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Nunca mais o verdadeiro 7 de Setembro?

A mídia nacional divulga amplamente escândalos e mais escândalos. Farto material que serve para manter os milhões de brasileiros ligados aguardando sempre novas informações, para saber quem matou quem ou quem roubou o quê. Muitos sem sentem aliviados ao ouvirem as costumeiras bravatas de um líder político, que se gaba de que ninguém mais do que ele tem bases firmes na moral e na ética. Que nunca se prendeu tanta gente, que nunca foi tão fácil para as polícias trabalharem.

Maravilha! Palmas!

Que me perdoem os mais politizados se eventualmente minhas constatações forem pobres em suas bases ou mesmo na forma de expô-las. Contudo,  o velho ditado “cada povo tem o governo que merece” não sai de minha mente neste momento.

É bem possível que nunca se tenha prendido tanto, talvez até porque a população tenha aumentado vertiginosamente ao longo dos últimos vinte anos, e com isso o leque de ilícitos tenha progredido na mesma proporção. Até mesmo pelo fato de nunca ter sido tão facilitada a ação policial. Mas o que me intriga é a passividade que impera em nós brasileiros. A ausência de iniciativas básicas, acreditando em primeiro plano que um presidente da república é um pai ao invés de um administrador público muito bem pago por sinal. O problema em si não está numa presidência da república mas, sim, em toda a estrutura política desse nosso país. Á, exclamariam muitos, estes políticos não prestam pois roubam o povo. Político é sinal de vagabundo, diriam outros tantos. Eu digo, políticos que nós escolhemos, isso sim. E, portanto, somos co-responsáveis por todas e quaisquer falcatruas que eventualmente venham a ocorrer.

Mas, quais são os motivos que nos conduzem na escolha de algum candidato a cargo eletivo? Vamos enumerar alguns?
a) por conhecermos o candidato de alguma forma;
b) pelo candidato falar manso e bonito;
c) pelo fato do candidato ser bonito;
d) pelo candidato saber colocar muito bem suas palavras em um discurso;
e) por prometer mais empregos;
f) por prometer saúde;
g) por prometer segurança;
h) por sermos filiados ou simpatizantes de algum partido político;
i) etc.

Aí eu me pergunto: Qual o percentual dos eleitores se recorda em quem votou no último pleito? Quantas vezes o cidadão entrou em contato com o seu candidato depois que ele foi eleito para concordar ou discordar de alguma posição por ele assumida?

Os discursos acalorados dos candidatos, em período eleitoral, nada mais são do que galanteios que os mesmos fazem para conquistar os votos necessários para o sucesso do pleito. Prometer mais empregos e segurança e saúde todos prometem, e nós sabemos que bem pouco será mudado. Então por que não reagimos? Será que entendemos mal o Hino Nacional Brasileiro crendo que o “deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo...” significa que devemos viver na praia curtindo um belo bronzeado e tomando uma cervejinha gelada? Não, definitivamente não.

Há bem poucos anos atrás milhões de estudantes saíram às ruas, denominados como “caras pintadas” exigindo a renúncia de um presidente da república, para mim muito mais manipulação da mídia do que propriamente dito fruto da consciência política da grande maioria deles. Entretanto, é inegável a boa repercussão que esta atitude coletiva gerou. Novamente surge um questionamento sobre o por quê de não ter sido repetida esta façanha em outros milhares de ocorrências danosas que assolaram este país, e envergonharam o nosso auriverde pendão. Será que aqueles mesmos jovens acreditaram que tinham resolvido todos os problemas? Ou ainda, que não seria mais necessária uma continuidade de demonstração de união e força por parte deles?

Realmente o que mais me perturba são as dezenas, centenas de questionamentos que me faço sobre a nossa consciência de brasilidade. O fato do descontentamento com nossos políticos não nos exime da nossa responsabilidade de continuarmos zelando e remando harmonicamente um grande barco, que poderá afundar e onde todos poderão perecer.

Não podemos, de forma alguma, darmos preferência ao delegar funções públicas em detrimento do engajamento de cada um de nós em causas basilares da nossa sociedade. Quando elegemos um político, seja para que cargo for, estamos dando para ele um emprego. Então cobremos dele o merecimento deste emprego. Denunciemos irregularidades, cobremos resultados.

Neste último sete de setembro, levantei cedo, apanhei minha pequena bandeira do Brasil e fixei no meu carro. Era feriado nacional, entendo, mas certamente andando pelas ruas haveria grande possibilidade de encontrar milhares de carros circulando pelas vias da minha cidade. E minha surpresa foi a vergonha ou o esquecimento de todos os proprietários de veículos que eu encontrava pela frente. Nenhum dos que eu encontrei sequer fez menção de valorizar a data que nos remete ao surgimento da pátria brasileira. Certamente por estarem muito atarefados com o churrasco que teriam em breve, e olhe que daria para conciliar muito bem as duas situações. Afinal, era só pregar umas fitinhas verde-amarelas em algum ponto do carro. Será que somos brasileiros apenas quando a seleção brasileira de futebol entra em campo? Mesmo quando temos a certeza que praticamente nenhum daqueles desportistas sequer sabe cantar a metade do nosso belíssimo Hino Nacional, e olhe que eles ganham muita grana para estarem lá representando um país. País este que eu espero estar vivo para vê-lo como uma NAÇÃO, onde direitos e deveres possam ser observados e cumpridos por todos, inclusive eu.

Parabéns Brasil!


Winnet
11/09/2007

winnet
Enviado por winnet em 11/09/2007
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Sobre o autor
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Maringá - Paraná - Brasil, 55 anos
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