Aos caríssimos leitores

 
Aos caríssimos leitores
 

          Escrever é atividade que pratico porque, obviamente, isso me dá prazer; ou melhor, prazeres. Primeiro, o prazer de concretizar algo, porque é impagável a sensação de transformar uma reles folha em branco, vazia de sentido, em algo absolutamente novo, simplesmente desvirginando-a com palavras. Ainda, porque exercitar a reflexão sobre a vida em suas várias facetas é algo que impele à constante evolução. Também, porque expor a criação é o ápice da atividade criativa, pois lá no fundo há uma indisfarçável compulsão por uma certa dose de exibicionismo, na ânsia de carrear mimos à vaidade. Porém, tudo isso se dá com a consciência de que há limites.


          Jamais tive a presunção de angariar aplausos unânimes. Toda unanimidade traz, em si, uma sombra de relativo descrédito, porque maculada, certamente, por alguma hipocrisia disfarçada em concordância. 


          Guardo, sim, a confessa ambição de, quiçá algum dia, contentar a muitos. Afinal, todos nós temos momentos de sonhos, impossíveis ou não, que a seu modo estimulam em parte a força motora que nos induz a continuar sempre e sempre em busca do aperfeiçoamento.


          Diante de minha realidade concreta, contudo, tenho comigo que agradar a uns poucos já é uma benção; e pelas que tenho dou graças todos os dias. Não computo isso como resultado de alguma atitude deliberada de conquistar a outrem, mas como reflexo inevitável da eterna luta de domar a mim mesmo.


          Nunca temi e não presumo vá temer uma cruel certeza de que possa chegar a desagradar a todos. Afinal, quando se nota que não há adesão de mais ninguém a um intento pessoal, tal solidão denota alguma deficiência que dificilmente possa ser sanada – e meu caráter não tem tantas fissuras assim!


          De qualquer forma, sejam lá quantos forem os que, eventualmente, possam se agradar daquilo que me atreva a produzir, resguardo a esperança de que isso se dê pelo motivo certo, ou seja, pelo reconhecimento de um trabalho que possa estar bem feito e não pela mera intenção de me prestar algum afago pessoal.


          Quanto aos que, porventura, tenham discordâncias conceituais, estéticas ou meramente de gosto, imagino que, talvez, tenham alguma razão. Ou seja, é bem possível que haja críticas que eu faça realmente por merecer. A mim cabe somente manter o espírito preparado para conviver com tal possibilidade e, a despeito disso, continuar adiante.


          O que é certo, enfim, é que vocês que me leem, gostando daquilo que faço, ou não, prestigiam de alguma forma com sua atenção àquilo que apresento.


          Sou grato a todos, indistintamente!