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“Brasil, um país para todas as idades”!?!




Estamos no terceiro milênio e pleiteamos no decorrer de nossa tão recente história tantos títulos de “mais” e “melhor”, passamos anos rememorando e regozijando-nos por conquistas passadas documentadas nas velhas fotografias, no vídeo ainda em preto e branco ou em nossa memória ainda mais descolorida.
Alguns acusam-nos de “viver do passado” e alguns outros de não temos “memória cultural”.
E entre esses extremos nos localizamos exatamente no ponto em que valorizamos o passado “que foi” no seu momento, como se no hoje e no agora ele ficasse descontínuo e descontextualizado.
Assim é tratado o idoso no Brasil. A memória histórica individual e coletiva resgata seus feitos do passado que parecem servir apenas naquele momento do passado. Hoje, a sua serventia se justifica apenas na existência dos seus posteriores.
Em alguns países da Europa o respeito ao idoso é natural. No Oriente o respeito ao idoso e aos antepassados é questão de honra, é cultural. No Brasil, o respeito, a estima pelo idoso perde-se no emaranhado de valores de uma contra-cultura capitalista que tem urgência pelo novo e por um esteticismo que coloca o “velho” para fora de circulação por não possuir os pré-requisitos da beleza estética, da utilidade e necessidade econômica.
Pensamos que ao “valorizamos” o passado estaremos colocando o idoso no seu lugar de origem, afinal, atualidade não foi feita para ele. “Afinal o mundo é jovem, o mundo é do jovem”, afirmam os meios de comunicação a todo instante. Não adianta o remédio nem o consolo de dizer que juventude é estado de espírito, porque as células envelhecem, o corpo declina, os cabelos embranquecem inevitavelmente.
Além dos problemas físicos e psicológicos que a velhice acarreta, ainda hão que confrontar-se com problemas de ordem financeira e exclusão do mercado de trabalho, que os considera inaptos para realizar trabalhos aos quais se dedicaram no decorrer de suas vidas.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, em seu artigo V afirma que: “ninguém será submetido a tratamento ou castigo cruel, degradante”. Ainda no artigo XXVI, assinala “direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família, saúde, bem estar, alimentação, cuidados médicos, serviços sociais, direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez ou outros casos dos meios de subsistência fora do seu controle”. Na própria Declaração subentende-se a velhice como uma fase de incapacidade física e intelectual que acontece à revelia do ser humano e que impossibilita a sua atenção como cidadão na sociedade.
Essa idéia generalizada, às vezes nasce na própria família, o que reflete o pior sofrimento: quando os entes queridos passam a tratá-los como “dispensáveis” ou até mesmo como uma carga, um fardo que têm a carregar.
Enquanto em outros países uma pessoa aos 70 anos é considerada apta e capaz, no Brasil é dolorosa a aproximação dos 40, pior ainda se formos tratar isso em termos de nível econômico, sexual e social.
O ano de 1999 abriu um parêntese na sociedade brasileira para que se refletisse e discutisse a situação social do idoso, buscando uma aceitação e reconhecimento do seu valor na sociedade, não porque eles FORAM, mas porque eles SÃO. Muito importante e interessantes os programas que incentivam àqueles que se habituaram à comodidade da “velhice doce velhice”, a modificar o seu modo de vida, “espanar as teias de aranha” e envelhecer biologicamente com hábitos saudáveis, inteligentes e prazerosos. É importante também que o idoso resgate a sua auto-estima. Mais importante ainda será o alcance dessas metas na sociedade. E, para alcançá-las, dois instrumentos são necessários: a educação e os meios de comunicação.
Ensinar ao jovem que ele é o filho do velho, mas que numa esquina não tão longínqua ele será o pai, o avô.
Ensinar ao jovem que envelhecer é algo natural, como nascer e crescer e não uma peça que a natureza nos prega.
Promover junto aos meios de comunicação a valorização do SER HUMANO, independente de sua idade cronológica, e aí sim a jovialidade do espírito tão importante para apreensão do inevitável e do inesgotável NOVO. E quando falarmos em jovialidade esta receita também vai para os jovens.
Redimensionar valores, adaptar situações e por isso mesmo aceitar as multirreferências tão necessárias para que se faça de nosso meio, um lugar diferente sim, e não desigual e nem infeliz.
A vida não tem replay. Não vai dar tempo, nem vai haver oportunidade de fazer as pessoas felizes no futuro. Principalmente o idoso. Ele precisa de respeito de dignidade, de cidadania e de amor. Agora. Criemos as oportunidades, viabilizemos as possibilidades para fazermos do “Jovem Brasil”, um país de consciência, encontro e comunhão entre todas as idades.


DULCILENE Ribeiro Soares Nascimento é formada em História e especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela UNEB.  Mestranda em Ciência Política, Cidadania e Governação pela UNIB – Salvador – Ba. Atua como professora de História e Sociologia do Colégio Estadual Eliseu Leal. Professora de cursos de graduação e pós-graduação.
Dulcilene Soares
Enviado por Dulcilene Soares em 06/11/2005
Código do texto: T68139
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Sobre a autora
Dulcilene Soares
Gandu - Bahia - Brasil, 46 anos
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