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Futebol feminino no Brasil e na "América"

Há trinta anos, quando Pelé aceitou jogar futebol nos Estados Unidos pelo extinto New York Cosmos, a empreitada tinha como objetivo popularizar este esporte por lá. Não deu certo. Pelo menos não para os homens. Às mulheres, foi sucesso total. Do fim da década "disco" até hoje, nosso "soccer" virou a opção esportiva "light" popular do "sexo frágil" em solo yankee. Se na America Latina e boa parte da Europa, futebol foi esporte bruto "para macho" até pouco tempo, nos lados do Tio sam era "jogo de mulherzinha". "Homem que era homem praticava baseball, futebol americano, hóquei ou basquete."

Tal popularidade precoce tornou os Estados Unidos uma espécie de potência mundial precursora. Se, com os marmanjos, passaram quarenta anos sem ir a uma copa, com as moçoilas fulguraram sempre entre os três primeiros, ostentando dois títulos em quatro edições disputadas. Nomes como Michelle Akers, Mia Hamm e Shannon McMillan logo alçariam condição de referência global.


Abaixo do equador, o clima era outro. Mulheres jogando bola taxadas de lésbicas ou coisa pior. Falta de incentivo à formação e profissionalização de atletas tornaram a América do Sul terceiro mundo no futebol de saias, e a coisa pouco mudou desde então, exceto por um detalhe.

Um detalhe chamado seleção brasileira.


Ocorreu devagar. Lampejos de uma geração prodigiosa e guerreira que, desde sempre, lutou contra tudo e contra todos para não perecer. Marta, Formiga, Pretinha... surgiram como curiosidades, ganharam simpatia pública e viraram ícones de garra e perseverança, heroínas nacionais. No começo, tiravam onda nos trópicos com homéricas goleadas, mas caíam ante as "gigantes" chinesas, norueguesas e americanas. Para cada mundial perdido, um choro por apoio e meses de esquecimento até o próximo compromisso importante. Promessas não cumpridas, mal-entendidos, crocodilagens e a eterna superação de um time que de zebra virou "pedreira" e agora quer ser grande. Mereceu ganhar ouro em atenas, faturou dois panamericanos e por fim, enfim, desbancou o antigo carrasco, candidato a freguês. Nosso Brasil também quer ser potência entre as meninas, e pode, se nós aqui deixarmos.

Torcerei por elas na decisão, claro, e ainda mais depois. Torcerei para não serem esquecidas. Para que a TV, empresas, federações, e nós, o público "pagante", não as deixemos de lado, ou viverão sempre comendo migalhas dos rapazes, apesar do esforço e glória alcançados.

Nos "estates", o fenômeno é inverso. A velha zebra yankee da seleção masculina, ressurgida às copas de 90 para cá, mostra sinais evolutivos claros. Fez bonito em 2002, deu azar em 2006 com uma chave difícil e hoje consegue encarar o Brasil de Kaká e Ronaldinho quase de igual para igual. Não duvido que em alguns anos, os homens, e não as mulheres, sejam o sexo forte no futebol de lá. A pergunta é: Isso bastaria para popularizar o "soccer for men"? E aqui? Algo inverso ocorreria com um título feminino em copa do mundo?


Bom... Vamos aguardar.



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Luiz Mendes Junior é escritor. Seus textos podem ser encontrados no blog http://noticiasdofront3.blogspot.com
Luiz Mendes Junior
Enviado por Luiz Mendes Junior em 29/09/2007
Reeditado em 29/09/2007
Código do texto: T673073

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Sobre o autor
Luiz Mendes Junior
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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