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CARTA AO AMBIENTALISTA


Meu caro Francisco Anselmo Gomes de Barros:

A partir de agora passarei a tratá-lo de Francelmo, como você gostava e era apresentado. Eu não o conheci pessoalmente, jamais nos encontramos, nem sequer sabíamos da existência um do outro. Somente agora, após seu ato heróico me tornei seu admirador.  Sua morte trouxe ao meu conhecimento e também a muitos, a sua ideologia, a sua luta em defesa da ecologia e especialmente do Pantanal.

Porém, interesses escusos, divulgados como beneficiosos na criação de empregos ou no desenvolvimento da região e outras mentiras tantas simbolizaram a arma que você usou para dar fim à sua vida: álcool!

Francelmo!, embeber as suas vestes com álcool carburante, em plena rua Barão do Rio Branco, no centro Campo Grande, num dia de sábado e atear fogo, queimando seu próprio corpo e suas mágoas, suas decepções para fazer com que fosse ouvido pelo mundo todo, foi um ato de extrema coragem que muito pouca gente  faria. Eu não teria essa firmeza de espírito, eu não teria essa bravura, esse denodo. Mesmo assim, meu caro Francelmo, não posso aprovar tal atitude, mas irei sempre e sempre referenciá-lo, transmitindo a todos que me ouvirem, a sua proposta, a sua bandeira, o seu ideal.

Porém hoje, passados alguns dias de seu ato heróico, tomo conhecimento que a malsinada proposta feita está se esvaziando e não deverá prosperar, seja pela inconstitucionalidade da projetada lei, seja pelo temor de mais desagradar do que contentar ou mesmo para “deixar quieto” por algum tempo. Por isso, Francelmo, assisto alguns políticos e seus correligionários (entenda-se aqui como pucha-sacos) e também grupos econômicos interessados na alta lucratividade do empreendimento, recuarem.  Recuo estratégico, pode estar certo, pois canaviais e usinas de álcool e açúcar são altamente rentáveis e contam com os beneplácitos da legislação tributária em suas atividades, após o que surgirão novamente dos restos das cinzas os arautos das falsas informações, divulgadas pela voz, pelo vídeo e pelo escrito, tentando convencer-nos novamente que é necessário implantar refinarias sucroalcooleiras na bacia do Rio Paraguai, nas imediações do santuário ecológico denominado pantanal e que nada irá acontecer em sua degradação, pois a atual tecnologia impedirá qualquer desastre, esquecendo eles que com todo o rigor e técnicas empregadas no milionário sistema de refino e transporte de petróleo, constantemente assistimos desastres brutais no ecossistema marítimo.  Se ainda acontece ali, não acontecerá aqui? Não me engane que eu não gosto!

Será então, a hora em que você Francelmo, estará presente novamente em defesa da ecologia, por nosso intermédio e de muitos outros que se postam na defesa da natureza.  Levaremos o seu exemplo de vida e empunharemos a bandeira do objetivo de sua morte sempre e contra a agressão do meio ambiente, crendo que assim estaremos, em seu nome, junto do seu ideal.

Mas aceite, Francelmo, a verdade que no meio do lamaçal ainda existem autoridades e pessoas influentes, honestas, moralmente irrepreensíveis que não atolaram na mistura pegajosa dos interesses particulares ou no cumprimento de compromissos políticos e estão aí para nos ajudar sempre, como fizeram nesta fase, quando você foi vitorioso com todos os méritos, mas que não necessitava ser com o sacrifício da própria vida, não precisava mesmo!

Abraços celestiais de seu admirador, Flavio
FLAVIO DIAS SEMIM
Enviado por FLAVIO DIAS SEMIM em 24/11/2005
Código do texto: T75938
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Sobre o autor
FLAVIO DIAS SEMIM
São Paulo - São Paulo - Brasil, 78 anos
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FLAVIO DIAS SEMIM