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Fofoca & Intriga:assunto muito sério!

                 

                                                                                                                O poeta Diógenes Pereira propõe-nos um tema para que façamos trovas:fofoca.De imediato, faço uma.Esse meu amigo virtual,de quem já interpretei e  analisei versos de um ou outro gênero, tem ele um interessante hábito:explicar sua inspiração, sua temática,algo que também sempre gostei de fazer....Conto-lhe que em meus tempos de faculdade, quando fazia  Psicologia no CES de Juiz de Fora, MG(Br), o Padre Dalton, meu professor de Psicologia Social discutiu amplamente o assunto conosco, um semestre inteiro, a partir do livro “Tratado Geral da Fofoca,”(*) de Ângelo Gaiarsa.Dalton andara exilado, nos tempos da Ditadura Militar.Adorávamos suas aulas.Não raro, alguém de período acima do nosso, abria a porta da sala de aulas e sentava-se no chão para ouvi-lo.Mal piscávamosO livro possui ilustrações de artistas plásticos famosos, talvez donde venha-me hoje ainda, mais de vinte e cinco anos depois,o hábito  dar aulas ilustrando-as com artes.
                    Ficou-me um decreto muito arraigado daquele aprendizado: a pior dentre as piores fofocas, é a fofoca íntima.Permitir que tabus e preconceitos, vetos familiares e autocensuras instigantes sejam determinantes de nossos atos, muitas vezes,frustando-nos a liberdade de ser nós mesmos e não um mero retrato, um reflexo de outrem...Esquecer se seguir o impulso para a autenticidade, deixar do gozo autêntico, para subtrair-se de si mesmo.Isso não fica bem.Aquilo é impossível.O que dirão de mim?Fofocar consigo mesmo é algo terrível...Além de tomar tempo,trava, amordaça, venda,algema.E somos prisioneiros da verdade alheia, a que nos impuseram desde nossa infância...
                     Há também que considerarmos a diferença entre aparentes similariedades:fofoca & intriga.A fofoca é nossa bagagem e podemos nos desembaraçarmos dela se fizermos um esforço real para sermos nós mesmo.Que nos importaráfalar mal de quem obteve sua rosa azul se plantamos a vermelhaOo carro novo do colega, se o nosso ainda é bem conservado e útil?Que nos importa o quea pessoa fez para comprá-lo?E de onde veio-lhe o dinheiro?Importa tudo a respeito de nós mesmos.A fofoca parece-me uma descarga de inveja,à qual não posso dar vazão claramente.Então ouso fofocar sobre o que me incomoda.Já a intriga, essa é totalmente consciente.Vejam.
                     Não posso ter liberdade, então crio mecanismos para coibir quem a possui, por meio de artimanhas.Falo mal de alguém a quem desejo mas não posso ter.Prejudico, deliberadamente, uma carreira.Podo uma alegria.Piso em canteiros, digo que foi beltrano.Abro o portão para que fuja o cão com pedigree que eu não consigo comprar e lanço a culpa em quem passou:aquele que me incomoda com sua felicidade, modus vivendi, inteligência, beleza, notoriedade...
                       Coloquei o parágrafo acima na primeira pessoa, para que ao lê-lo, possa o leitor arrepiar-se.Simbolicamente, representa vários atos de intriga.Há pessoas quais  aranhas perversas, a tecer caminhos intermináveis de pequenas maldades.Acham-se normais.Intrigar, porém, é seu hobby.
                       Somente estão satisfeitos a cada tijolinhpo arrancado no muro de alguém...E assim como ales, há os que se alimentam, quais plantas carnívoras, de qualquer boato que passe por perto.Adoram fofocas, intrigas, boataria...
                       Carta vez, uma senhora confidenciou-me que afinal, não fazia mal, por isso,gostava de fofoca.Fofoca parece uma palavra inocente, quase lúdica.Por isso, persistia nas brincadeirinhas.seus olhos se incendiavam ao ouvir um fofoqueiro, um intrigante.E lá saía, a espalhar as histórias.Adorava que as espalhasse “em primeira mão”.Às vezes, todos já sabiam, por alto, de algo.Mas ela queria confirmar.A dona da verdade.
                        Quando estudei em colégio de freiras, ouvi por lá, certa feita, aquela história da mulher que foi se confessar e narrou suas fofoquinhasleves  ao pároco.Este deu-lhe como penitência, ir ao alto de um morro que havia na cidade,e espalhar as penas de um travesseiro.Depois, descesse,catando uma a uma.”Mas como vou poder catar, padre?O vento as terá levado, cada vez mais longe.””pois assim são suas leves fofoquinhas, senhora:como poderá recolhê-las, depois que se espalham?...Já ouvi muitas versões dessa historieta, mas a que guardei é essa, decodificada pelo meu self.Por isso, não gosto de fofocas.nem de fofoqueiros    ...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
21/05/2005
Belo Horizonte, MinasGerais,Brasil                   (*)Summus Editorial
clevane pessoa de araújo lopes
Enviado por clevane pessoa de araújo lopes em 27/07/2005
Código do texto: T38008

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Sobre a autora
clevane pessoa de araújo lopes
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 69 anos
555 textos (176706 leituras)
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clevane pessoa de araújo lopes