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Sobre o autor
Glicério Montes
Itaperuna - Rio de Janeiro - Brasil
43 textos (1420 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/03/17 23:11)
Glicério Montes

Textos do autor
Perfil
     Tive o meu interesse pela Literatura despertado ainda na infância, mais precisamente aos seis anos. O fato se deu da seguinte forma: Estava eu na então chamada Primeira Série. Ao término do ano letivo, nossa bela e doce professora empilhou sobre a mesa um conjunto de apreciáveis mimos que enchiam os olhos de qualquer criança. Entre os vários artigos, lembro-me ainda de um apontador daqueles providos de uma telinha onde, na medida em que iam sendo girados, eram exibidas as cenas de um divertido desenho animado; duas diferentes caixas de lápis de cor; um bonito caderno de desenho; e um livro de estória infantil farta e belamente ilustrado que versava sobre um grilinho que chorava por não ter asas que lhe permitissem voar como as borboletas, as abelhas e os passarinhos.

     Nossa gentil mestra, que no decurso do ano muito sofrera com as traquinices e desinteresse de não poucos de meus colegas de classe, revelou então que tudo aquilo era um prêmio para o aluno que mais se tinha destacado nos quesitos desempenho e comportamento e em cujo exemplo no ano seguinte os demais deviam se espelhar. Dizendo isso, fitou-me com ternura e deu-me a honra e a alegria de ouvi-la proferir o meu nome (embora, justiça seja feita, eu não viesse a conservar por muitos anos ainda as virtudes e boas disposições que inspiraram o tão belo e marcante gesto de minha formosa e inesquecível primeira professora).

     A partir da leitura do livro supracitado, eu me surpreendi deveras apaixonado pela Literatura. Lembro-me que com cerca de nove anos eu já tinha criado uma galeria de personagens e escrevia e ilustrava minhas próprias estórias em quadrinhos, com as quais minha mãe certa feita se deparou, resolvendo então mostrá-las a algumas vizinhas, o que, no entanto, causou-me grande constrangimento e desgosto, pois na época eu tinha vergonha de compartilhar os meus escritos.

     A paixão pela Poesia ocorreu três anos depois, quando, aos 12 anos, tive ensejo de ler em um livro escolar a belíssima poesia “Saudade”, de Bastos Tigre, que grande deslumbramento causou ao meu espírito e que motivou imediatamente as minhas primeiras incursões no campo da rima e da métrica.

     Na adolescência, passei a estudar no turno da noite. Trabalhava intensamente durante todo o dia, e, ao término de minha exaustiva jornada diária, tinha que me preparar às pressas para não chegar com atraso à escola, razão pela qual, por vários anos, eu quase não tive tempo para ler. Aliás, sequer era possível estudar convenientemente os meus próprios livros escolares. Até que me transferi para um colégio maior, dotado de uma boa biblioteca, onde, renunciando completamente ao costumeiro lanche servido no intervalo do recreio, eu passei a me deleitar, por prazerosos trinta minutos diários, com a leitura de um bom romance, assim ensejando algum progresso intelectual.

     Aos 16 anos, consegui publicar a minha primeira poesia em uma revista religiosa de circulação nacional, a mesma onde tive três outras composições publicadas em anos subseqüentes, e isso me possibilitou fazer amizades com muitas pessoas que então passaram a me escrever regularmente de várias partes do Brasil. Essas cartas, que até hoje guardo com muito carinho, eram para mim uma rica fonte de estímulo e motivação para o desenvolvimento de minhas aptidões poéticas. Mas, aos 17 anos, tendo sofrido grandes dissabores no âmbito familiar, cometi o desatino de destruir no fogo todas as poesias que até então havia composto, o que me traria futuramente grande arrependimento, pois só consegui recuperar as quatro que já tinham sido publicadas. Várias outras eu compus dali por diante, entre as quais muitas de cunho religioso que eram declamadas em igrejas e publicadas em revistas cristãs com sede no Rio.

     Ingressei na Imprensa regional aos 22 anos. Havia apenas dois jornais em circulação em minha cidade. Trabalhei como repórter em um e, no ano seguinte, transferi-me para o outro, onde acumulei ainda a função de redator-chefe. Em ambos, publiquei vários artigos e não poucas poesias de minha lavra, o que me levou a ser convidado no ano seguinte, com a idade de 23 anos, a ocupar como membro-fundador a cadeira de número 17 da novel Academia Itaperunense de Letras, patronímica de Bernardo Guimarães no âmbito nacional, e Major Porphírio Henriques no âmbito regional. Um ano mais tarde, recebi a proposta para trabalhar na única emissora de rádio AM da cidade. Nos anos posteriores, atuei não apenas nela, mas também em algumas emissoras FM, como repórter, redator, produtor e debatedor, até que fundei o meu próprio jornal, o qual circulou até o ano de 2008, quando pude realizar outro sonho, que era ingressar no campo misissionário.

     Desde então, paralelamente às minhas atividades eclesiásticas e sociais (com presidiários e crianças em situação de risco), continuo produzindo não apenas poesias, como também artigos e tratados, e espero encontrar tempo também para escrever um romance até o final do ano.


Última atualização em 25/03/17 23:11