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O árbitro “fiodaputa”

Só a título de informação, sobre a lambança do que se convencionou chamar de “Máfia do Apito”. Numa edição da revista Tempo, que eu editei há alguns anos em Piracicaba, fiz uma matéria com o João Paulo Araújo, então árbitro da FIFA e da Federação Paulista de Futebol. A matéria mostrou a carreira do árbitro piracicabano e onde ele contou alguns fatos curiosos de sua vida esportiva. Como eu sugeri fazer a matéria a partir da ida dele para um jogo, ele me convidou para acompanha-lo a uma partida do Campeonato Brasileiro de 95, naquele mesmo ano em que o time do Santos Futebol Clube foi garfado pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas e perdeu a final para o Botafogo. O jogo escolhido para a matéria foi entre a Portuguesa de Desportes e o meu glorioso Santos Futebol Clube (com Jamelli e Giovanni, este que retornou ao Peixe este ano). O João Paulo passou, num domingo cedo, em minha casa, no seu carro, acompanhado pelo auxiliar, o então bandeirinha Paulo Danelon, este mesmo do escândalo dos jogos encomendados pelo Gibão Fayad, segundo dizem as más línguas e toda a imprensa mundial.

Como sempre eu fazia, nos meus tempos de repórter e editor do jornal O Diário (aquele nosso, de doces lembranças), quando ia ao estádio sempre levava comigo meu filho Rafael. Eu comuniquei ao João Paulo que levaria o Rafael para ele conhecer o estádio da Portuguesa, no Canindé, em São Paulo e ver como era os bastidores de uma partida de futebol no nosso mais importante campeonato oficial.

O João Paulo nos pegou e fomos a São Paulo. Eu na frente e o Rafael e o Paulo Danelon, no banco de trás. Enquanto eu conversava e entrevistava o João Paulo, lembrei-me de um acontecimento que havia vivido, anos antes, no início dos anos 80, com o Rafael, nas arquibancadas do Estádio “Barão de Serra Negra”, num dos jogos do grande e imbatível XV de Novembro, nosso Nhô Quim. Numa partida sem muita importância, quando os árbitros ainda só usavam roupas pretas, naquela tarde, o trio de arbitragem entrou em campo com vistosas camisas amarelas. Com cerca de 6 anos, o Rafael observou tudo, quieto. Havia poucos torcedores nas arquibancadas. Enquanto o trio realizava o ritual de verificar a colocação corretas das redes, as bandeiras nas marcas do escanteio e na lateral do gramado, o Rafael percebendo que algo estava diferente (as camisas amarelas e o quase silêncio dos torcedores, sem vaias) veio até mim e perguntou: “Paié, o juiz já entrou em campo?”. Respondi, “sim... eles estão lá, no gramado”. O Rafael, então sacou a frase, com a argúcia lógica de toda criança: “Ué...!!! mas como ninguém xingou fiodaputa ???”. Confesso que fiquei sem resposta.

Esta história foi contada à dupla de arbitragem, no carro do árbitro da FIFA, o João Paulo Araújo, por mim e na presença do próprio personagem da história. Foi uma só gargalhada, e o Rafael, um adolescente à época, ficou todo encolhido no banco de trás do carro.

Ontem, o Paulo Danelon se apresentou à Polícia Federal e assumiu ter sido “subornado”, “comprado”, “aliciado”, talvez, por pessoas que manipulavam resultados de jogos de futebol, para auferirem lucros em apostas eletrônicas pela Internet. E daí eu me lembrei: “E ninguém vai chamar estes árbitros de grandes fiosdaputa?” Mas só eles é que são? Respondam, por favor. Confesso que fico sem respostas para esta questão fundamental.

*Rogério Viana, de Curitiba, indignado outra vez
Rogério Viana
Enviado por Rogério Viana em 29/09/2005
Código do texto: T54793
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Sobre o autor
Rogério Viana
Curitiba - Paraná - Brasil, 68 anos
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Rogério Viana