QUANDO NASCE A POESIA NASCE TAMBÉM O POETA

Publicado por: Zé Bezerra o Águia de Prata
Data: 26/07/2007
Classificação de conteúdo: seguro

Créditos

Texto: "Quando nasce a poesia, nasce também o poeta" Voz: Poeta José Bezerra Edição de som: Welington Junior
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QUANDO NASCE A POESIA NASCE TAMBÉM O POETA

No dia que eu nasci

Qui a parteira pegô

Foi pegando e dizendo

É o rei dos cantadô.

Minha mãe mi jogô fora

Mas o pai de mim cuidô

Fiquei mal acostumado

Qui nem no roçado eu vô.

Um dia fui cunvidado

Para cantá cum Malaquia

Mãe dixe qui eu num fosse

Minha vó qui eu num ia.

Meu pai num falô nada

Vi qui ele cunsistia

Me ajeitei na certa

Qui naquela noite eu fugia.

Cantei na sexta e no sabo

O domingo todo dia

Vim dar vorta no cabra

Sigunda fera mei-dia.

Ganhei um bode melado

Meia cuia de farinha

Arrumei uma namorada

Que se chamava Chiquinha.

Cheguei in casa cantando

Cum ela no pensamento

Minha mãe mi isperava

Cum outro divertimento.

Quando lhe dei a bença

Ela vêi cum chiqueradô

Mi deu tanta lapada

Qui inda hoje eu sinto dô.

Quem nasce pra ser poeta

Nas banda do meu sertão

Já cresce dizendo lôa

Cantando verso e canção.

Não precisa ir pra escola

Pra mode aprender a lê

Tira o verso na cachola

Cuma todo mundo vê.

A gente vai crescendo

Na vida tumando jeito

Jogando pra fora as mágoas

Que guarda dentro do peito.

Cuma canta o sabiá

Cum voz bela e sonora

Cuma canta a mãe da lua

E a tarde a siricóra.

Eu também jogo fora

As mágoas qui tenho no peito

Assim cuma a sabiá

Vivo alegre e satisfeito.

Quando a gente nasce

Demonstrando ser poeta

Os parente mais vei diz:

Aquele cabra num presta.

Cada um pra o qui nasce

Seja pra roça ou dotô

Cordelista ou violeiro

Dentista ou agricutô.

Digo na prosa da frente

Num precisa que me assãe

Cuma qui nasce o poeta

Cuma é que nasce a mãe.

Zé Bezerra o Águia de Prata
Enviado por Zé Bezerra o Águia de Prata em 26/07/2007
Reeditado em 28/07/2007
Código do texto: T580539
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