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Vocação x dinheiro

Ao me perguntarem o que mais pesou em minha escolha profissional, digo sem titubear: vocação. Embora hoje eu tenha um cargo bom, respeito profissional e salário satisfatório, ralei muito para chegar aqui. No tempo de faculdade, deixei um curso que amava (Filosofia) na UFG para fazer Psicologia na UNIP, assisti muitas aulas com fome, passava madrugadas em grupos de estudo, trabalhei muito de graça, andei quilômetros a pé e engoli muito sapo em meu caminho.
As pessoas têm um grande receio, o que é natural, em escolher cursos pouco tradicionais ou que apresentem um mercado de trabalho restrito. Todos nós queremos sair da faculdade e já iniciar uma carreira promissora na área que escolhemos. Quando isto não ocorre, é muito frustrante para o recém formado que muitas vezes desiste da profissão escolhida.
É importante saber que mesmo nas profissões mais tradicionais (medicina, direito e engenharia) dificuldades no início de carreira são comuns. Conheço inúmeros advogados, médicos e engenheiros que estão com dificuldades em conseguir um emprego melhor, precisando dedicar muitas horas de trabalho e estudo para receber em torno de três salários mínimos, enquanto que muitos professores, enfermeiros, antropólogos, fonoaudiólogos e outros recebem estes valores sem muito esforço.
O mercado em si é muito relativo, devendo o profissional investir constantemente em qualificação e desenvolvimento de diferenciais atrativos que o torne mais precioso ao mercado. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, a postura profissional deve estar presente desde que a pessoa inicia sua primeira atividade profissional: estudante.
A maioria das pessoas não levam a sério quando preenchem os campos de formulários destinados à profissão como “estudantes”, sim estudar é um trabalho que fará parte da vida do indivíduo por todo o resto da vida. Se o estudante não se vê como profissional, agindo de forma relapsa em seus estudos e não criando para si uma imagem profissional, este terá muitas dificuldades de ingresso no mercado de trabalho.
Todo empregador ou selecionador procura profissionais maduros, preparados e qualificados humana e tecnicamente. Para toda profissão é preciso amor ao que se faz, buscando a otimização das habilidades a ela inerentes, para então, receber a remuneração justa por isto. Uma secretária executiva bilíngüe de sucesso pode receber um salário de até três mil reais, enquanto que um advogado pouco engajado na profissão pode ter dificuldades em receber quinhentos reais. Vários fatores estão envolvidos nestas variações, mas um significativo que pode alterar os demais é o engajamento do profissional.
O dinheiro vem aos poucos (e bota poucos nisso) como conseqüência do esforço. Nos estágios, o estudante tem a oportunidade de aprender muito, fazer contatos e adquirir experiência, recebendo uma pequena bolsa ou nenhuma remuneração por isto, porém esta experiência pode ser decisiva numa seleção que exija um contato anterior com alguma função ou equipamento.
O profissional precisa sim querer uma remuneração que o satisfaça, batalhando e buscando por ela. Valorizar aquilo que faz é importante para todo mundo, seja realizando um trabalho remunerado ou não.
Hoje, se tivesse como voltar atrás, talvez faria até mais pela minha carreira. É tolice escolher uma profissão meramente pelo salário médio que seus profissionais recebem. Mesmo que o início seja difícil, planejando e investindo na carreira, você pode ser um profissional bem sucedido em qualquer carreira. Pense nisto antes de escolher a sua carreira e esteja pronto para mudar quantas vezes forem necessárias.
Paulo Marques
Enviado por Paulo Marques em 27/08/2007
Código do texto: T625776
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Sobre o autor
Paulo Marques
Goiânia - Goiás - Brasil, 35 anos
50 textos (19833 leituras)
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Paulo Marques