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UM SONHO QUE NÃO QUERO ESQUECER - DEPOIMENTO

[REGISTRO DE UM SONHO, NA MANHÃ DE 10 DE JANEIRO DE 2006]

Levantei-me na madrugada, fui ao micro trabalhar um pouco. Cuidei dos bichos e resolvi me deitar novamente. Liguei a TV para ver o jornal e, de repente, adormeci, deixando a TV falando sozinha.

Aconteceu o sonho. Não sei bem sua seqüência. Eu estava numa casa parecida com a minha, talvez um pouco maior. Na cozinha, começava a pensar no preparo do almoço. Tocou o telefone, atendi ali mesmo. Era Maria Alice, uma amiga que já morreu. A gente não se via há tempos e ela lamentava isso. Contava coisas alegres de suas viagens pelo exterior. E qual não foi minha surpresa quando, ao caminhar com o “sem fio”, entrei na sala e topei com ela em pessoa, falando comigo ao celular. Rimos muito, ela desligou e continuamos a conversa. Ela estava muito bonita, animada, saudável, falante. Aliás, bonita e viva como nunca eu a vira antes.

Não sei de onde surgiu no ambiente um menino. Gostaria de descrevê-lo fielmente, não sei se consigo, pois de repente me senti encantada. Deveria ter no máximo quatro anos, cabelos encoracolados revoltos, um sorriso permanente no rosto, um sorriso que não se desfazia, que me atraía e deslumbrava. Me chamou de mamãe e eu expliquei para Maria Alice que o tinha adotado. Lembro-me bem de que eu estava confusa e ao mesmo tempo muito à vontade com aquela criança que falava e ria sem parar. Sentia a ternura dele comigo, seu olhar comunicava amor, amor que eu também sentia com muita força. Continuamos conversando os três, como que esquecidos do mundo e dos afazeres interrompidos.

Acordei aos poucos, ainda sem entender se aquilo fora um sonho ou uma nova realidade nesta vida que sinto acabando. Sei que eu desejava ardentemente que aquela cena se perpetuasse, que eu nunca mais voltasse à vida que vivo hoje.

Lamento, mas mais não posso explicar porque não saberia colocar em palavras a felicidade que experimentei durante esse sonho. Não me lembro de nenhuma palavra dita por ele. Sei apenas que era uma criança linda, não linda como beleza, mas linda como luz, como promessa, como um ser que não existe. Foi um tempo enorme que vivi nesse deslumbro, algo que nunca na vida me aconteceu. Ouvi a TV, como algo falando ao longe, fui retomando o caminho da realidade e percebi que dormira pouco mais de uma hora, certamente muito mais que a duração do sonho.

Ah, como eu queria que tudo isso acontecesse de verdade! Eu, que ando tão triste, me sinto outra, como se estivesse recomeçando. Eu, que vivo tão só, me sinto agora na mais doce das companhias. Gostaria de não ter acordado... Sou agora pura emoção!
Sal
Enviado por Sal em 10/01/2006
Código do texto: T96693
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
507 textos (44782 leituras)
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