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Como Presentear de Verdade

Já imaginou como seria descobrir que alguém abriu um presente seu com lágrimas de alegria?

Todos os anos, enfrentamos desafios semelhantes na hora de escolher presentes para aqueles que amamos. Seja no Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, dos Namorados ou das Crianças, há sempre um motivo para se presentear. Os ‘amigos ocultos’, os aniversários, os chás-de-bebê, de panela ou de sei-lá-o-quê, cada qual acrescenta uma linha em sua lista de presentes...

Em se tratando de casamentos então, a dúvida torna-se realmente cruel: O que os noivos ainda não receberam? O que lhes será mais útil? Já ouvi falar de casais que receberam utensílios repetidos, e que não dispunham de recursos para a aquisição de outros bens essenciais!

A fim de evitar tais situações, alguns noivos resolvem eleger uma única loja de móveis e eletrodomésticos, deixando ali sua lista de presentes. Aos amigos e padrinhos, basta ir até lá e escolher um item da lista.

Mas o que torna um presente especial e significativo? Como acertar ‘na mosca’ ao presentear alguém? Gostaria de oferecer algumas sugestões, tendo por base 3 presentes que se tornaram inesquecíveis pelo que representaram:

Presente #1 Uma bola de futebol – que recebi do meu pai

Quando criança, eu era um verdadeiro aficionado por futebol. Jogava o dia inteiro, se tivesse companhia. Mesmo quando a maioria dos amigos já havia ido embora, continuava brincando de ‘um contra um’ com aquele mais persistente. Geralmente, era ele quem dava por terminada a partida.

Meu  pai, churrasqueiro por profissão, passava grande parte do tempo preparando ou vendendo seus churrasquinhos, inclusive nos fins-de-semana. Assim, tinha pouco tempo para me ver jogar. Para ele, futebol era ‘coisa de vagabundo’.

Certo dia, foi me chamar na quadra, e ficou nos observando por alguns momentos. Fiquei surpreso quando nossos olhos se encontraram – e ao mesmo tempo realizado – pois senti que pela primeira vez ele estava gostando do que via.

Ao chegar em casa, tive uma surpresa ainda maior. Ele anunciou prontamente: “Tem uma coisa pra você aí no quarto, perto do guarda-roupas.”  Era uma bola branca de borracha, decorada com losangos pretos. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não pela bola em si, mas pela aprovação do meu  pai.

Presente #2 Um conselho – que recebi da minha mãe

O segundo presente veio em forma de um conselho. Minha mãe havia pago aluguel durante os 14 anos de sua vida de casada. Só teve casa própria depois de viúva. Assim que comecei a trabalhar, assumi uma pequena parcela das contas familiares. Pequena mesmo.

Quando ela percebeu que eu estava namorando ‘sério’, me chamou à parte e disse o seguinte:

“Filho, dentro em breve você vai querer se casar. Eu já penei pagando aluguel, e não quero que você passe pela mesma experiência. Por isso, comece logo uma poupança para comprar sua casinha. Enquanto isso, não precisa mais ajudar em casa.”

Segui seu conselho. Com a poupança de pouco mais de um ano, consegui comprar uma casinha. Ainda hoje desfruto o resultado daquele conselho, ao lado de minha esposa, nossos 4 filhos e nossas 2 cadelas...

Presente #3 Um abraço – que recebi do meu filho

O terceiro presente veio por ocasião do falecimento de minha mãe. Voltando do cemitério, resolvemos mexer nos pertences dela (infeliz idéia). Meu irmão e eu nos derretemos em prantos.

Voltei para casa, sentei-me na beirada da cama, e aquelas lembranças retornaram, me fazendo chorar novamente. Um de meus filhos que na época tinha 3 anos, veio em minha direção e me abraçou com seus minúsculos bracinhos. Ficou batendo com a mão em minhas costas, como fazíamos com ele para acalmá-lo em momentos de choro.

Sem dizer uma palavra ele me mostrou que me compreendia, e o quanto se importava comigo.

Um presente que deu certo

Enquanto eu estudava sobre este assunto, uma amiga ganhou seu primeiro filhinho. Resolvi presentear a família com um diploma personalizado para o recém-nascido e uma carta aos pais.

Pesquisei o que havia acontecido de interessante naquele dia nos anos anteriores e quais personalidades famosas haviam nascido na mesma data.

Como estava trabalhando temporariamente numa cidade que não conhecia muito bem, passei meu horário de almoço procurando o tipo de papel adequado para o presente.

Após o expediente, permaneci no escritório, escrevendo. Sem ter acesso aos Correios, pedi a um amigo que postasse o envelope para mim.

Dias depois, fiquei sabendo que o casal havia gostado tanto do presente que resolveram incluí-lo como página de abertura do livro de recordações do bebê.

Por estas e outras, cheguei a conclusão que um presente torna-se significativo quando se consegue ver além ou através dele, quando percebe-se que o doador se importa o suficiente para fazer um sacrifício pessoal sem pedir nada em troca.

Como doadores, o que podemos sacrificar?

Simples: Nosso tempo, recursos ou talentos

Há alguns anos, convidei uns amigos para fazer uma serenata para minha esposa no aniversário dela. À meia-noite em ponto, ouvimos os primeiros acordes de um violão bem dedilhado junto à janela do quarto. Ao abri-la, nos deparamos com uma dúzia de amigos sorridentes. Comemos e cantamos juntos até as duas da manhã.

Embora a maioria destes amigos esteja morando longe atualmente, todo ano nos lembramos do empenho deles em nos tornar para nós aquela noite tão especial.

Quanto tempo meu amigo treinou para tocar tão bem o violão e animar a serenata?

Você pode começar hoje a preparar os presentes que dará no futuro

Um ex-combatente relatou que, durante a guerra, havia acabado de receber uma carta quando ouviu uma granada explodir. Os inimigos haviam feito uma emboscada e caíram sobre eles. Ele guardou a carta sem nem mesmo olhar o remetente, e partiu para a luta.

Quando por fim conseguir retornar a trincheira, sentou-se entre os sobreviventes e abriu a carta. Nela, sua mãe dizia-lhe haver recebido a impressão de que se ele agisse corretamente, o receberia de volta ainda com vida. Ele guardou a carta pelos anos vindouros como um verdadeiro tesouro.

Ao prestar um serviço voluntário por dois anos no Nordeste do Brasil, recebi de minha mãe cartas semanalmente. Ainda tenho 64 delas guardadas comigo. Em algumas, ela simplesmente desabafa sobre o seu dia-a-dia. Mas a maioria delas me faz sentir revigorado a cada vez que as leio.

Comece hoje a preparar seu presente...

Gostaria de inspirar alguém através de uma carta ou email? Quanto tempo levaria para desenvolver esta capacidade?

Alguns de nós teremos filhos em situações semelhantes no futuro, trabalhando ou estudando longe de casa, precisando de uma palavra de encorajamento e consolo, ou de um pouco mais de visão para tomar uma decisão importantes na vida.

Mensagens que fazem a diferença em momentos assim não poderão ser escritas uma hora antes de serem enviadas. Precisam ser cultivadas com o tempo. Precisam ser escritas e reescritas vez após vez.

Decida trocar seu tempo atual por algo de valor eterno. Desenvolva uma habilidade – escrever, tocar um instrumento, jogar um jogo de tabuleiro, compreender uma ciência ou esporte. Após dominar uma nova habilidade, poderá utilizá-la inúmeras vezes para tornar melhor a vida de alguém!

Pratique fazendo um telefonema, um trabalho manual, um poema, um cartãozinho, um marcador de livros, um livro com sua dedicatória, uma carta, uma dobradura, um presente embrulhado de forma original. Até mesmo proteger o bom nome de alguém durante uma conversa informal pode ser um presente valioso.

Voltar aos bancos escolares pode significar o sacrifício do orgulho pessoal, ou do seu programa de TV favorito, em prol de melhores condições futuras para você e seus familiares.

O abandono de algum mal hábito inspirar um amigo que esteja precisando apenas de um bom exemplo para tomar a mesma decisão. Quem sabe o presente que seu filho vai precisar para não ceder à pressão dos colegas?

Certa vez, li uma pesquisa indicando que os não-fumantes vivem em média 7 anos a mais do que os fumantes. Assim, parar de fumar pode significar sua presença por mais 7 natais junto aos seus filhos, genros, noras e netos.

Deixar de beber ‘socialmente’ também tem suas vantagens. Pode significar trocar as conseqüências de atitudes impensadas por momentos de sobriedade e diversão em companhia da família.

Se você teve o interesse de ler até aqui, tem condições suficientes para tomar uma decisão consciente. Seja lá o que decidir fazer, faça. Para alguém, vai se tornar inesquecível como aquele conselho que recebi da Mãe, o abraço daquele filho querido, ou quem sabe...

Aquela bola branca ao lado do guarda-roupas.

O que você pode fazer:

Pense nos presentes mais significativos que já recebeu
Decida presentear alguém imediatamente com um gesto simples
Comece a desenvolver uma habilidade para presentear alguém no futuro

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Charlles Nunes
Enviado por Charlles Nunes em 06/10/2007
Código do texto: T683262
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Sobre o autor
Charlles Nunes
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil, 48 anos
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Charlles Nunes