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Deixem Entrar as Borboletas

Fim de semana, entre uma atividade e outra, comecei distraidamente a cantarolar uma antiga canção do Benito Di Paula: “Sou como a borboleta, tudo o que eu penso é liberdade...” e silenciei-me, absorto na tarefa que realizava.  Meu filho de 6 anos, aproximando-se, disse:

“Pai, canta este pedacinho de novo?”
“Que pedacinho?”
“Esse, da música que você ‘tava’ cantando.”

Como nem me lembrasse da mesma, tentei uma outra qualquer.  Ele objetou: “Essa não, a outra, da borboleta.”

Desta vez, acertei: ‘Não quero viver maltratado, nem exportado desse meu chão...”

Para minha surpresa, ele continuou:
“Minhas asas, minhas armas...”, e já não me lembro do restante.

Que descoberta agradável, ouvi-lo dizer que a aprendeu na escola.  Fiquei a imaginar que escola boa deve ser esta, em que há menos vovôs vendo aquelas eternas uvas, e onde se permite que as crianças conheçam os versos do Benito.  Que bom saber que lá dentro tem gente que pensa, que sente, que ama tantos pequeninos de lares diversificados, e que faz o melhor de si para proporcionar crescimento aos filhos dos outros como se fossem deles mesmos.

Quando esta garotada crescer, vão se lembrar de tantas ‘tias’ queridas e suas  lições de vida.  Quanto estiverem com os hormônios em fúria, talvez acreditem, como nós o fizemos, naquelas propagandas de creme para espinhas.

Talvez se apaixonem uma ou duas vezes por mês e, eufóricos, até cometam alguns versinhos, pensando que ‘desta vez é prá valer.’ Talvez encarem um subemprego, ou uma seqüência deles.  Quem sabe farão os mesmos erros e acertos de todos nós, já ‘rodados’ nesta estrada da vida?

Consolador é saber que há vida na sala de aula.  Que poderemos um dia nos sentar na grama com nossos alunos e compartilhar pensamentos, sentimentos e recordações, contar uma boa piada ou até torcer pelo Brasil – ainda que seja  em época de copa do mundo.

Davi, Meu Amiguinho, que viveu vendo aquelas inumeráveis uvas e a esta altura já deve ser mais um pacato vovô, contemple feliz de sua cadeira de balanço o desabrochar do século XXI, pois agora há borboletas nas salas de aula!!!

Continuemos a abrir nossas janelas para o mundo e, ao fazê-lo, abramos as janelas da alma.  Deixemos entrar as borboletas e, com elas, o sentido real da vida.

Que haja menos cartilhas engessadas, cheias daquelas malditas uvas, e mais ‘tempo pra gente ser mais, muito mais do que grandes amigos’, mas verdadeiros irmãos, pais e filhos, talvez.

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Charlles Nunes
Enviado por Charlles Nunes em 06/10/2007
Código do texto: T683684
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Sobre o autor
Charlles Nunes
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil, 48 anos
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