PREFEITO AFASTADO

A hospitaleira cidade de Presidente Prudente viveu tempo atribulado na política, nos últimos dias. O prefeito Agripino de Oliveira Lima Filho, 75 anos, foi afastado do cargo por ter, em ação judicial proposta pelo Ministério Público, sido acusado de falta de probidade administrativa e em final decisão condenado com a suspensão dos seus direitos políticos por cinco anos mais a restituição aos cofres municipais o valor, atualizado, superior a R$700.000,00, em processo findo no qual não cabe conhecimento de qualquer outro recurso.

O cargo, declarado vago pela mesa diretora da Câmara Municipal por força da Lei Orgânica do Município, foi ocupado pelo vice-prefeito, antecedido da resistência de Agripino Lima em deixá-lo e amparado por seus admiradores com manifestações populares, protesto público, passeata no centro comercial, enterro simbólico de vereadores, bloqueio de avenida e tudo o mais permitido pela democracia.

Nascido pobre na cidade de Lençóis Paulista, “saí da enxada, fui carroceiro, caminhoneiro, vendedor ambulante” conforme gosta de declarar, Agripino Lima, um obscuro professor iniciante em Presidente Prudente, acumulou assombrosa fortuna vinda de suas atividades no campo da educação, tendo construído um império hoje combinado de escola, universidade (que compõe inúmeras faculdades e cerca de 15 mil alunos), grande e bem equipado hospital (HU) e jornal regional diário, entre outras posses. Simultaneamente, caminhou ativamente pela política, sendo eleito vereador por duas vezes, deputado estadual, deputado federal e prefeito da cidade por três mandatos.

Agripino Lima é bastante conhecido por estas plagas, onde investiu grande parte de sua riqueza na região norte do Mato Grosso do Sul, adquirindo terras em Pedro Gomes, formando a majestosa Fazenda Torrão de Ouro onde se destaca a sua sede cinematográfica e também a bem localizada Fazenda Santa Ana, todas destinadas à criação de gado de corte e bois PO, de pura raça. Em Coxim edificou o hotel Santa Ana, um dos melhores da cidade.

O motivo de seu afastamento do cargo de prefeito não foi um ato pessoalmente desmoralizador para a longa carreira política e profissional de Agripino, pois em nenhum momento, no curso de todo o processo judicial, jamais foi acusado de vantagens particulares ou indevidas, na importação realizada pela Prefeitura, durante sua gestão, de um equipamento destinado ao planetário existente na Cidade da Criança, instrumento de cultura para o povo.

Apesar, então, de não ter obtido ganho ilícito, muito menos ter sido desonesto neste caso em tela, o que, realmente, acontece na conduta de alguém quando investido no cargo de administrador público, tanto no âmbito do poder municipal como estadual ou federal, para fatos semelhantes ocorrerem com tanta freqüência?

Duas são as razões principais, a meu ver: primeiro, o prefeito, como tantos outros por este Brasil afora, sustenta uma assessoria jurídica anêmica, fraca, na maioria das vezes substituindo o conhecimento, a capacidade e a competência pelo atendimento de compromissos de campanha, apadrinhamento político ou indicações partidárias. Segundo, pela sensação demasiada do poder, efeito que, inevitavelmente, lhe sobe à cabeça, passando a baralhar o patrimônio público com o particular, agindo como se fosse o dono dos bens sob sua direção, determinando a prioridade de contratações, aquisições e despesas, cercando-se no relacionamento com quem lhe for mais conveniente. Tudo isso, sempre, sem qualquer oposição às suas deliberações. Vive os dias ostentando o seu autoritarismo, pois habituou-se a estar cercado de grande número de displicentes servidores estáveis ou outros subservientes e acovardados pela condição de contratados. Daí para aquele momento de fraqueza com tomada de decisões de procedimentos arbitrários, é apenas questão de oportunidade e tempo.

É verdade que temos exemplos, e muito próximo de nós, de exceções de comportamentos na forma acima relatada, mas desses, lamentavelmente tenho ouvido línguas maldosas dizerem que “é um indolente!”.

FLAVIO DIAS SEMIM
Enviado por FLAVIO DIAS SEMIM em 30/04/2007
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