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O desejo de se exibir enobrece a alma

O desejo de se exibir enobrece a alma

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O Orkut faz sucesso porque as pessoas se expõem. Milhares de mulheres tiram fotos nuas e se revelam frente às outras pessoas. Milhões de blogs revelam o que milhões de pessoas pensam. Muitos mentem. A maioria faz tipo. Todos escolhem o que revelar e o que esconder. Mas, em meio a tanto disfarce, a verdade se faz presente. Nem sempre verdades que podem enriquecer a vida das pessoas. Alguns são patológicos, como os pedófilos. Outros dissociados da realidade, como os muitos doidões que habitam a Web. Mas, em meio a tanta névoa, a verdade se faz presente. Pois os patológicos falam da sua verdade. Os legais também. Assim como os chatos. Ou os feios. Ou os lindos. Ou qualquer um.

De qualquer forma existe uma barreira a superar quando as pessoas resolvem se exibir: elas devem apresentar algo que acreditam que alguém vá valorizar (positiva ou negativamente). É um exercício de valorização do que possuem. Se uma mulher pousa nua para um amigo e mostra para as câmaras suas pernas e nádegas nuas (sem tratamento fotográfico) é porque reconhece ali muitas qualidades. Ela acredita que poderá ser motivo de desejo e de tesão.

Este reconhecimento leva a um maior usufruto da vida, pois diminui a força de dois grandes estraga prazeres da vida humana: a vergonha e o medo do abandono. A vergonha nos inibe, dificulta sermos quem nós somos. Nela a prioridade é a opinião e a reação dos outros. Tenho um exemplo pessoal muito significativo: quando comecei a gostar de poesia tinha vergonha de comentar com a maioria de meus conhecidos e ser motivo de gozação por parte deles. Eu era adolescente e pouco maturo. Hoje tenho orgulho de gostar de poesias e sei que elas tornam minha vida um pouco melhor.

Medo do abandono. Este medo acompanha a maior parte das pessoas e soa como uma chantagem: se você for diferente do que os outros querem eles irão te abandonar (criticar, desprezar, não gostar, etc). Este medo impede as pessoas de serem elas mesmas. Elas começam a ter o desejo de se adequarem a uma imagem externa a elas e perdem a espontaneidade, a vocação interior, a alegria e a auto-estima. Isto é muito comum nas pessoas que querem fazer plástica e falam que querem se sentir melhor: é verdade, como elas não se valorizam e não sabem quem são, elas tentam desesperadamente ser o que não são.

O medo do abandono persegue todo ser humano, homem e mulher, simplesmente porque é uma lei da vida. Poucos nos amam a ponto de nos aceitarem plenamente. Porém, o medo do abandono é um medo idiota. Se a pessoa for verdadeira ela terá mais chances de criar vínculos verdadeiros. Se ela for uma farsa ou só fizer tipo, ela terá mais chance de criar vínculos frágeis, baseados na mentira, na máscara ou em um tipo.

É por isto que a coragem de se exibir ajuda a pessoa a ter a coragem de ser ela mesma. Ela percebe, com o passar do tempo, os bons resultados de ser ela mesma. Acontecem algumas perdas, que abrem espaço para o nascimento de novas conquistas. Me lembro de um amigo homossexual que trabalhava em uma firma de auditoria e que um dia “saiu do armário” e se revelou apaixonado por um colega de trabalho. No foi motivo de zombaria e de alguns preconceitos. Todavia nunca se sentiu tão feliz como naqueles dias. Com sua revelação acabaram-se todas as dúvidas que nutriu durante anos sobre sua sexualidade. Sua vida se transformou, ganhou alguns preconceitos e ganhou sua liberdade, sua auto-estima e sua auto-afirmação. Um dia ele virou chefe daqueles que lhe sacaneavam...

Eu me lembro da conversa que tive com este amigo gay. Ele lamentava ter revelado sua paixão. Eu disse a ele a célebre frase do líder anarquista russo Piotr Kropotkin: “a liberdade exige paciência. Ao romper os grilhões da opressão as perdas (punições) vem rápido e as conquistas ainda estão germinado e se fortificando para poder florescer”. Ou seja, disse: “seja paciente, perseverante e observador” (que é uma das qualidades do Livre Pensador).
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Chicão Dois Passos
Enviado por Chicão Dois Passos em 18/11/2007
Código do texto: T741845

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Sobre o autor
Chicão Dois Passos
Campinas - São Paulo - Brasil
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