Um dia ordinário

Um dia ordinário

Fábio era um rapaz comum. Classe média, estatura média, aspirações médias: tudo o que queria era completar a faculdade de Direito e arrumar um bom emprego. Quem sabe, passar em um concurso público! E, claro, também desejava conhecer uma boa e trabalhadora mulher para — obviamente — namorar, casar e ter filhos. No plural.

Em um dia desses, tão típico quanto todo o resto, Fábio tomou o ônibus de sempre para cumprir a rotina costumeira rumo à faculdade. Ele teve sorte, e algo quebrou toda aquela previsibilidade: o ônibus estava bem vazio. No entanto, mais um fato rachou padrões — e, também, outras coisas dentro do rapaz: ele teve azar. E sorte, de novo.

Atrás de si, o jovem homem ouviu, por longos minutos, uma moça contar animadamente para outra como traiu um ex-namorado. E risos e cacarejos e requintes de crueldade. Tantas coisas lascaram dentro de si que o menino Fábio sentiu pisar em cacos cortantes de pensamentos. Sangrado, ficou cheio de exclamações, interrogações... E perdeu o ponto do ônibus.

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