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ENTENDIMENTO NO AMOR

Muitas vezes, o próprio fato de amar complica o amor. Porque ele, gratificante que é, muitas vezes assusta. A convivência com o outro vai mostrando aspectos novos, no exercício fascinante do conhecimento mútuo. E o susto cresce e vai embaralhando as idéias que pareciam claras. O que parecia fácil no começo, quando tudo era festa com muita razão, vai se tornando difícil quando a rotina infalivelmente se estabelece.

Nesse processo, conhecer um ao outro vai se tornando uma necessidade. Se uma das partes se revela, sorte da outra... rs... Mas, nem sempre as pessoas têm um autoconhecimento suficiente para se mostrar com eficácia. Outras são fechadas, reservadas por natureza. E quando isso é mútuo, o desastre é maior. E na tentativa de entendimento surgem, em ambas as cabeças, dúvidas, incertezas, até desconfianças. Se não estão atentos a essas reações naturais, mas muitas vezes enganosas, o amor vai sendo prejudicado. Dúvidas não esclarecidas sempre minam o amor. Em geral, os desentendimentos e até as brigas se originam em mal-entendidos, em palavras impensadas, equivocadas ou mal explicadas. O hábito do diálogo resolve isso facilmente. Caso contrário, uma pequena rusga adquire a força de um vulcão.

Pensemos um pouco no que é, sem nenhuma exceção, o encontro de duas pessoas que se atraem e respondem a um apelo de amor. São dois seres diferentes, vieram de famílias diferentes, receberam educação diferente, têm histórias diferentes, trazem marcas diversas da vida já vivida, guardam frustrações... e teríamos uma lista enorme de diferenças inevitáveis. De repente se encontram, se sentem, se entregam. Certamente têm, ambos, a nova visão da vida nessa hora: é o paraíso! Os defeitos do ser amado aparecem até, mas não são percebidos como defeitos na hora da paixão. Só que a paixão não dura tanto quanto gostaríamos que durasse. Ela vai cedendo lugar ao amor que pede para se firmar, pois este pode ser para toda a vida. E é quando surgem as dificuldades no relacionamento. Dentro da rotina da vida, as pessoas vão aos poucos se mostrando como são. E nem sempre são aquilo que antes nos pareceram. De início algumas desilusões aparecem e vão sendo assimiladas. Mas, com a repetição, elas vão despertando sentimentos negativos. É uma hora de checar cada um seu próprio sentimento e seu próprio negativo, de preferência, conversarem sobre qualquer dúvida que vá despontando.

Aqui fica claro que o entendimento no amor não é tão simples. Se o amor existe mesmo, é perfeitamente viável. Se o amor era apenas uma ilusão, o desmoronamento é certo. E, como ter a certeza?

O único caminho é o diálogo. Mas não apenas uma troca de palavras. O clima tem que ser de amor, de disposição para compreender e, principalmente, de generosidade. De ambas as partes.

Esses momentos do amor provocam, em geral, grande sofrimento. Cada um quer viver esse amor, um não quer perder o outro. E isso sempre desperta medo, muito medo. Ambos vêem a probabilidade de um fim. E é claro que ela é real. Mas também é real a probabilidade de um entendimento autêntico, o que não pode ser descartado. É preciso tentar sempre.

Vamos pensar um pouco na questão sofrimento. Se ele existe, já é uma prova de que existe o amor, pois ninguém sofre ou tem medo de perder o que não lhe interessa. E, muitas vezes, a depressão se instala nessa hora. Vem à mente todo o negativo do outro e a sensação de que isso não pode ser vencido. A depressão sempre sugere desistência, a impressão de que é inútil lutar, nos dá a sensação de fraqueza e a gente se acomoda ou se acovarda. É quando dizemos “vamos levando” como se isso levasse a algum lugar... A depressão aguça todos os medos e os fantasmas crescem na gente. E vamos cedendo e descendo cada vez mais para o fundo desse poço que nos dá a sensação de fim e de morte. E é chegando ao fundo que temos que optar: voltar à tona ou nos afogarmos de vez. Quando há amor verdadeiro, a chance de voltar à tona é muito grande, percebemos isso quando vemos a luz da vida pronta a nos envolver e a nos devolver uma paz que é nosso direito. E nessa luz, o apelo do amor. É quando tudo parece menos obscuro, menos impossível. A depressão é vencida justamente porque ela nos abateu. O sofrimento nos ensinou, enquanto estávamos cegos, o que fazer, como agir, como lutar e vencer. E vemos, com certeza, que tudo valeu.

O entendimento necessário acena. E aqui tem que prevalecer a verdade. A verdade de cada um. Jamais alguém, mesmo no amor, vai se tornar igual ao outro. Além das características pessoais, as marcas que cada um carrega podem ser imutáveis. Se mudança houver tem que ser assumida e comandada por quem tem a falha, ou defeito, ou mesmo uma marca importante da vida, da educação que recebeu, enfim, das vivências acumuladas. O outro pode ajudar, mas nunca tomar as rédeas. E se isso acontecer, é o parceiro em questão que deve protestar, o que pode ser feito com compreensão e carinho. No entendimento, portanto, não se pode desejar que o outro mude sempre, mesmo porque isso o despersonalizaria. Portanto, não é a mudança do outro que devemos reivindicar, mas a compreensão do que aquele negativo nos causa. Refletirem os dois sobre seus sentimentos. Saber aceitar e conviver com o inevitável. Conhecendo um o quanto sua atitude abate o ser amado, certamente se controlará, mesmo sem abrir mão desse comportamento, ou melhor, desse seu traço de personalidade. É preciso muita coragem para isso. Mas a força virá do amor, se ele existe de fato. Porque o amor está acima das nossas mazelas e depende de nós a realização mais perfeita desse amor.

(NOTA: Este Artigo foi escrito à luz de minhas experiências pessoais e de experiências que outros me confiam. O que é dito aqui não é, portanto, verdade acabada. São apenas reflexões que podem ou não ajudar a quem procura um caminho no amor quando este se sente abalado. Tomara que ajudem a outros, como ajudaram a mim.)
Sal
Enviado por Sal em 15/10/2005
Código do texto: T59897
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
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