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A POLÍTICA, OS POLÍTICOS, A INCOMPETÊNCIA... E O POVO QUE SE DANE

Lúcio Alves de Barros

Aristóteles (366 ou 367 a.C.), filósofo grego, em sua obra Política afirma que nas eleições uma escolha acertada somente é possível aos que sabem e que possuem o conhecimento e a prática da virtude que, por conseqüência, pode resultar em uma cidade virtuosa. O contrário é trágico e dramático. A ignorância e a incompetência dos cidadãos é o veneno perfeito para aniquilar a possibilidade de uma cidade (ou Estado) assentada em princípios virtuosos. Em outras palavras, cidadãos enfermos, cidades e governos doentes.

Convenhamos, mas se o filósofo grego estivesse entre nós, assistindo aos enfadonhos e obrigatórios programas de TV ou mesmo tendo conhecimento de alguns programas de governo teria amargamente se arrependido do que disse. Felizmente, ou infelizmente, afinal há gosto para tudo, no grande e complexo sistema político estamos por natureza condenados a viver a triste possibilidade de errar na escolha dos candidatos que vão governar o nosso dinheiro e os imperativos de nossa vida pública e privada. É antiga a percepção de que não é difícil detectar a incompetência, o despreparo e a verdadeira “cara de pau” de homens e mulheres que teimam em parecer que possuem a capacidade e a potência para ser um governante, seja ele um deputado, senador, governador ou presidente. Para a maioria dos seres humanos, digo daqueles que possuem um pouco de racionalidade, é mais do que perceptível que a “coisa está feia” e que o rio não está para peixe em meio a tanto jacaré.

Não é preciso muito tempo à frente da perversa telinha para se surpreender diante de determinados atores políticos - antes autoridades "respeitáveis", de “família”, “éticos”, “religiosos” e "responsáveis" na sociedade - que, apesar de lotados de denúncias de corrupção, novamente se colocam como verdadeiras alternativas santas de poder, chegando ao cúmulo de mostrar a inexistência de culpa, a falta de vergonha e a audácia rumo à conquista de velhos e de novos votos. Os politicólogos, obviamente, sabem que esse é o jogo do poder e, por natureza, o homem é um ser político. Contudo, envernizados pela tinta da humanidade e da sempre possível arte do “contraditório”, esses candidatos parecem pedir clemência, perdão a Deus e ao diabo a ponto de se colocarem como verdadeiras vítimas de processos de perseguição que não tem fim. É o que chamo de paranóia política, na qual falar que está sendo perseguido pelos mais importantes e perigosos donos do poder aparece como desculpa e uma bela imagem de coragem e onipotência.

Contudo, a massa, o povo, a famigerada e porca sociedade civil organizada, a população, chamem como quiser, é burra, alienada e incompetente na escolha das autoridades. É absurda como a maioria dos homens e mulheres se deixa comover com o teatro de vítimas e não de predadores que, novamente, assumirão o poder e, quiçá, continuarão as práticas das mesmas falcatruas. Peçamos a Deus, onipresente em todas as religiões, para que isso não aconteça.

Como a política não é para principiantes e sempre há espaço para o imprevisível é plausível perguntar quem são os reais incompetentes da história: o povo? Ou os candidatos escolhidos para administrar os interesses da massa? Lamentavelmente, a resposta faz parte do resultado do pleito eleitoral. Diante da pouca fortuna que vem acometendo o povo brasileiro é possível que, novamente - e o campo midiático não cansa de mostrar as evidências disso - vamos ter que suportar e sofrer as conseqüências da incompetência deles ou da nossa. Em tempos de desesperança louvemos a "São Aristóteles" no intuito de novamente explicar o caminho a Deus, porque, pelo menos nesse campo, o Senhor deve estar envergonhado de ser chamado de brasileiro.
Lúcio Alves de Barros
Enviado por Lúcio Alves de Barros em 27/10/2007
Código do texto: T712136
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lúcio Alves de Barros