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A seca

          Ela já foi cantada em verso e prosa. Inspirou compositores, cineastas, pautou milhares de matérias em rádios, jornais, televisões e, mais recentemente, na internet. A seca continua maltratando milhares de pessoas mundo afora, mas age com uma peculiaridade ainda mais cruel aqui na região Nordeste.
          Há anos, décadas, nem sei quantas, fala-se nesse problema. O sofrimento é o mesmo. Homens, mulheres, crianças, animais, plantas, todos implorando por água. Em determinadas regiões, ela demora muito para vir do céu, em forma de chuva, e a classe política brasileira ainda não demonstrou nenhum interesse efetivo para mudar essa cruel realidade. Água existe no subsolo, nas grandes barragens, açudes, rios, mas falta vontade de fazer com que o povo pobre pare de sofrer. Sofrendo ou não, essa gente é obrigada a votar do mesmo jeito e não é novidade para ninguém: fica mais fácil, infelizmente para quem é honesto, comprar o voto de quem precisa de água e um pouco de comida para saciar a fome dos seus filhos.
          Atualmente, são trezentos municípios na região Nordeste do Brasil em estado de emergência por causa da estiagem. Isso significa milhares de seres humanos iguais a mim e a você, caro leitor, cara leitora, que neste exato momento não têm água nem para beber! Você já se imaginou com sede e não ter como tomar água?! Pois é assim que vivem, há muitos e muitos anos, milhares de irmãos nossos espalhados país afora.
          É triste ver estampada no rosto de uma pessoa a dor de não poder escapar dessa humilhação. Enquanto esse tipo de tragédia ocorrer em nosso país, jamais poderemos ser uma grande nação.
          A miséria que acomete milhões de brasileiros é resultado de governos e mais governos que nunca priorizaram a drástica diminuição da desigualdade social. Enquanto uns poucos comemoraram os índices na economia internacional, milhares estão por aí movidos pela fé em Deus, pelo instinto de sobrevivência, pelo olhar das crianças indefesas, seguindo as trilhas da fome marcadas pelos restos mortais do gado.
João Ricardo Correia
Enviado por João Ricardo Correia em 11/09/2007
Código do texto: T647984

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Sobre o autor
João Ricardo Correia
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 45 anos
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João Ricardo Correia