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O QUE É ABORTO?

O que é aborto?

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra aborto significa “ação ou efeito de abortar; dolosa interrupção de gravidez, com ou sem expulsão do feto; produção imperfeita; coisa fora do comum”. Esses significados ampliam o leque das questões as quais queremos rotular de aborto e, nos leva a seguinte pergunta: Quantos abortos você praticou, só, hoje? Um só que é individual; um só que é apenas; um só que não tem volta. Como a ação abortiva acontece não percebemos, ela se traveste de solução para problemas, mais presentes do que futuros, camuflados por nuances que atesta uma condição de equilíbrio onde o agente do aborto é elemento único na situação, portanto, o único a decidir sobre o certo e o errado; sobre o bem e o bom. Não são enxergados os abortos sociais que estão a nos rodear provenientes de uma sucessão de abortos.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará, um dos determinantes do aborto provocado por mulheres em localidades da região Nordeste do Brasil, é o uso do misoprostol, droga licenciada para o tratamento de úlceras gástricas e duodenais. Essa pesquisa compreendeu o período de 1 de outubro de 1992 a 30 de setembro de 1993, mas, apesar de decorridos treze anos apresentam estatísticas nada diferentes da realidade de hoje, pois os problemas que entremeiam  a questão do aborto não foram resolvidas, sempre se coloca rebocos em buracos aparentes sem cuidar da parede completa. Os dados coletados na referida pesquisa são os seguintes: 4,3% eram analfabetas; 73,2% tinham até 08(oito) anos completos de estudo; 91,6% eram compostos por católicas; 61,5% viviam sozinhas ou não tinha uma união estável; 34,0% a ocupação era de dona-de-casa; 10% eram estudantes. Aqui não foram colocados os dados relativos à venda de remédios, que segundo a pesquisa é fácil adquirir nas farmácias. Sabemos que hoje esses remédios ilegais são adquiridos com mais facilidade através da internet.
Quando nos deparamos com estatísticas apontando para uma realidade, aqui endosso o ministro da saúde, José Gomes Temporão, ao dizer que “estamos vivendo uma situação de calamidade pública”, tudo toma proporções maiores obrigando, por assim dizer, a sociedade ficar de frente a esse contexto sócio-político educacional, não isentando ninguém  da sua responsabilidade perante essa sociedade construída e sustentada por nós, aceitando e acatando os seus vários tumores abertos sem reclamar e tão pouco agir para fazer sarar.
Diante disso, é impossível tratar o aborto como questão única sem levar em consideração todos os implicantes, e não apenas legalizá-lo para livrar todos do fogo do inferno e dos pecados. A possibilidade em lidarmos com essa situação vai muito além daquilo tido como ideal, talvez numa medida emergencial, legalizar o aborto fosse o início de uma discussão, abrindo o problema para que a sociedade chegasse a um melhor entendimento contextualizando os implicantes ligados diretamente a abordagem-aborto- e, com isso, enxergasse muito mais do que pecados malditos; do que probleminhas desconfortáveis que atrapalham a juventude e o sexo livre. Seria, então, uma postura de assumir os seus atos redescobrindo-se capaz de enfrentar os problemas sem deixar-se levar pelas falsas ilusões de livrar-se de inconvenientes sem ter que responder por eles, como se sua vida estivesse sendo zerada e recomeçando em caderno limpo. Mas, onde está o resto da sua história? Abortou-a numa clínica infecta? No sanitário sujo? Ou jogou-a no lixo para, também, ser reciclada depois de apodrecer  toda sua carne?
Há no Ministério da Saúde, em vigor desde 2004, uma Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, tendo como idéia  qualificar a atenção às mulheres em processo de abortamento e diminuir a mortalidade materna, segundo a técnica especializada em saúde da mulher do Ministério da Saúde, Regina Viola, “Não se trata de legalizar o aborto, mas de padronizar o atendimento das mulheres em situação de risco, que procuram o SUS com complicações de aborto”, Não vemos essas ações executadas em nossos hospitais, ou pelo menos, não temos conhecimento, mas, por que o governo está se posicionando a favor do aborto se a execução dessa técnica ainda não refletiu sobre a sociedade? Quem vai assumir a decisão de legalizar o aborto nesse país? Sabemos que com o aborto fetal, vêm juntos os abortos que o homem pratica todos os dias e passa por cima sem recolher a placenta da sociedade que chora órfão das leis que as defenda e dei-lhes dignidade.

                                                                                                                                                    Elvira Pereira de Araújo


Elvira Pereira de Araújo
Enviado por Elvira Pereira de Araújo em 11/10/2007
Código do texto: T689785

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Sobre a autora
Elvira Pereira de Araújo
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 53 anos
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