Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Autores

Sobre a autora
Ísis Dumont
Sertãozinho - Paraíba - Brasil
1958 textos (189777 leituras)
3 e-livros (914 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/07/17 05:55)
Ísis Dumont

Textos do autor
Perfil
 


Palavra minha palavra
 
 
Minha palavra não diz, nem
significa nada se (através da mesma)
eu não conseguir tocar teu coração.
 
 
Muitas vezes minha palavra não diz nada... absolutamente nada! Nada que você já não saiba. Nada que você não tenha visto antes ou lido em algum pára choque de caminhão ou em um desses cartazes pregados em "pontos" de ônibus.
Tantas vezes minha palavra se esconde ou aparece camuflada, quando não resolve ficar simplesmente calada.
Minha palavra, às vezes surge enfraquecida, anêmica, esmaecida, smilinguida, tentando ficar de pé, embora quanto mais tenta se "aprumar" mais se desequilibra.
Ah... a palavra...
Minha palavra, quando some, também ressurge entre os cactos, sacudindo os espinhos e a poeira do ressecado solo nordestino. Minha palavra ainda que desmotivada, ela sabe que esconder-se, omitir-se por muito tempo, significa demonstração de fraqueza e até de covardia.
Minha palavra... azeda, insuportável, deselegante, desorganizada, repetitiva... às vezes foge, foge de mim, mas para retornar um pouco mais "tragável", mais suportável, mais "viva", para assim poder falar não somente de lágrimas, de dor, mas de amor, de vida... até que resolva me deixar novamente... sem palavra.
************************************************
isisdumont.prosaeverso.net

" Esta é uma declaração de amor; amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo.
Às vezes assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montado num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos, estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida."

Clarice Lispector

(...) farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...
Clarice Lispector

 
ISSO É MUITA SABEDORIA

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

Site do Escritor


Última atualização em 21/07/17 05:55