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CENSURA BURRA OUTRA VEZ!

       
Final de noite do dia 16 de maio de 2007, como de costume, estava assistindo a TV Cultura, quando o texto com a legenda indicando uma censura de 14 anos para o programa Provocações, apareceu na tela, acompanhado da informação sonora de que o programa a ser apresentador continha “imagens inadequadas” para aquela faixa etária. Não acreditei, e acostumado a assisti-lo, nunca tendo visto imagem alguma que fosse imprópria para aquela idade, resolvi pagar para ver.
            Por tratar-se de um programa de entrevista, que quando muito apresenta algumas imagens externas com a opinião de populares, no quadro “vozes das ruas”, tomei de um lápis e de papel e resolvi anotar o que iria ser dito, pois só pela palavra é que poderiam vir a classificá-lo como sendo  inadequado para menores de 14 anos. Como eu supunha, nenhuma imagem inadequada foi exibida, a menos que na visão canhestra dos censores, a imagem dos três senhores de cabelos brancos que apareceram no programa (os teatrólogos Antônio Albujamra e Roberto Vignato e o poeta sergipano Santo Souza) possa ser considerada por essa nova-velha crítica burra da classificação, como sendo algo inadequado. Com tal indicação sugeriram que uma criança de 13 anos não devesse conhecer a importante figura que é Roberto Vignati para a cultura desse país, ele que tem em seu currículo a direção de mais de 140 peças teatrais e vários programas de televisão. Por ventura teria sido a crítica explícita à atual programação da televisão comercial brasileira, feita por Vignati, que suscitou tal classificação? Julguem vocês mesmos, pois passo a transcrever alguns trechos do que ele disse:
                “A TV que está sendo feita neste país só leva ao caos em que o país está.”
                  E Albujamra acrescentou: “É a estética da pobreza. Não foi desvirginada, ainda.”
               Em seguida falaram  sobre literatura, sobre a música de raiz de João Pacífico, sobre teatro, e finalmente, referindo-se à censura que sofrera durante o período da ditadura, mencionou a peça “Pena que ela seja uma P”. E traduziu o P. da expressão. Teria sido isso o que motivou os censores de hoje a classificá-la em imprópria para menores de 14 anos? Ou teria sido o que disse ao finalizar a sua entrevista: “O ser humano é o único animal que não deu certo. Está na hora dos políticos criarem vergonha.”
                    A entrevista com o poeta Santo Souza foi ainda mais amena. Ele falou que acredita em reencarnação; que teria vivido em Atenas várias vezes, que criara um alfabeto próprio que coincidentemente continha 12 letras gregas; que teria feito um busto de Ésquilo, etc, etc. Novamente nada que uma mente sã pudesse considerar ofensivo ou inadequado para qualquer faixa etária.
E por que escrevo sobre isso? Porque não dá para deixar de se indignar com censores que classificam por exemplo, a infindável novela Malhação ou uma outra que passa às 18h, ambas da Rede Globo, como de classificação livre. São os mesmos que dão aos desenhos violentos das mesmas TVs comerciais, em horário matinal e vespertino, a classificação de livre.  Que diabos de critério é este? O que está por traz disso? Dez vezes mais nocivos à formação de uma criança ou adolescente são estes programas e não aquele. Finalmente digo aos censores, que ninguém sabe quem são,  se como pai, e agora de todo estou certo, estivesse a reboque da classificação que querem me fazer crer, adequada ou inadequada, triste seria a formação intelectual e moral de minhas duas filhas. E viva a TV Cultura, esta não necessita de sua imoral e burra censura.                                                                                  
Marcos Cavalcanti
Enviado por Marcos Cavalcanti em 15/10/2007
Código do texto: T695087

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Sobre o autor
Marcos Cavalcanti
Santa Cruz - Rio Grande do Norte - Brasil, 44 anos
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Marcos Cavalcanti