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ESPERTEZA FEMININA

ESPERTEZA FEMININA!
Márcio Valle '

A maior indústria de uma  pequenina cidade mineira era uma usina de açúcar,. produzido a partir da cana e que e; hoje está desativada, causando grandes transtornos à cidade pois a arrecadação era grande .
Seus edifícios, compunham-se de enormes galpões, cobertos com folhas de zinco.
Quando chovia, o barulho no telhado era muito grande, mas se tomava imperceptível quando da moagem de cana e  fora dessa época, o local mais se assemelhava a um sepulcro; só que repleto de maquinário, lembrando gigantes adormecidos.
A esse tempo, era gerente-geral da usina o .Sr. Malaquías, pessoa muito querida na cidade onde constituiu sua prole.
O Sr. Malaquias, como todo vivente sobre a terra, num determinado dia faleceu, causando comoção no lugar.
A usina, num preito de saudade, homenageou o pranteado, lançando no ar de hora em hora, um apito de lamento, como se ela própria chorasse a perda.
Alguns dias depois,correu o boato de que o espírito do falecido, na calada da noite, visitava a usina, percorrendo todas as suas dependências-, como a verificar se tudo estava em ordem!
Quem viveu no interior, sabe como essas notícias adquirem credibilidade E, lá na cidadezinha, não foi diferente!..
E,. como em todo lugar., ninguém sentiu coragem para se aventurar a confirmar. a veracidade ou não da noticia, principalmente à noite!
Certo dia, Zequinha, garoto muito vivo e arteiro, fez uma de suas estripulias. Sua mãe, como sempre acontecia nessas ocasiões, "esquentou o ambiente"!
Vendo-se acuado, e com medo do castigo, Zequinha não titubeou, correu para o interior da usina, do outro lado da rua.,
frontal  à casa onde ele morava
As horas foram passando, começava a escurecer e Zequinha não aparecia.!
Sua mãe  já apreensiva, gritava para que ele retomasse pois estava na hora do Sr. Malaquias começar a ronda!... Que esperança!! O medo de ser castigado era muito maior do que   se defrontar com uma alma do outro mundo
E ele nada!...
Ela, então,solicitou   a um vizinho que a tirasse pedras no telhado de zinco.
Cada pedrada, era um barulhão !...
Não demorou muito e o moleque, apavorado, atravessou a rua em desabalada carreira, entrando em casa, sem olhar para trás, tal era o pavor!..
Como não poderia deixar de ser, entrou em baixo da cama, que era, àquela altura, o lugar mais seguro!
Naquele pedaço de mundo, os dias corriam tranqüilos e serenos e a felicidade imperava!
Amigos de Sonora
Enviado por Amigos de Sonora em 29/08/2007
Reeditado em 29/08/2007
Código do texto: T628591

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Sobre a autora
Amigos de Sonora
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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