, pois já não é mais criança. Culpa-se a escola por esta infelicidade, e cabe a ela transformar o ensino em algo em forma de sonho que possa ser assimilado ao lúdico para que estas crianças não precisem sair do seu mundo para que o seu saber seja compreendido e sejam transformadas pelo saber.
Parece que hoje as escolas recebem príncipes e num passe de mágica as fazem virar sapos enquanto que o correto seria que lagartas, chegassem em casulos e borboletas pudessem sair a contemplar um belo jardim cheio de flores com seus belos vôos e pode ser feito pois crianças são seres inacabados que precisam de alguém que possa guia-las ao caminho do saber sendo este um saber da metamorfose, onde seus sonhos sempre serão seus sonhos e seus pensamentos e conhecimentos não serão esquecidos e com eles possam voar através do lúdico onde só o impossível acontece e vira realidade, assim como nosso querido Leonardo da Vinci, descrito pelo autor que deixou sonhos e estes não foram esquecidos e se fizeram realidade através de outra pessoas que vieram depois. O sonho é a essência da vida e do conhecimento presente em toda a extensão de nossas vidas.

           Nós os educadores não partilhamos as alegrias da profissão, quase nunca se vê um educador elogiando um aluno dizendo que este tenha feito um bom trabalho ou que tenha feito um texto perfeito, é preciso descobrir e encontrar um sentido para ser educar, dividir com os alunos as suas alegrias e seus sonhos, mostrar emoção na leitura de um poema, mostrar a gramática e a matemática como uma beleza que encanta uma paisagem, um ritmo ou uma melodia e sermos mais felizes e um pouco mais humanos. Na verdade não estamos aqui para cuidar nem de borboletas e nem de príncipes, mas de crianças que querem continuar crianças e não devemos tirar isto delas.

REFERÊNCIAS:
ALVES, Rubem. A alegria de ensinar. 3ª edição, ARS Poética Editora ltda,1994.
STEINLE, Marlizete Cristina Bonafini. et. al. Instrumentação do trabalho pedagógico nos anos iniciais do ensino fundamental. In UNIVERSIDADE DO NORTE DO PARANÁ: Pedagogia: Módulo V. Londrina: UNOPAR, 2008.

MACIEJEWSKI JAIME VITAL
Enviado por MACIEJEWSKI JAIME VITAL em 25/08/2011
Reeditado em 29/09/2011
Código do texto: T3181239
Classificação de conteúdo: seguro

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