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Corrupção, um doença sem cura

Lúcio Alves de Barros

Vamos ser francos: a corrupção, apesar de toda indignação e do mal-estar que produz, há muito já se alastrou e faz parte do cenário político, econômico e social brasileiro. Dos famigerados sanguessugas à quadrilha do “mensalão” oriunda do PT (Partido dos Trabalhadores) certamente, na passagem de alguns anos, teremos somente lembranças. A questão é que os casos de corrupção nesse território são históricos e, infelizmente, a memória de nosso povo é carente de lembrança.

Que a maioria do povo brasileiro é sofrida não resta nenhuma dúvida e, tampouco, é novidade, mas as autoridades, os funcionários públicos de baixo e alto escalão e os integrantes da chamada sociedade civil bem que poderiam, diante do erário público, ajudar um pouco: que roubem menos, que não deixem as pessoas cientes das falcatruas ou que distribuam aos pobres e aos mais necessitados uma parte do que furtaram. Esse é um pequeno apelo que faço aos corruptos que estão por vir e que já se encontram ajeitados nas várias instâncias estatais. Não estou fazendo apologia à corrupção, nem defendendo o “rouba, mas faz”. O que importa é deixar claro que a corrupção é fenômeno normal e, certamente, está presente em todas as sociedades. O problema reside é em sua total falta de controle. Mais que isso, quando o processo de corrupção se torna patológico é inevitável a preocupação quanto a permanência e vitalidade das instituições democráticas. Este cenário é conhecido em nosso país. Nem é preciso ir longe: lembremos de Getúlio Vargas, em seu primeiro governo ditatorial que se afundou em corrupção, ou mesmo no segundo que, infelizmente, resultou em sua morte. Lembremos do micro governo Jânio Quadros, que se elegeu na base de uma vassoura “limpando a corrupção” ou mesmo do governo João Goulart, assentado em uma “esquerda” duvidosa e de cunho trabalhista a qual não deixou de sugar o Estado em favor de uma classe média medíocre e hipócrita, sem mencionar os incontáveis e exacerbados gastos dos governos militares, da vergonhosa situação política porque passou o país no governo Collor e da bandalheira pura e simples que nos meteu o governo Lula.

Desculpe o leitor as duras palavras, mas em um país no qual as pessoas deixaram de falar, reivindicar, ler ou escrever - e quem se arrisca a dizer algo na contra mão do poder é perseguido -, tudo é possível. Atualmente se discute nos meios acadêmicos "mais avançados" os processos de controle e de responsabilização dos agentes do Estado. Não creio que no Brasil estejamos perto de criar tais mecanismos. Pelo contrário, nossos governantes sequer são preparados e estão distantes de aprovar dispositivos que podem vigiar e revelar a quantas anda o mandato. E não pensemos que a questão em apreço se reduza somente ao campo dos agentes estatais. Cumpre ao que hoje acreditamos ser a sociedade civil organizada a parcela de responsabilidade neste processo. Na verdade há dois caminhos: (1) deixar o trabalho para que os próprios legisladores discutam ou (2) mobilizar os atores sociais na clara tentativa de elaborar mecanismos de accontability (“prestar contas a”, “responsabilizar algo ou alguém de”) visando responsabilizar, culpar, punir e controlar o espectro da corrupção. Obviamente corremos risco, pois são antigas as ligações patrimoniais vigentes no país, a ponto de ser lugar comum perguntar: em que medida é possível o controle do nepotismo? A compra de grande parcela de votos? O uso privado do erário público? A vergonhosa ação da grande parte da “sociedade civil” sempre atenta aos bons dividendos e recursos do Estado? É possível não se corromper diante da inexistência de um projeto político e de um cenário no qual a maioria passou a achar como natural a roubalheira?

Por falta de espaço não vou me aventurar na esperança de descortinar a natureza humana. Contudo, temos uma boa chance para, pelo menos, diminuir um pouco o câncer da corrupção. Como remédio, os leitores sabem da proximidade das eleições. Não custa dar uma boa olhada na bula, perceber o princípio ativo do medicamento e verificar os candidatos que se assemelham a bactérias, vírus, fungos, etc. Errar na medicação é imbecilidade e, como sabemos, todo remédio carrega os seus efeitos colaterais. Se a população brasileira tem vocação para sofrer, sinceramente não sei. Todavia, não é possível que ela continue a suportar tantas patologias. Não há corpo que suporte tamanho investimento em medicamentos. Pior do que adoecer é permanecer na doença e não lutar contra ela. Mais que isso, é achar que o paciente pertence à doença e não a doença ao paciente. É claro que escrever é fácil e modificar é difícil. Contudo, diante da corrupção lembre-se do poder do voto. Não o jogue fora: pesquise nos jornais, observe a Internet, não se iluda com a televisão. Caso encontre um nome ou uma foto de um candidato que possa estar direta ou indiretamente envolvido em corrupção, se esforce, busque as informações, ligue para o candidato ou mande uma carta (um e-mail talvez) solicitando maiores informações. Lembre-se que nós pagaremos a conta. A culpa da corrupção desenfreada é coletiva. Não pensem que todos os seres humanos são equipados com os imperativos morais de Kant ou de Jesus Cristo. Logo, duvide, coloque o dedo, pergunte, pois nós é que vamos pagar a conta dos medicamentos que, certamente, não matarão o câncer da corrupção, mas é possível a garantia de uma boa qualidade de vida apostando, pelo menos, no controle e no cuidado que se deve ter com esta doença.

 
Lúcio Alves de Barros
Enviado por Lúcio Alves de Barros em 31/10/2007
Reeditado em 01/04/2008
Código do texto: T717602
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Sobre o autor
Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lúcio Alves de Barros