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A Supervisão Educacional em perspectiva histórica e política

A SUPERVISÂO EDUCACIONAL NO BRASIL EM PERSPECTIVA HISTÓRICA E POLÍTICA

RESUMO

A supervisão educacional foi oficializada com a LDB de 71, mas a idéia de supervisão existe desde a época dos Jesuítas intricada nas funções de prefeito de estudos e de inspetor. Contemporaneamente, a supervisão tem caráter político e transformador.

Palavras-chaves: supervisão, educação, história, política.

INTRODUÇÃO

Nesse presente artigo abordaremos a Supervisão Educacional em perspectivas histórica e política. No primeiro momento faremos um panorama histórico, desde a época do Brasil Colonial até aos nossos dias. No segundo momento abordaremos a supervisão em caráter crítico, político e social.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional dar respaldo para a função de supervisor no art. 64 - “A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós- graduação á critério da instituição de ensino, garantida nesta formação, a base comum nacional.”Os aspectos socioeconômicos e políticos influenciaram a ação supervisora por toda a história educacional brasileira. Apesar de ser reconhecida oficialmente pela LDB de 1971, a idéia de Supervisão tem origem no Período Colonial, quando foi organizado o primeiro sistema educacional brasileiro.

PANORAMA HISTÓRICO

Os Jesuítas foram os primeiros educadores. A educação não era considerada um valor social importante para uma sociedade agrário-exportadora dependente, na verdade era uma arma de controle social. A tarefa educacional baseava-se na catequese e na instrução para os indígenas, entretanto a educação dispensada aos filhos da elite colonial mostrava-se diferenciada. Em sua sociedade desigual a educação é elitista. Em 1549, organizam-se as atividades educativas no Brasil. No Plano de Ensino aviado por Manuel da Nóbrega a idéia de Supervisão não se manifesta apesar da função supervisora estar presente. O Plano de instrução estava fundamentado na Ratio Studiorum, cujo “ideal era a formação do homem universal, humanista e cristão. A educação se preocupava com o ensino humanista de cultura geral, enciclopédico e alheio á realidade da vida de colônia” (VEIGA, 2004). Formas dogmáticas de pensamento contra o pensamento crítico maculavam a ação pedagógica dos Jesuítas que privilegiava a memorização e o raciocínio. Assim, tornava-se impossível um a prática pedagógica que buscasse uma perspectiva transformadora na educação. Explicita-se na Ratio Studiorum a idéia de supervisão educacional na figura do Prefeito de Estudos.

Com a expulsão dos Jesuítas e as Reformas Pombalinas o sistema de ensino foi extinto e junto com ele o cargo de Prefeito de Estudos. Então, em relação aos aspectos educacionais houve um retrocesso, pois alguns professores leigos começaram a ser admitidos para as aulas régias introduzidas pelas reformas de Pombal. A idéia de supervisão continuava presente, agora, englobada nos aspectos político-administrativos (inspeção e direção) da figura do Diretor geral; e também nos aspectos de direção, fiscalização, coordenação e orientação do ensino, na figura dos Diretores dos Estudos.

Com a Independência do Brasil é formulada a primeira Lei para a instrução pública (15 de Outubro de 1827) que instituiu as Escolas de Primeiras Letras baseadas no “Ensino Mútuo”, método que concentra no professor as funções de docência e supervisão, ou seja, instruir os monitores e supervisionar as atividades de ensino e aprendizagem dos alunos.
O regulamento educacional do Período Imperial estabelecia que a função supervisora devesse ser exercida por agentes específicos para uma supervisão permanente; essa missão foi atribuída ao Inspetor Geral que supervisionava todas as escolas, colégios, casas de educação, etc., públicos e privados. O Inspetor Geral ainda presidia exames dos professores e lhes conferia o diploma, autorizava abertura de escolas privadas e revisava livros.
O inspetor deveria ser um elemento de prestigio pessoal e conhecimento com pessoas importantes e com autoridades constituídas. Suas atribuições incluíam fiscalizar e padronizar as rotinas escolares ás normas oficiais emanadas das autoridades centrais, por essa razão exercia essas funções como “autoridade do sistema”, através de visitas corretivas e de registros permanentes para confecção de relatórios a serem encaminhados aos órgãos centrais. Com o objetivo de fiscalizar o grau maior ou menor de desvio da ação pedagógica em relação aos padrões estabelecidos pela Lei.

Com a discussão sobre a organização de um sistema nacional de educação, “a idéia de supervisão vai ganhando contornos mais nítidos ao mesmo tempo em que as condições objetivas começavam a abrir perspectiva para se conferir a essa idéia o estatuto de verdade prática. (SAVIANI, 2003) Pautava-se em dois requisitos: A organização administrativa e pedagógica do sistema e a organização das escolas na forma de grupos escolares.
No início do Período Republicano, sob a influência do positivismo a reforma de Benjamim Constant é aprovada, gerando suprimissão do ensino religioso nas escolas públicas e o Estado passa a assumir a laicidade. A visão burguesa é disseminada pela escola, visando garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante. Com a expansão cafeeira o modelo econômico passa de agrário-exportador para o modelo urbano- comercial- exportador. A Pedagogia Tradicional se articula no Brasil com os pareceres de Rui Barbosa e de Benjamim Constant. Nessa pedagogia a ênfase recai ao ensino humanista da cultura geral centrado no professor, a relação pedagógica é hierarquizada e verticalizada, “o método de ensino é calcado nos cinco passos formais de Herbart”. (VEIGA,2004).

O Período conhecido como a Primeira República é marcado por um processo de descentralização do controle e de maior organização dos serviços, incluindo os educacionais. A função de supervisor era exercida pelo inspetor que deveria ser uma pessoa qualificada, experiente e sensível para com técnicos pedagógicos do processo de ensino-aprendizagem. Dentre suas principais atribuições podemos citar: orientar, controlar, supervisionar, fiscalizar e inspecionar todo processo educacional através de conferências, palestras e visitas, acompanhar o desenvolvimento do currículo nos estabelecimentos, com o objetivo de orientar pedagogicamente os professores mais jovens, buscando eficiência, introduzindo inovações, modernizando os métodos de ensino e promovendo um acompanhamento mais atento do currículo pleno nos estabelecimentos.

Surgem, então na década de 20, os profissionais da educação, também conhecidos com “técnicos em escolarização” e concomitantemente é criada a Associação Brasileira de Educação por iniciativa de Heitor Lira. A ABE foi um elemento propulsor e estimulante aos “técnicos em educação”.A reforma João Luís Alves em 1924 criou o Departamento Nacional de Ensino e o Conselho Nacional de Ensino separando, assim, a parte administrativa da parte técnica que antes estavam unidas num mesmo órgão o Conselho Superior de Ensino. Esse foi um passo importante para a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública e essa separação propiciou o surgimento da figura do supervisor distinta da figura do diretor e inspetor. A partir daí, ele é responsável pela parte técnica enquanto o diretor é responsável pela parte administrativa.

Na década de 30, a sociedade brasileira sofre profundas transformações sociais, econômicas e políticas que refletem no modelo educacional. A crise de 1929 desencadeia a decadência do café e a Revolução de 30. Vargas empossado constitui o Ministério da Educação e Saúde Pública. Por influência do Liberalismo é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, preconizando a reconstrução social da escola na sociedade urbana industrial. Nesse contexto de mudança, a educação passa a ter um caráter mais técnico e a valorizar os meios de organização dos serviços educacionais, com o objetivo de racionalizar o trabalho educativo dando relevância aos técnicos, entre estes o supervisor. O surgimento do cargo de supervisor educacional está relacionado com as vinculações do Brasil com os Estados Unidos. O novo modelo econômico baseado no desenvolvimentismo e na injeção do capital estrangeiro no país trouxe consigo não só os padrões econômicos americanos, mas também o modelo educacional americano, onde o supervisor tinha lugar de destaque dentro da escola.

Com a instalação da Ditadura Militar em 1964, a educação passa a ser oferecida nos moldes da Pedagogia Tecnicista, há um descaminho. O autoritarismo e a repressão são os alicerces dessa pedagogia, o trabalho é fragmentado e mecanicista, da mesma forma que numa fábrica, busca-se a burocratização, a eficácia e resultados imediatos. O governo aprovou as Reformas de 1° e 2° graus e Universitária, sendo que esta reformulou o Curso de Pedagogia que ganhou novas habilitações: administração, inspeção, supervisão e orientação, com isso a função de supervisor educacional é profissionalizada.

O supervisor educacional é um especialista em educação, exercia sua função como controlador do processo de produção assumindo características de coordenação e direção do trabalho, ou seja, atuando como elemento mediador (como uma função técnica que está a “serviço de”). Exercia essa função através de treinamento de professores para discutir e difundir os fundamentos de organização dos processos de trabalho e do controle sobre ele buscando a aplicação do conceito de racionalidade á administração e do processo com o objetivo de aumentar a produtividade da mão-de-obra e a melhoria de seu desempenho. A função do Supervisor Educacional reflete o contexto histórico do período marcado pelo desenvolvimento nacional e de estabilidade política, altamente mecanicista, utilitário, burocrático e pragmático.

Na década de 80, a crise socioeconômica e a Nova República dão início á uma nova fase. A luta operária ganha força e os professores lutam pela reconquista do direito de participar da definição da política educacional e da luta pela recuperação da escola pública.
A I conferência Brasileira de Educação constitui um espaço para discussão e disseminação da concepção crítica da educação e a Pedagogia Crítica ganham espaço no cenário educacional. O fazer pedagógico não está centrado no professor ou no aluno, mas na questão central da formação do homem; está voltada para o ser humano e sua realização na sociedade e comprometida com os interesses dos menos favorecidos economicamente. A realidade é múltipla e diversa e a educação deve atendê-la. O mundo contemporâneo é marcado pela hegemonia do neoliberalismo, acentuando-se e ampliando-se as formas de exclusão social e cultural. A globalização reflete no âmbito educacional no que se refere à organização do trabalho pedagógico, delegando uma série de atribuições ás escolas, aos professores e alunos.
O papel da supervisão está enfocado para a formação do tecnólogo do ensino e no favorecimento e aprofundamento da perspectiva crítica, voltada para a formação do supervisor como agente social.

A educação – um ato político

Antes de entramos na perspectiva política da supervisão educacional, faremos uma
análise sobre o que é a educação dentro dessa perspectiva.
A educação é uma manifestação de atividade social. Apesar de esquematizar a educação partindo da posição que o homem precisa ser moldado pela sociedade, a relação estabelecida entre o indivíduo e a sociedade através da educação, está fundamentada nas suas origens. No momento em que se desenvolvem seus conceitos sobre homem e suas relações com a sociedade situando à educação não como mecanismo de ajustá-lo as estruturas sociais, mas como fator dinamizante delas, através do ato inovador do indivíduo. A educação não é efetiva numa realidade isolada a radicalização do processo capitalista associado é uma opção acelerada da modernização. Com o objetivo de alcançar o modelo implantado atingindo a acumulação do capital, se fez necessário a formação de certo profissional, daí as implicações do modelo econômico na educação: qualificar profissionais técnicos para atender as necessidades do mercado de trabalho. De acordo com esta ideologia a contribuição da educação é dupla, trata-se de uma educação técnica, reduzida aos aspectos técnicos que deturpa o sentido da verdadeira ação educativa e global, garantia da reprodução das relações sociais de produção feita através dos aparelhos ideológicos do Estado: igrejas, família, os sistemas jurídicos, político e sindical, os meios de informação e a escola - o maior e mais eficaz aparelho ideológico do Estado.

Não existe uma forma única de educação nem a escola é o único lugar onde ela acontece tampouco é o melhor lugar e o professor o único praticante. A educação é uma fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam; ela é a “expressão da sociedade” (DICK, 2006) sua missão principal é transformar sujeitos e mundos em “alguma coisa melhor” (BRANDÃO, 1995). Entretanto na prática a mesma educação que educa pode deseducar e correr o risco de fazer o contrário do que pensa que faz ou que inventa que pode fazer.
O ensino formal é o momento em que a educação se sujeita á pedagogia, cria situações próprias para seu exercício, produz os métodos, estabelece regras e tempos e constitui executores especializados. È quando surgem escola, aluno, professor, diretor e supervisor.
A educação é uma prática social subsiste dentro da sociedade e da cultura funciona sob determinação de exigências, princípios e controles sociais. Atua sobre a vida e o crescimento da sociedade em dois sentidos: no desenvolvimento de suas forças produtivas e de seus valores culturais. È um conjunto de elementos significativos que são resultados das dinâmicas das inter-relações e busca a promoção do homem histórica e circunstancialmente situado, ou seja, é um ato político. Contudo, a esperança que temos consiste em não acreditar na ilusão que os avanços tecnológicos irão revolucionar a educação, mas acreditar no ato humano existente tanto no trabalho pedagógico quanto no ato político de reivindicar uma nova escola e um novo mundo igual e livre, onde a educação continua sendo movimento e ordem, sistema e contestação. O velho e o novo juntos numa relação recíproca, sem autoritarismo, com crítica e bom senso.

Perspectiva política

A supervisão escolar caracteriza-se como função em relação ao sistema e disfunção em relação á educação porque cumpre as funções implícitas, decorrentes da política vigente racional, funcionalista, tecnicista, ingênua, acrítica, direcionada, conservadora, executora, perpetuadora da estratificação social, acontece na escola com os serviços burocráticos. A supervisão educacional caracteriza-se como uma função comprometida com a educação porque cumpre com as funções explicitas; é capaz de opção, percepção da realidade, como função política, reflexiva, critica consciente, assumida, inovadora, decisória, transformadora, libertadora, criativa em todas as direções. Situa-se nas questões e serviços da educação, sua ação extrapola os limites da escola pra alcançar os aspectos estruturais e sistêmicos; traz consigo envolvidos os serviços das "instancias intermediaria e centrais do sistema e da política da educação”.
O supervisor educacional é um profissional especialista em educação e, como função política, reflexiva, critica consciente, assumida, inovadora, decisória, transformadora, libertadora, criativa em todas as direções.
Segundo Saviani, a Supervisão em educação é entendida como uma função educativa, como tal, tem a característica técnico-politica de instrumentalizar o povo para determinados fins de participação social. Dependendo da perspectiva de quem educa, tal instrumentalização leva a uma participação que pode ou não estar de acordo com os interesses do povo. Todavia, a grande maioria dos supervisores não se dá conta de sua função política e dá ênfase a função técnica priorizando procedimentos, fragmentando o processo pedagógico e reforçando á dominação da elite. A função do supervisor no contexto histórico brasileiro é fundamentalmente político e não técnico como se difunde. Para não contribuir para esse reforçamento o supervisor deve mudar de atitude, assumindo seu papel político explicitamente. Antes de qualquer coisa o supervisor é educador e precisa estar comprometido com a mudança, não somente ter a habilitação em Pedagogia - não um pré  requisito - mas ser consciente do processo histórico e do seu lugar dentro da escola e fora dela. Ele necessita compreender e ultrapassar a percepção da escola brasileira na sociedade capitalista buscando a transformação, tendo clareza das suas posições políticas e educativas sendo sujeito ativo desse processo histórico- dele e dos atores- para que se procedam as mudanças requeridas no momento atual.

Segundo Nogueira, a categoria ao se posicionar por ser agente de transformação da realidade social vigente, por uma nova política nacional de supervisão educacional e pelo comprometimento com a concepção de educação e de escola que atenda aos anseios da sociedade brasileira numa perspectiva democrática e democratizadora, proclama que o supervisor educacional não quer nem aceita ser o elemento executor e reforçador do sistema instituído, apesar de reconhecer que continua sendo mesmo contra sua vontade. Será no interior de uma escola democrática, destinada á formação das potencialidades dos indivíduos onde a supervisão poderá tornar-se uma ação coletiva dos agentes educativos apropriadores do mundo objetivo, autônomos e conscientes.


O papel da supervisão educacional

O supervisor é o articulador do Projeto Político-Pedagógico, da instituição, com os campos administrativos e comunitários; deve circular entre os elementos do processo educacional cabendo-lhe a sistematização e integração do trabalho no conjunto, caminhando na linha da interdisciplinaridade. O foco da atenção do supervisor no trabalho de formação é tanto individual quanto coletivo, para contribuir com o aperfeiçoamento profissional de cada professor e ao mesmo tempo ajudar a constituí-los enquanto grupos. O papel do supervisor é mediar à relação professor/aluno no processo de ensino-aprendizagem, acolher o professor em sua realidade, criticar os acontecimentos, instigando a compreensão própria da participação do professor em questões educacionais, trabalhar encima da idéia de processo de transformação, buscar caminhos alternativos, acompanhar a caminhada coletivamente.

A ação supervisora estar fundamentada em três dimensões básicas: atitudinal, procedimental e conceitual. A dimensão atitudinal estar ligada a um valor, a ética, a moral, á todos os valores de uma prática. Uma atitude critica requer não ficar preso á manifestação primeira, não ser ingênuo, acomodado, desatento; criticar é ser capaz de ver e resgatar os aspectos positivos, valorizar o saber do outro, ser autocrítico e metacrítico. A totalidade é importante na apreensão dos fenômenos já que se procura perceber as múltiplas relações, as vaias partes envolvidas bem como seus nexos e conexões; ter a visão complexa, não se fixar apenas em um ponto, é preciso conhecer as partes para compreender o todo. Para entender o que acontece no presente é preciso estudar o passado. A historicidade nos ajuda a compreender o movimento da historia bem como chegamos a tal problema (gênese e desenvolvimento do problema).

A historia do profissional, de grupo e da instituição nos ajudará a perceber o que acontece no presente, possibilitando uma aproximação mais adequada á realidade. A sensibilidade é uma das grandes virtudes da função supervisora, a capacidade perceber o outro, reconhecer seu potencial, valor, características, as diferenças entre os atores, evitar generalizações, dar leveza ao trabalho de formação, além disso, ainda passar confiança, conquistar a confiança de todos não se utilizando de autoritarismo, mas buscando construir um relacionamento baseado na confiança, através de atitudes concretas no cotidiano do trabalho. O supervisor precisa construir uma a pratica pedagógica transformadora, humanista, libertadora, livre, solidária e justa.

Outro campo de formação e domínio está relacionado com o saber-fazer, com encontrar caminhos para concretizar aquilo que se buscam, métodos, técnicas, procedimentos, habilidades, esta é a dimensão procedimental. O supervisor pode usar como referencia pra o seu trabalho algumas ajudas que são as categorias de intervenção, sustentação e as estratégias complementares de trabalho. Dentre as categorias de intervenção estão à práxis (transformação das idéias em ações concretas, pra dialeticamente transformar a própria consciência, envolvendo não apenas a reflexão e emoção, mas a correspondência a determinadas condições objetivas, visando estabelecer na escola a dinâmica constante ação/reflexão em reciprocidade, para se ter uma apropriação critica da pratica e da teoria fazendo-as avançar, o método (é essencial para construção de uma pratica que visa à qualificação da ação mediadora do supervisor junto ao professor), tendo compreensão da realidade, clareza de objetivos, estabelecendo-se um plano de ação, agindo de acordo com o planejado e avaliando a sua pratica), a continuidade- ruptura (implica em partir de onde o sujeito / grupo estar e superá-lo, permite que em um mesmo âmbito convivam em reciprocidade o velho e o novo, o tradicional e o inovador, não em sincretismo ou justaposição desconexa, mas em “um esforço de construção, de resinificação dos elementos disponíveis, enfim de criação” (VASCONCELLOS, 2002), o dialogo problematizador (o diálogo deve ser franco e aberto tendo com referencia o PPP, o supervisor precisa preocupar-se em legitimar as falas, as perguntas, as duvidas incentivando os professores a reavaliarem o sentido da sua pratica), e finalmente a significação (a supervisão tem um papel muito importante na direção de resgatar o valor e o sentido do ensino como espaço de transformação.

Dentre as categorias de sustentação temos a ética (implica no sujeito assumir responsabilidades por seus atos, querer o bem, não prejudicar o outro; a falta de ética e transparência entre os membros do grupo podem fazer naufragar as tentativas de mudanças), visão do processo (para se concretizar um processo é preciso basear-se em toda uma concepção metodológica de trabalho e intervenção na realidade, com conscientização), avaliação (quando não é mera classificação para a exclusão, é um fator de revitalização pessoal e (Institucional e ajuda na (Reflexão sobre aspectos nos quais é preciso melhorar e a encarar o erro como uma oportunidade de aprendizagem), participação (cabe ao supervisor procurar realizar a construção da proposta pedagógica da forma mais participativa possível, tendo proposta de educação, concepção de planejamento, objetivos, conteúdos, metodologia, próprios e defendendo eles através da diretividade interativa, ou seja, levar em consideração as posições dos outros, estarem aberta E firme, com respeito e determinação.

O eixo central do trabalho do supervisor é a qualificação do processo de ensino como forma de possibilitar a efetiva aprendizagem por parte de todos, então, algumas praticas empíricas que objetivam renovar a pratica educativa podem ser utilizadas como estratégias complementares de trabalho entre elas podemos citar a interação com os docentes, a visão estratégica e atualizada e a redução do caráter burocrático ao mínimo.


A escola

O supervisor constitui-se em um agente de mudanças, no sentido da dinamização do trabalho de grupo, nas diversas instancias de sua atenção. Pra tal precisa ser um “líder funcional”, encarregado de motivar desenvolver lideranças em todos os seus grupos de atuação; seus tratados enfocam aspectos como o clima de dialogo, a situação de crescimento das pessoas envolvidas, a importância básica das abordagens pessoais, a qualidade das interações, a importância de sentir-se pessoa, praticarem relações humanas eficientes, aprofundarem conhecimentos alargar horizontes, progredir no conhecimento dos meios e processos de ação, aperfeiçoar processos técnicos de ensino. Alguns fatos do cotidiano do trabalho exigem do supervisor um comportamento comprometido com os resultados da escola com reflexão, criatividade e soluções, uma atitude de compreensão e respeito á pessoa humana, descobrindo maneiras de despertar nas pessoas necessidades de comportamentos diferentes, exigem também a habilidade de dialogo e a possibilidade de "vender a idéia".

O supervisor pode se valer de oportunidades para conseguir o seu objetivo máximo: melhorar a situação ensino- aprendizagem através de aperfeiçoamento do professor. Seriam ocasiões possíveis, criadas e utilizadas pelo supervisor para realizar a sua tarefa. As reuniões de pais e mestres são uma dessas oportunidades, elas devem constituir oportunidade de crescimento pessoal e todas as pessoas envolvidas devem ser participantes ativos, serve para o estudo conjunto das responsabilidades de todas os atores educacionais , pelos resultados obtidos , precisa ser planejada para atender aos objetivos previstos, ser realizada com numero pequeno de pessoas para que os presentes se manifestem e se conheçam , o que torna-se impraticável se houver uma multidãos de pais e mestres , de bem realizados podem integrar a escola na comunidade . Ainda podemos incluir entre as oportunidades as visitas (Verificação da aplicação), demonstrações, estudos (cursos, treinamentos, reciclagens, correspondência, leitura, etc.), publicações (apostilas, plaquetas, imprensa, boletins, etc.), entrevistas, conferencias ou qualquer tipo de contato individual, contribuições de outras pessoas experientes com a educação.

Formação de professores

O supervisor atuará no processo de formação continuada dos professores em certos momentos de toda a equipe escolar. Segundo o PNE (Plano Nacional de Educação) a qualificação do pessoal docente se apresenta como um dos maiores desafios educacionais. A melhoria da qualidade do ensino, indispensável para assegurar á população brasileira o acesso pleno á cidadania e a inserção nas atividades produtivas que permita elevação constante do nível de vida, constitui um compromisso da Nação. Este compromisso, entretanto, não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério, uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educativo. A valorização do magistério implica pelo menos os seguintes requisitos:
uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional, o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho com s alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a aprendizagem;
um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada dentro de uma visão ou ótica e da perspectiva de um novo humanismo; A formação continuada assume particular importância, em decorrência do avanço cientifico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mias amplos e profundos na sociedade moderna. Ela é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da educação, e visará á abertura de novos horizontes na atuação profissional. Essa atuação terá como finalidade a reflexão sobre a pratica educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico, ético e político. A educação escolar não se reduz a sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos os agentes educativos - docentes, técnicos, funcionários administrativos e de apoio que atuam na escola.
 
A Supervisão centrada na formação dos professores indica um redirecionamento do trabalho dos agentes, voltando à atenção para problemas ocorridos na sala de aula, com os professores e outras questões mais amplas inter e extra - escolares, tomando consciências das mudanças sociais e educacionais. Os supervisores precisam ser bem preparados, atualizados, dinâmicos e preocupados com o destino dos alunos e com as responsabilidades da escola para com a comunidade. “Encarando-se a supervisão como um trabalho de assessoramento dos professores e á equipe escolar, tendo em vista o desenvolvimento de um projeto coletivo que propõe mudanças não só nas praticas usuais, mas também nas concepções que as embasa, esse trabalho terá que ser encarado como uma interação entre iguais, onde não existem diferenças de posições entre os membros do grupo, mas uma relação de colaboração. Esta parece ser a única forma de alterar a pratica existente, garantindo avanços significativos no desenvolvimento dos professores.” (ALONSO, 2003)

Para refletir sobre a supervisão educacional no Brasil atual, é preciso primeiro compreender os compromissos que sustentaram e traspassaram suas vias no poder das políticas publicas e da administração da educação desde que a função supervisora foi profissionalizada; segundo, compreender qual epistemologia orienta suas praticas e compromissos que hoje se impõe para os profissionais da educação, para administração e políticas publicas; em terceiro, expressar os compromissos e esperanças de construir uma escola de qualidade, democrática e igualitária que ajude a transformar a sociedade. A supervisão educacional tem o compromisso de garantir a qualidade de ensino da educação da formação humana, com um trabalho articulado e orgânico entre a real qualidade do trabalho pedagógico que subsidiará novas políticas e novas formas de administração escolar visando à mudança.

Etimologicamente, supervisão significa "visão sobre" e está intrinsecamente ligado á gestão escolar. Como responsável pela qualidade do processo de humanização do homem através da educação, nesse contexto atual estabelece outros compromissos que ultrapassam as especificidades do espaço escolar, sem dele abandonar.
Garantir conteúdos emancipatórios trabalhando-os com profundidade em toda sua complexidade e transitoriedade comprometendo-se com a administração da educação concretiza os rumos traçados pelas políticas educacionais e publicas que as norteiam. Este compromisso se manifesta num acompanhamento e estudo de todas as relações estabelecidas entre as tomadas de decisões, as determinações sociais e políticas que as gestam e as conseqüências e como subsidio da administração da educação, como “pratica de apoio a pratica educativa”, envolvendo- a na participação direta da construção coletiva da libertação humana e da escola. A supervisão educacional pode atuar como participe da construção da sociedade quando reconhece o seu papel como ator social e exercer a sua função política com consciência e comprometimento.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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VASCONCELLOS, Celso dos S. Coordenação do Trabalho Pedagógico: do Projeto Político Pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2002(Subsídios Pedagógicos do Libertad).
VEIGA, Ilma P.A. Repensando a didática. 21 ed., Campinas, SP: Papirus, 2004, Cap.I.
ANDRADE, Narcisa V. Supervisão em Educação: um esforço para melhoria dos serviços educacionais. Rio de Janeiro: LTC/MEC/FENAME, 976, págs. 81-85.
BRANDÃO, Carlos R.. O que é educação. 33 ed., São Paulo: Brasiliense, 1995(Coleção Primeiros Passos)
ATTA, Dilza M.A. E SIMÕES, Jandira L. Supervisão Educacional. Salvador: Arco-íris, 1975.
FERREIRA, Naura S. C. Supervisão Educacional para uma escola de qualidade: formação á ação. 4 ed., São Paulo: Cortez,2003.Capítulos I, VII, XI.
PLANO NACIONAL DE EDUCACAO
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCACAO NACIONAL
 
Catia Assis
Enviado por Catia Assis em 24/08/2007
Reeditado em 01/04/2009
Código do texto: T621388
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Catia Assis
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