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Por Uma Nova Educação



Educar deveria significar conduzir, guiar, ao invés de impor, inculcar; muito mais amplo do que definir, colocar limites. Não é conveniente encarcerar conceitos em definições estáticas e transmiti-los friamente aos educandos como coisas mortas, folhas murchas com as quais se marca as páginas da própria história.
Um novo método pedagógico deveria orientar e guiar os jovens através de um caminho que os conduzisse para encontrar dentro de si as próprias capacidades e desenvolvê-las.  Tudo o que é imposto é frio, dogmático, sem vida. Tudo o que é proposto, sugerido, com o intuito de guiar a reflexão e a inteligência do educando para que chegue, por própria conta, aos conhecimentos e às mudanças que devem operar-se no indivíduo, traz a vida e a alegria que a Natureza nos ensina em sua constante transformação.
Enclausurar Deus, por exemplo, numa definição, resultaria pequeno, muito pequeno; não basta, apenas, senti-lo, mas, sobretudo, aproximar-se dele através do conhecimento do que nos cerca e, especialmente, do que somos e do que podemos chegar a ser.
“A Sabedoria de Deus está plasmada na Criação, enquanto que a do homem consiste em conhecê-la e servir-se dela para superar as etapas evolutivas de seu gênero”, escreveu o pensador C. B. González Pecotche.
Não se trata, pois, de receber definições e enclausurá-las em frios compartimentos mentais, senão conhecer os conceitos e experimentá-los através da compensatória tarefa da própria transformação pessoal. E conclui o pensador que o  homem busca o conhecimento “porque é o meio pelo qual chega a compreender a sua missão e a sentir a presença em sua vida deste ser imaterial que responde ao influxo da eterna Consciência Universal e é portador, através dos tempos, da existência individual.”
Portanto, o conhecimento move o homem para que se eleve, para que deixe de ser o que é  para ser algo melhor; e é o grande agente criador das possibilidades humanas.
As frias definições afastam o ser humano da verdade, enquanto que o conhecimento amplia os horizontes aproximando o homem de si mesmo, de seus semelhantes e de Deus.
Uma nova Pedagogia requer a reeducação dos adultos que terão a seu cargo a instrução da humanidade do futuro. O que tem sido prática corrente na educação infantil deverá ser revisto, estudado novamente. Os sistemas de instrução e os conceitos básicos empregues não têm funcionado convenientemente. Instrui-se para tudo; menos para o que mais interessa: a convivência pacífica entre os seres humanos.
A humanidade está dividida em raças, religiões, camadas sociais, culturais, partidos políticos, etc. Os sistemas pedagógicos são divisionais, separatistas. Cada agrupamento arvora-se como dono absoluto da Verdade única. Não compreende que a Verdade única surge da união dos seres humanos pela compreensão de sua realidade fragmentada da Grande Realidade Universal da qual todos formam parte.
Às crianças ensina-se, por exemplo, e equivocadamente, que devem ser as melhores em tudo o que fazem; melhores que as outras. Inocula-se assim, desde muito pequenas, o nocivo e maligno vírus do separatismo, de uma pseudo-superioridade; a ilusão da felicidade alcançada quando se chegar a ser mais e melhor do que os outros. O melhor da classe, o melhor no esporte, o melhor profissional, o mais admirado.
Na Pedagogia da Escola do Futuro, as crianças serão instruídas no sentido de serem melhores que elas mesmas; que o aperfeiçoamento pessoal tenha um cunho essencialmente humanista: ser melhor sendo mais útil para si mesmo e para os seus semelhantes; ser melhor para conviver harmonicamente com os seus semelhantes.
O amor ao próximo deixará de ser uma figura de retórica para representar a compreensão cabal de um fragmento da Grande Verdade e, como tal, será vivenciado, experimentado, e não apenas discursado e propalado.
Sem o entendimento não há compreensão. Sem compreensão não há realização. Sem realização, os seres humanos seguirão inimigos de si mesmos; filhos deserdados de um Criador que não chegaram a compreender.
Muitos educadores preferem a verdade à fantasia na orientação da infância e da adolescência. Compreendem que de tanto ouvir e transmitir fantasias e coisas irreais, a própria vida pode se transformar numa grande mentira.
Alguém diria a uma criança que a Terra não se move e que é o centro do Universo? Ou que os trovões existem porque os deuses estão empurrando móveis no Olimpo?
Na infância da humanidade os homens acreditavam nessas e noutras fantasias por ignorância, por falta de conhecimento. Galileu Galilei, o grande cientista italiano, quase foi queimado na fogueira por sustentar que a Terra não era o centro do Universo. Salvou-se porque abjurou, quer dizer, negou a verdade que havia vislumbrado para não ser condenado.
Infelizmente, a grande maioria dos educadores acha louvável a fantasia, a ilusão e o irreal nas histórias que transmitem às crianças: animais que falam, super-heróis que voam, desenhos animados que deseducam e transmitem a violência às crianças que depois, quando adultas, não entendem o porquê das crueldades e da violência que imperam no mundo.
A criança,  por si só, cria suas próprias fantasias porque em sua inteligência incipiente só funcionam a memória e a imaginação e seu entendimento ainda não despertou para que compreenda o mundo com suas belezas e maldades criadas pelo homem. Não é necessário que os adultos lhe venham acrescentar ilusões e mentiras que nada têm a ver com a realidade, e sim que a protejam de certas realidades cruéis deste mundo que não suportaria defrontar por não estar preparada para entender.
Conta-se que havia um pai muito cruel, de péssimo caráter, e que a zelosa mãe não deixava que seus pequenos filhos soubessem dessa realidade. Quando falava dele para os meninos, nunca deixava transparecer aquela realidade por compreender que eles deveriam crescer para poder, por própria conta, ter a capacidade de julgar o pai.
Proteger o entendimento e a sensibilidade de uma criança faz parte de uma docência positiva que afasta a criança do sofrimento pelo choque prematuro com a realidade. Da mesma forma, o seu entendimento deve ser preservado da mentira, do irreal e da ficção para que possa despertar, no futuro,  livre de preconceitos, temores e da depressão.
Educar para a vida é muito mais do que dar escola gratuita e ensino fundamental; é preparar os entendimentos para que despertem do sono milenar que tem submergido a humanidade na inércia mental e prostrados os espíritos nos cárceres da ignorância.

Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
andergatti@terra.com.br
Nagib Anderáos Neto
Enviado por Nagib Anderáos Neto em 20/12/2005
Código do texto: T88616
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Sobre o autor
Nagib Anderáos Neto
São Paulo - São Paulo - Brasil
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