Luiz Gonzaga - O Rei do Baião 
                                    Cronologia Completa

 Autor: Uéliton Mendes da Silva

Fonte:
Site Luiz Lua Gonzaga


Com muito orgulho apresento a Cronologia Completa de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Um trabalho fantástico do meu amigo e compadre Uéliton Mendes da Silva.

Quer conhecer Gonzagão a fundo? Comece a ler!


1779 - As origens de Exu, terra de Gonzagão!

Vindo de Portugal, Leonel Alencar chega à região de Exu. Confraternizando com a tribo de índios que vivia ali, os Açus, cuja corruptela do nome daria “Axu” e, logo depois, “Exu”, Leonel Alencar, acompanhado de 3 irmãos, fundou a fazenda Várzea Grande. Depois nasceram as fazendas: Caiçara, Bodocó, Salgueiro e Gameleira. Nesta última, situada ao pé da serra do Araripe, foi fundado, posteriormente, o povoado de Exu, hoje chamado de Exu Velho.

1779 - Freguesia de Exu!

O termo de Exu, situado junto à Serra do Araripe, foi confirmado como Freguesia em 14 de Outubro desse ano.

1846 - Povoação de Exu!

A Freguesia de Exu foi elevada à categoria de Povoação em 30 de Maio desse ano, pela Lei 150.

1858 - Confirmação!

A Povoação de Exu foi confirmada como Vila em 02 de Junho deste ano, pela Lei 442.

1860 - Os Pais de Gonzagão!

Chega na serra do Araripe Da. Januária, vinda de Missão Velha, no Ceará. Acompanhada de sua filha Efigênia, empregou-se na Fazenda Caiçara. José Moreira Franco de Alencar casou-se com Efigênia. Da união nasceram quatro filhas. Uma delas, Ana Batista, era conhecida por Santana. Quando completou 15 anos, Santana viu chegarem à Fazenda Caiçara Januário e seu irmão mais velho, Pedro Anselmo, oriundos não se sabe se de Flores ou de Pajeú das Flores, em Pernambuco. Januário foi logo deitando os olhos em Santana.

1863 - Transferência de Exu!

A sede da então Vila de Exu foi transferida para Granito, por força da Lei 548, de 09 de Abril deste ano. Exu possuía, neste último ano, um Juiz Municipal, um Tabelionato, três Distritos de Paz, um Subdelegado de Polícia, uma agência de Correios, 27 eleitores, estando subordinada à Comarca de Cabrobó.

1888 - O Barão de Exu!

Bem no estilo feudal, era “senhor de braço e cutelo” de Exu Gualter Martiniano de Alencar Araripe, que, em 15 de Novembro desse ano, foi agraciado pelo Imperador D. Pedro II com o título de Barão de Exu.

1909 - Casam-se Januário e Santana - os pais de Gonzagão!

Januário José dos santos, vindo dos Quidutes e dos Anselmos, conhecido tocador de fole de 8 baixos, subiu a encosta da Serra do Araripe, com destino à chapada. Mas ficou na Fazenda Caiçara, quase no sopé da Serra, na fazenda do Barão de Exu, bem onde começava o Rio Brígida, que ia desembocar no São Francisco.

Ana Batista de Jesus, ou simplesmente Santana, era uma cabocla bonita, e deixava muitos olhares, na esteira do seu caminho, sedentos daqueles olhos bonitos , daquele gingado de marrã bravia. Daí, o cuidado de Efigênia, sua mãe, conhecida por por Figênia.
Espantava os mais afoitos, animava os de melhor qualidade. E Januário caíra nas suas graças. E, na Igreja de Exu, em Setembro de 1909, o casamento foi feito, sem arranjo, sem arrumação e, principalmente, sem samba.
Claro: o único tocador de forró da região era o noivo...
E, numa casucha construída com os amigos, Januário lá se foi morar com Santana, morena formosa e de olhos estranhamente verdes, que endoidavam os cabras. E Januário tinha pressa, não ia perder tempo depois dos sacramentos...

“ Fez cum ela o sanfoneiro
Um casamento feliz
E dos nove qui nascêro
Um desses nove é Luiz...”

1912  - Nasce Luiz Gonzaga!

No dia 13 de Dezembro, uma sexta-feira, nasce, na fazenda Caiçara, terras do Barão de Exu, o segundo de nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que, na pia batismal da matriz de Exu, recebe o nome de Luiz (por ser o dia de Santa Luzia), Gonzaga (por sugestão do vigário) e Nascimento (por ter nascido em dezembro, também mês de nascimento de Jesus Cristo). 

1915  - Nasce Humberto Teixeira!

Nasce, no dia 05 de Janeiro, Humberto Cavalcanti Teixeira, que, com o nome artístico de Humberto Teixeira, viria a ser parceiro de Luiz Gonzaga em inúmeras composições.

1920 - Infância!

Luiz Gonzaga, com apenas oito anos de idade, substitui um sanfoneiro, em uma festa tradicional, na fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai; canta e toca a noite inteira e, pela primeira vez, recebe o que hoje se chamaria cachê; o dinheiro - 20$000 - “amolece” o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro. A partir daí, os convites para animar festas - ou “sambas”, como se dizia na época -, tornam-se freqüentes. Antes mesmo de completar 16 anos, “Luiz de Januário”, “Lula”ou Luiz Gonzaga já é nome conhecido no Araripe e em toda a redondeza, como Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.

1921 - Nasce Zé Dantas!

Em Carnaíba das Flores, município Pernambucano do sertão do Alto Pajeú, nasce, em 27 de Fevereiro, José de Souza Dantas Filho, (Zé Dantas), que viria a ser um dos mais importantes parceiros na obra de Luiz Gonzaga.

1924 - Mudança para Araripe! O primeiro "fole"!

Houve uma grande cheia e o rio Brígida subiu de nível, inundando os arredores. A casa de Januário foi atingida, encheu de água, obrigando a família a se mudar. Foram morar no povoado Araripe, na Fazenda Várzea Grande.

A pedido do Coronel Manoel Aires de Alencar, chefe político local, Luiz, já um caboclo taludo, vai com este a Ouricuri para tomar conta de cavalos, onde vê um fole Kock de oito baixos, marca Veado, pelo qual fica louco e passa a amolar o Coronel por causa dele. No mês seguinte, repetindo a viagem, o político concorda em pagar a metade dos 120 mil réis do fole, desde que Luiz arcasse com o resto, o que fez sem muita dificuldade, pois, a essa altura, já estava ganhando tanto ou mais que o pai, para tocar.

1926 - Início da carreira artística profissional!

Início real de sua vida artística, quando tocou seu primeiro “samba”, ganhando dinheiro. Começou também a estudar no grupo de escoteiros de um sargento da polícia do Rio de Janeiro chamado Aprígio. Seu amigo Gilberto Aires, filho do Cel. Aires, o convenceu a mudar-se para a cidade, deixando o Araripe. Hospedaram-se na casa de Da. Vitalina e o amigo Gilberto foi seu primeiro empresário.

1928 - O primeiro amor!

Apaixona-se pela primeira vez, por uma donzela sacudida que apareceu pelas bandas do Araripe. Pensa em noivado, mas seus planos vão por água abaixo, quando sua mãe descobre a trama, pondo fim à história, por não achar que a pretendida juntava condições para ser sua nora.

1929 - Fugindo de casa!

Em uma festa de véspera de ano novo, viu pela primeira vez Nazarena, da família Saraiva.
Apaixona-se, mas, foi repelido pelo pai desta, o Coronel Raimundo Delgado, que o ameaça de morte. Avisados pelo próprio Delgado, Januário e Santana aplicam uma surra no rapazote que, revoltado, decide fugir de casa, indo a pé até o Crato, onde vende a sua sanfoninha por 80 mil réis. Segue para Fortaleza e, voluntariamente, alista-se no Exército, depois de mentir a respeito da sua idade. Primeiro, disse que tinha 18 anos mas, avisado que, mesmo assim, necessitaria da autorização dos pais, apresenta-se como se tivesse 21 anos.

1930 - No Exército Brasileiro!

Estoura a “Revolução de 30”, no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Ingressa nas fileiras do Exército, ganhando um soldo de 21 mil réis. O então soldado 122, corneteiro, segue com o Vigésimo Segundo Batalhão de Caçadores para Souza, PB; ainda em missão, segue para o Pará, Ceará e Piauí, interior do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande. Ganha fama no Exército e um apelido: “Bico de Aço”, por ser exímio corneteiro. De passagem por Juiz de Fora - MG, conhece Domingos Ambrósio, que lhe ensina mais alguns truques na sanfona.

1936 - Nasce o Padre João Câncio!

Nasce, na cidade de Petrolina (PE), filho de Francisco Avelino dos Santos e Laudemira Sales dos Santos, o Padre João Câncio, que, mais tarde, viria a ser o idealizador da Missa do Vaqueiro e contaria, até o fim de suas atividades eclesiásticas, em 1981, com o apoio de Luiz Gonzaga.

1939 A primeira sanfona branca!

Deixa o Exército, ficando provisoriamente na sede do Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro, mas, aventureiro, segue para São Paulo; desembarca na Estação da Luz e, nas imediações, compra a sua primeira sanfona branca, (todas as suas sanfonas seguintes seriam de cor branca), de 120 baixos. Nesse mesmo ano, volta ao Rio de Janeiro, onde faz amizades e, aproveitando o aprimoramento que fizera nos tempos da caserna com o Domingos Ambrósio, que lhe ensinara os segredos do acordeon, inicia a carreira artística, divertindo marinheiros e desocupados em geral no Mangue, lugar também freqüentado por malandros e prostitutas. Explode a segunda Guerra Mundial. O Brasil é literalmente invadido pela música estrangeira, principalmente a Norte Americana.Conhece o violonista Sepetiba. É o ano em que se apresenta pela primeira vez em um palco, no cabaré O Tabu, na Rua Mem de Sá.

1940 -  Opção pela Música Nordestina!

Conhece o guitarrista português Xavier Pinheiro, Amirton Vallin, na Boate Elite e outros artistas que, como ele, disputam, a duras penas, um lugar ao Sol. Toca todo tipo de música, de Blues a Fox Trotes; imita artistas famosos da época, como Manezinho Araújo, Augusto Calheiros e Antenógenes Silva. Começa a apresentar-se em programas de rádio, como calouro. Suas incursões no programa de calouros de Ary Barroso, interpretando tangos e valsas, lhe garantem, no máximo, uma nota 2,5, quando o total seria nota 5.
Numa das casas noturnas onde tocava no Mangue, é desafiado por um grupo de estudantes nordestinos - entre eles o futuro Ministro da Justiça, Armando Falcão - que exigem que toque algo “lá da terra”, coisa que Gonzaga tinha abandonado. Depois de treinar em casa durante semanas, apresenta-se diante dos mesmos universitários, tocando Pé de Serra e Vira e Mexe. É aplaudido, não só pelos rapazes, como por toda a casa. Volta ao programa de Ary Barroso, onde conquista a nota máxima.

1941 - A primeira gravação.

O Estado Novo comemora seu quarto aniversário. Vai ao ar a primeira radionovela brasileira: Em Busca da Felicidade. Num Bar da Lapa, Rio, conhece Januário França, que lhe transmite recado do humorista Genésio Arruda, para acompanhá-lo numa gravação da RCA Victor, por indicação de Almirante e Ari Barroso. Aceita e dá-se bem. Logo é contratado para gravar um disco solo, por indicação do Diretor Artístico Ernesto Matos. Grava, então, ao invés de um, vários discos.

Nos anos seguintes, grava cerca de 30 discos 78 rpm, muitos choros, valsas e mazurcas, todos em solo, pois a Victor insiste em não lhe permitir cantar em seus discos, que até então eram só instrumentais. Inicia na Rádio Clube do Brasil, para onde foi levado por Renato Murce, substituindo Antenógenes Silva no programa Alma do Sertão. A firma era, na época, a Victor.

Também neste ano, conheceu César de Alencar, na Rádio Clube do Brasil, quando o mesmo era o locutor do programa Alma do Sertão, sob o comando de Renato Murce. Foi quando apareceu Dino, violonista de sete cordas, que tinha a mania de apelidar todo mundo. Ao ver a cara redonda de Luiz Gonzaga, Dino imediatamente o chamou de Lua, apelido que Paulo Gracindo e César de Alencar se encarregaram de divulgar.

1942 - Nasce Dominguinhos, o discípulo!

Começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio a se interessar, de fato, pelo novo cartaz.
No mesmo ano, nasce, em Garanhuns – PE, José Domingos de Morais, que viria a ser o sanfoneiro Dominguinhos, de quem Luiz Gonzaga se tornou um segundo pai e que o tratava como “pai impostor”. Luiz Gonzaga começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio a se interessar, de fato, pelo novo cartaz. Enquanto isso, o Brasil declara guerra à Alemanha e seus aliados.

1943 - A roupa de nordestino!

Trazido pelas mãos do radialista Almirante - que também foi responsável pela descoberta de Gonzaga -, o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo estréia na Rádio Nacional com suas roupas de gaúcho. Inspirado nele, Gonzagão passa a se apresentar vestido de nordestino. Nessa época, irritado com a interpretação dada por Manezinho Araújo para a sua Dezessete e Setecentos, parceria com Miguel Lima, o sanfoneiro passa a cantá-la. Chovem cartas pedindo que ele continue cantando e a RCA acaba se convencendo a deixá-lo gravar com sua voz. O disco de estréia seria Dança, Mariquinha, outra parceria com Miguel Lima, e que seria gravado em 1945.

1944 - Ganha, de Paulo Gracindo, o apelido de "Lua".

É despedido da Rádio Tamoio e, imediatamente, contratado por Cr$ 1.600,00 pela Rádio Nacional, onde o então radialista Paulo Gracindo divulga seu apelido Lua, por causa do seu rosto redondo e rosado. Ataulfo Alves e Mário Lago são os destaques do ano na área musical, com Atire a Primeira Pedra.

1945 - Gravando a Música Nordestina

Consegue então o que desejava. Grava seu primeiro disco tocando e cantando, a mazurca Dança, Mariquinha, parceria com Miguel Lima, primeira gravação com o dito e chama a atenção pelo timbre de voz e desenvoltura no cantar. Nesse mesmo ano, e ainda em parceria com Lima, grava outros dois discos interpretando Penerô Xerém e Cortando Pano.
Querendo dar um rumo mais nordestino para suas composições, Gonzagão procura o maestro e compositor Lauro Maia, para que este coloque letras em suas melodias. Maia porém apresenta-lhe o cunhado, o advogado cearense Humberto Cavalcanti Teixeira, com quem Luiz Gonzaga viria a compor vários clássicos.

Os instrumentos usados originariamente ( viola, botijão, pandeiro e rabeca ) foram substituídos por acordeão, triângulo e zabumba.
No dia 22 de setembro, nasce de uma relação com a cantora Odaléia Guedes dos Santos, o seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior

1946 - Parceria com Humberto Teixeira!

Inicia sua parceria com Humberto Teixeira, e grava No Meu Pé de Serra. O sucesso é imediato e enorme. Ao mesmo tempo, o seu nome começa a correr o mundo: Europa, EUA, Japão... Além de No Meu Pé de Serra, compôs, entre outras, com Teixeira, Baião, Asa Branca, Juazeiro, Légua Tirana, Assum Preto, Paraíba, etc. Os Quatro Ases e Um Coringa estouram com Baião e Luiz está em todas cantando A Moda da Mula Preta, de Raul Torres e com a marchinha carnavalesca Quer Ir Mais Eu, parceria também com Miguel Lima. Entusiasmado com o sucesso, Gonzaga resolve voltar a Exu e nasce, em parceria com Humberto, Respeita Januário. A parceria duraria até 1979, quando falece Humberto Teixeira.

1947 - Asa Branca, a canção mais famosa!

Em Março, grava Asa Branca. É sua primeira gravação com o selo RCA Victor. Essa música rapidamente se torna um de seus maiores sucessos, recebendo as mais diferentes interpretações e gravações em vários países como Israel, Itália, EUA. Em Hollywood é cantada no filme Romance Carioca (Nancy Goes To Rio) por Carmen Miranda. Nesse mesmo ano os destaques musicais são, além de Asa Branca, O Pirata da Perna de Pau e Eu Quero é Rosetar, de João de Barros e Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, respectivamente, que, por sinal, não se tem informações de gravação destas duas músicas por Gonzaga.
Também no ano de 1947 aconteceu o primeiro encontro de Luiz Gonzaga com Zé Dantas, em Recife (PE).

1948 - Casa-se com Dona Helena!

Casa-se com a professora pernambucana Helena Neves Cavalcanti. Os dois se conheceram nos bastidores da Rádio Nacional, quando a moça foi procurá-lo para saber se tinha recebido as cartas que lhe havia enviado. Luiz alegou que não tinha tempo de responder correspondências. Helena perguntou porque ele não contratava uma secretária para tal serviço. “Pois está contratada”, foi a resposta. E, no dia 16 de Junho do mesmo ano, casaram-se. E adotaram uma menina que foi batizada com o nome Rosa do Nascimento, a Rosinha.

1949 - Parceria com Zé Dantas!

Devido à popularidade alcançada, Humberto Teixeira decide candidatar-se a Deputado, diminuindo muito seu trabalho junto ao Rei. Luiz Gonzaga conhece então em Recife o médico pernambucano José de Souza Dantas. Mais tarde Gonzaga diria que este era mais adequado para parceiro que o advogado, pois, embora fosse nordestino, Humberto Teixeira não saía de Copacabana, não sabia nem mesmo chegar à casa de Gonzaga, na zona Norte. O Zé Dantas não, era homem do campo. “Eu sentia até o cheiro de bode nele”, dizia Gonzaga. No dia 27 de outubro grava o baião Vem Morena, em parceria com Zé Dantas e o forró Forró de Mané Vito. Nesse mesmo ano faz sua primeira gravação de Baião, fruto de sua parceria com Humberto Teixeira. A parceria com Zé Dantas terminaria com a morte deste em 1962 no Rio.

1950- O título de "Rei do Baião"!

Ganha, depois de uma apresentação em São Paulo, o título de Rei do Baião. Grava a toada Assum Preto e os baiões Qui Nem Jiló e Paraíba. Está no auge da carreira. Paraíba é gravada pela cantora japonesa Keiko Ikuta, versão de Kikuo Furuno, em disco RCA J-55006-A. No lado B, foi gravada Baião de Dois. Emilinha Borba também grava Paraíba, e é o ano da inauguração da primeira emissora de televisão da América Latina, a PRF-3, Tv Tupi. Nesse mesmo ano, regrava o sucesso Vira e Mexe em 78 Rpm.
Nesse mesmo ano, desponta como um dos maiores vendedores de disco que se tem notícia na história da MPB.

É o ano em que perde sua mãe, Santana.

1951 - Acidente automobilístico!

Um jornal carioca publica que “Luiz Gonzaga, velho e superado, acaba de assinar contrato com uma firma para viajar pelo Brasil”. Puro preconceito, pois Gonzaga reinou soberano de 45 a 55, 56. As 17 prensas da RCA Victor trabalhavam exclusivamente para ele.
Nesse mesmo ano, sofre um desastre de automóvel que comoveu o País, o que motivou a composição Baião da Penha e uma reportagem especial na revista O Cruzeiro.
Em março desse ano, encerrou seu contrato com a Rádio Nacional e firmou um novo com a Rádio Mayrink Veiga, mesmo oficialmente vinculado à Rádio Cultura de São Paulo.

1952 - Decepção em Caruaru!

Voltando do seu pé de serra, Luiz Gonzaga passou por Caruaru, onde resolveu fazer um show. Foi mal recebido pelo proprietário do Cinema Caruaru, o Sr. Santino Cursino, sob a alegação de que “o meu cinema, o melhor da cidade não vai servir de palco pra tocador de harmônica “.

1953 - "Vozes da Seca" e "A Vida do Viajante"!

Nasce, em parceria com Zé Dantas, a pungente Vozes da Seca - este é o ano de uma grande seca no Nordeste. Compõe também, com Hervê Cordovil, A Vida do Viajante, que Gonzaguinha recriaria em 1979, para surpresa de Gonzaga, que nem se lembrava da letra. Esta gravação foi incluída no LP “Gonzaguinha da Vida”, 064-4228410-B, Emi-Odeon. Foi neste ano que, ao lado de Zé Dantas e Paulo Roberto, participou do programa da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, No Mundo do Baião, vivendo sua fase de ouro até 1954.

1954 - Transferência para São Paulo!

Transferiu-se para São Paulo e suas apresentações ficaram cada vez mais restritas a cidades do interior e do Ciclo Junino. Seus discos, porém, continuavam a ser reprensados.
Gonzagão convida Jackson do Pandeiro e sua mulher, Almira, para o Rio de Janeiro. Fariam grande sucesso com seus cocos e são considerados o lado urbano da música nordestina, enquanto Gonzaga seria o agreste. É o ano em que Gonzaga conhece Dominguinhos, que tocava ao lado dos irmãos Morais, em um grupo intitulado Os Três Pingüins. Este fato deu-se em Olinda.
Já no Sertão Pernambucano, em Serrita, nas Caatingas do sítio Lages, era encontrado morto, no dia 08 do mês de Julho, o vaqueiro Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga, fato que, depois, viria a originar a Missa do Vaqueiro.

1955 - Primeiro LP - ainda de 10 polegadas!

Luiz Gonzaga grava seus primeiros discos compactos de 45 rpm:
Também nesse mesmo ano, gravou o seu primeiro LP de 10 polegadas, 33 rpm, pela RCA Victor. Uma Compilação dos disco de 78 RPM.

1956 - Lei Humberto Teixeira!

A Lei 1544/56, de autoria do então Deputado Federal Humberto Cavalcanti Teixeira, que limita a execução de músicas estrangeiras no Brasil é aprovada.

Começo das tentativas de aproximação do vaqueiro Zé Marcolino - José Marcolino com o Rei do Baião, através de correspondências que, segundo o próprio, nunca chegaram às suas mãos. O encontro pessoal se daria mais tarde, no ano de 1960.

1957 - Feira de Caruaru!

Grava o primeiro disco com composição de Onildo Almeida. Em um lado A Feira de Caruaru e, no outro, Capital do Agreste, de Onildo Almeida e Nelson Barbalho.

1958 - Primeiro LP de 12 polegadas!

Começa o apogeu da Bossa Nova, com João Gilberto, Tom Jobin, Vinícius e outros. O movimento cresce com a adesão de Carlos Lira, Roberto Menescal, Baden e outros mais. Luiz Gonzaga, por sua vez, gravou seu primeiro LP de 12 polegadas, 33 rpm. Pela RCA Victor, intitulado Xamego.

1961 - Entra para a Maçonaria - Conhece Zé Marcolino!

Luiz Gonzaga entra para a Maçonaria. Nesse ano, compõe (com Lourival Silva) e grava Alvorada de Paz, em homenagem ao então Presidente da República Jânio Quadros, que renunciaria sete meses após assumir a Presidência.
Conheceu pessoalmente José Marcolino - o Zé Marcolino, de quem gravaria, depois, várias obras.

1962 - Falece Zé Dantas!

Ano da morte do poeta, folclorista e parceiro Zé Dantas.
Nesse mesmo ano, lança os seus primeiros compactos, simples e duplo, 33 rpm, pela RCA Victor:

1963 - Conhece Patativa do Assaré!

De sua parceria com Nelson Barbalho, grava A Morte do Vaqueiro. No mesmo ano, conhece o poeta popular cearense Patativa do Assaré. O clima político é tenso, e os brasileiros decidem, em plebiscito, a volta do Sistema Presidencialista.

1964 - Grava "A Triste Partida" de Patativa!

Grava a composição A Triste Partida, de Patativa do Assaré. O sucesso é total, principalmente junto ao nordestino que vive no Sul. Grava também, no LP “O Sanfoneiro do Povo de Deus", a primeira composição de Gonzaguinha, Lembrança de Primavera.

1965 - Geraldo Vandré grava "Asa Branca"!

Asa Branca é gravada por Geraldo Vandré em seu Lp Hora de Lutar. Gilberto Gil, um compositor jovem da Bahia, começa a citar Luiz Gonzaga em suas entrevistas, como uma de suas maiores influências. Mais adiante Luiz Gonzaga gravaria duas composições de Vandré (Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores e Fica Mal Com Deus), como retribuição.

1966 - Um livro sobre a vida de Gonzagão!

Sinval Sá lança o livro O Sanfoneiro do Riacho da Brígida - Vida e Andanças de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. O sanfoneiro é impedido de cantar no festival FIC 66, a música São os do Norte Que Vêm, de Capiba e Ariano Suassuna.

1968 - De volta às manchetes!

Um pouco fora de destaque no cenário musical, Luiz Gonzaga viu seu nome novamente em ascensão depois que, nesse ano, Carlos Imperial espalhou, no Rio de Janeiro, que a banda inglesa The Beatles acabara de gravar a música Asa Branca. Não era verdade, mas foi o que bastou para que Gonzaga voltasse às manchetes. E por um longo tempo Gonzaga sempre falou, em entrevistas, do interesse “dos cabeludos de Liverpool por essa música”.

1970 - Jovem Guarda e etc!

Para os anos 70 estava reservada a explosão dos ritmos estrangeiros, particularmente o Rock’n’Roll, oriundo dos anos 50, onde encontrava defensores como Cely e Tony Campelo, Carlos Gonzaga, etc. Era a presença, em nossa música, dos Beatles, ingleses. Dos Estados Unidos chegava a música de Elvis Presley. No Brasil, era a vez de Roberto Carlos, que já vinha com o seu programa Jovem Guarda. Carlos Imperial, Erasmo Carlos etc. davam força ao movimento.

1971 - Caetano Veloso grava "Asa Branca"! 
                Participa da Missa do Vaqueiro!

Lança o LP O Canto Jovem de Luiz Gonzaga. O produtor Rildo Hora alega que “este disco não é para sucesso, mas sim uma homenagem para a juventude”. Em Londres, Caetano Veloso grava Asa Branca, assim como Sérgio Mendes e seu Brasil 77. É o ano do primeiro contato do então desconhecido Fagner com Luiz Gonzaga, no Rio. O sanfoneiro apresenta-se em Guarapari - ES, fazendo sucesso entre os hippies de então.
Foi também no ano de 1971 que, por iniciativa do Padre João Câncio, com o apoio do cantor Luiz Gonzaga - primo de Raimundo Jacó - e pelo poeta Pedro Bandeira, famoso repentista do Cariri, que realizou-se a primeira Missa do vaqueiro, no sítio Lages, na cidade de Serrita, em pleno Sertão Pernambucano, como homenagem a Raimundo Jacó, que teria sido morto por um companheiro, e principalmente, em forma de tributo ao vaqueiro nordestino. Mas a principal preocupação do Pe. João Câncio era trazer de volta para a igreja os vaqueiros. Com a celebração, o Padre Vaqueiro conseguiu ver seu desejo realizado.

1972 - Espetáculo "Luiz Gonzaga Volta Para Curtir"

Pelas mãos de Capinam, apresenta o espetáculo Luiz Gonzaga Volta Para Curtir, no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. Sob a direção de Jorge Salomão e Capinam, o delírio é total e é a primeira vez que Gonzagão enfrenta uma platéia somente de jovens.

1973 - O Pacificador de Exu!

Deixa a RCA Victor e passa para a Odeon, por um breve espaço de tempo, embalado pelo sucesso reconquistado. Tenta lançar sua candidatura a deputado Federal pelo então MDB mas desiste logo da idéia, quando sentiu que os votos que obteria seriam em troca de favores. Inezita Barroso grava Asa Branca, como também o cantor grego Demis Roussos, sob nome de White Wings, com letra em inglês.
O então Governador de Pernambuco, Eraldo Gueiros Leite, seriamente preocupado com o clima de discórdia e violência reinante em Exu, pediu para que Luiz Gonzaga tentasse apaziguar os conflitos entre famílias tradicionais daquela cidade.
Nesse mesmo ano, por iniciativa da Prefeitura do Município de Serrita, foi erigida a estátua de Raimundo Jacó, esculpida por Jota Mildes, artista de Petrolina.
Também nesse ano, grava seu primeiro LP pela Emi Odeon:

1974 - Parque Nacional do Vaqueiro!

É construído o Parque Nacional do Vaqueiro, e criada, em 24 de Outubro desse mesmo ano, a Associação dos Vaqueiros do Alto Sertão Pernambucano.

1976 - Projeto Minerva!

O Projeto Minerva dedica um especial à obra de Luiz Gonzaga. Nesse mesmo ano, grava seu primeiro compacto simples de 33 rpm, pelo selo Jangada, com a música Samarica Parteira, de Zé Dantas. A música ocupou as duas faces do disco.

1977 - Teatro João Caetano - Projeto Seis e Meia!

Estréia no Seis e Meia, no Teatro João Caetano ao lado de Carmélia Alves. O sucesso é total, inclusive com grande afluência de jovens ao Teatro.

1978 - A Grande Música de Luiz Gonzaga!

É lançado no mercado um disco como forma de menção especial a Luiz Gonzaga, - A Grande Música do Brasil, a Grande Música de Luiz Gonzaga, pela Copacabana, produzido por Marcus Pereira, com arranjos e direção de orquestra a cargo do maestro Guerra Peixe. É uma versão sinfônica de clássicos da obra de Luiz Gonzaga.
Foi também o ano da morte de Januário, o pai de Luiz Gonzaga, no dia 11 de Junho.

1979 - Falece Humberto Teixeira!

Morre o compositor, advogado e instrumentista Humberto Teixeira. E Luiz Gonzaga grava o disco Eu e Meu Pai, em homenagem a Januário.

1980 - Canta para João Paulo II.

Em Fortaleza, depois de ser literalmente atropelado pelos seus fãs e por fiéis da igreja, Luiz Gonzaga canta para o Papa João Paulo II. Recebe, do Sumo Pontífice, a expressão – “Obrigado, Cantador!”. Foi um dos mais emocionantes e gratificantes momentos da vida do sanfoneiro, que novamente pensou em candidatar-se à política, mas desistiu, aconselhado por amigos.

1981 - Discos de Ouro!

Recebe os dois únicos discos de ouro de toda sua carreira. A RCA Victor presta-lhe significativa homenagem pelo marco de seus 40 anos de carreira, com o lançamento do disco A Festa.

Apresenta-se no festival de verão do Guarujá, na praia de Pitangueiras, ao lado do veterano Osmar Macedo, co-fundador do Trio Elétrico Dodô e Osmar. Nesse mesmo ano, visita o então Presidente da República Aureliano Chaves, pedindo-lhe que intervenha em Exu, devido às rixas entre as famílias Saraiva, Alencar e Sampaio, fato que acontece poucos dias depois, terminando com uma rivalidade que já durava algumas décadas.
E, através do decreto do Poder Executivo Estadual 7.549, de 09 de novembro de 1981, foi nomeado Interventor de Exu o major PM Jorge Luiz de Moura, decreto este publicado no Diário Oficial número 209, do dia 10 de novembro.
Grava, junto com Gonzaguinha, o disco “Descanso em Casa , Moro no Mundo”. Os dois fizeram, juntos, incríveis apresentações por todo Brasil.

1982 - Na França!

Atendendo convite da cantora Nazaré Pereira, lá radicada, viaja para a França, apresentando-se em Paris, no teatro Bobinot. A cantora fazia sucesso com a música Cheiro da Carolina e decidiu levar o Rei, para que a França o conhecesse. Na platéia, entre outros, estavam Maria Bethânia, Celso Furtado e o ex-ministro Nascimento e Silva.

1983 - Doze Polegadas pela Magazine / Som Livre!

Grava seu primeiro LP de 12 polegadas, pela Magazine/SomLivre. (Compilações).

1984 - Falece Jackson do Pandeiro!

Morre o companheiro Jackson do Pandeiro, aos 63 anos de idade. Luiz Gonzaga Divide um LP com Gal Costa – Profana - e grava seu primeiro LP pela BMG-Ariola, com o cearense Raimundo Fagner.

1985 - Troféu Nipper de Ouro!

É agraciado com o troféu Nipper de Ouro. Além dele, somente o cantor Nelson Gonçalves recebe tal troféu.

1986 - Volta à França!

Vai à França pela segunda vez, apresentando-se, no dia 6 de Julho, no Halle de La Villete, ao lado de Fafá de Belém, Alceu Valença, Moraes Moreira, Armandinho Macedo, entre outros artistas que faziam parte da comitiva o “Couleurs Brésil”.

1988 - Na Copacabana!  Romance com Edelzuita Rabelo!

Novamente briga com a RCA Victor e rompe o contrato. A Gravadora queria lhe dar um carro de presente, como reconhecimento pelo seu trabalho de muitos anos, mas Gonzaga não aceitou. O contrato seria assinado por cinco anos, o que não foi aceito pelo Rei. Transfere-se para a Copacabana. É nesse ano que entra com o pedido de desquite litigioso contra Helena Gonzaga, assumindo definitivamente o romance com Maria Edelzuita Rabelo, com quem já mantinha um relacionamento há mais de dez anos.
A RCA Victor lança uma caixa luxuosa com cinco LPs, batizada de 50 Anos de Chão, cobrindo a carreira de Gonzaga desde as primeiras gravações instrumentais. Fagner, por sua vez, produz o segundo LP de encontro com o Rei.

1989 - Primeiro LP na Copacabana,
               Última apresentação,
               Falecimento.

Grava seu primeiro LP pela Copacabana, seguido de mais três, que seriam os últimos de sua carreira.

No dia 06 de Junho, Luiz Gonzaga sobe pela última vez num palco, com o auxílio de uma cadeira de rodas. 

A platéia presente no teatro Guararapes, no Centro de Convenções no Recife, não podia prever que não mais veria o velho Lua. Ao lado de Dominguinhos, Gonzaguinha, Alceu Valença e vários outros amigos e parceiros, e, desobedecendo a ordens médicas, Gonzagão levantou-se, apoiado no microfone e, com sua voz forte e anasalada, apesar de um pouco trêmula, fez pequeno discurso, louvando o forró e dizendo: 

“Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito o seu povo, o sertão, que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor...” 

De osteoporose, Luiz Gonzaga morreu no dia 02 de Agosto de 1989, às 05.15hs, no Hospital Santa Joana, no Recife, onde dera entrada há 42 dias. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa do Estado e o Governo de Pernambuco decretou luto oficial por três dias.

No dia 13 de dezembro, Gonzaguinha, Fagner, Elba Ramalho, Domiguinhos, Joãozinho do Exu e Joquinha Gonzaga cantam, à meia noite, parabéns para Luiz Gonzaga, em show realizado em Exu.

Nesse mesmo dia, pela manhã, foi inaugurado, em Exu, por Domiguinhos e Gonzaguinha, o Museu do Gonzagão. 

Fotos:


             Casa onde nasceu Gonzagão


                                             
 
Igreja da Fazenda Caiçara, onde Gonzagão foi batizado.





  O Barão de Exu

Agradecimentos Especiais:


* Ao Autor desta Cronologia, o meu compadre Uéliton Mendes da Silva, por ter, gentilmente, autorizado a publicação desta matéria. Parabéns pelo trabalho metódico e completo!

Uéliton Mendes da Silva
nasceu em Caruaru (Pe). Sempre ligado 
às artes, principalmente à música, fundou, em Itabaiana, o Grupo Asa Branca com a finalidade de divulgar os clássicos do sertão na música de Luiz Gonzaga.  Em 1991 o Grupo Asa Branca substituiu o Quinteto Violado na Missa do Vaqueiro em Serrita.

Escritor, poeta, repentista e cordelista, é autor do livro “Discografia do Rei do Baião”, o mais profundo e metódico estudo que se tem no Brasil, sobre a obra de Luiz Gonzaga.


*  Ao meu amigo e compadre Paulo Wanderlei, proprietário do excelente Site Luiz Lua Gonzaga, onde encontra-se, no original, este trabalho, também pela autorização de publicação.

Visite o Site
Luiz Lua Gonzaga - Tudo sobre Gonzagão!

                                           

Este site não tem fins lucrativos.
Nós apenas divulgamos Cultura Popular.

Compadre Lemos
Enviado por Compadre Lemos em 09/06/2008
Reeditado em 02/08/2010
Código do texto: T1026685
Classificação de conteúdo: seguro