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Pobres brasileiros

          A semana termina, para mim, marcada por duas histórias. Na primeira, um homem de 63 anos de idade está preso porque impediu que um viciado consumisse droga em um terreno de sua propriedade. Na segunda, um ex-seminarista de 30 anos, acometido por um câncer, descrente até de Deus, clama por atendimento médico.
          São dois brasileiros, pobres, vítimas da burocracia, da insensiblidade,  de tantos absurdos que vemos todos os dias em nosso país. Enquanto centenas de canalhas estão por aí soltos, matando, estuprando, assaltando, roubando nosso dinheiro por meio de mirabolantes armações políticas, Antônio Félix do Nascimento e Edmilson Melo Matos estão encarcerados.
          O “crime” que Antônio cometeu foi evitar que um viciado fumasse maconha em seu terreno, no Gramorezinho, zona Norte de Natal. Desde o dia 30 do mês passado, este senhor está atrás de uma grade, na Delegacia de Plantão da zona Norte. “Eu vi esse homem entrando no meu terreno e preparando um baseado. Como não concordo com essas coisas, fui até e pedi para ele sair. Como ele não saiu, voltei para casa, peguei minha espingarda de soca e mandei ele sair. Nesse momento, uma viatura da polícia passou e me flagrou com a espingarda na mão. Fui preso apenas por combater o consumo de droga”, disse Antônio ao jornalista Fred Carvalho, no www.nominuto.com.
          A espingarda de Antônio estava descarregada quando ele foi preso. Isso mesmo: descarregada. Ou seja, ele usou a arma apenas para intimidar o viciado e terminou tendo sua liberdade castrada. Pior: desde que está detido, esse senhor nunca recebeu uma visita, porque suas cinco filhas moram em São Paulo.
          O outro personagem, Edmilson Melo Matos, não tem pai, nem mãe. É solteiro. Mora sozinho, em um cômodo de Igapó, onde passa a maior parte do tempo deitado numa rede, tendo como companheiros três gatos e um cachorro. Atingido por um câncer nos rins e sem condições financeiras para pagar o tratamento, sobrevive da solidariedade de vizinhos, que muitas vezes o socorrem quando escutam seus gritos de dor. Edmilson disse à jornalista Sara Vasconcelos que já procurou hospitais públicos de Natal e não conseguiu internação.
          A imprensa, mais uma vez, fez sua parte: tornou públicas duas narrativas tão duras quanto reais. Agora, resta esperar que as verdadeiras autoridades apareçam.
Esses dois cidadãos têm o direito à liberdade. Antônio não é bandido para ficar enjaulado. Edmilson precisa também, como ele disse, da misericórdia dos homens.
          Que Deus abençoe esses nossos irmãos!
João Ricardo Correia
Enviado por João Ricardo Correia em 21/09/2007
Código do texto: T662340

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Sobre o autor
João Ricardo Correia
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 45 anos
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João Ricardo Correia