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Forasteiro das vidas alheias


 Nasci, agora já não sei se é época em que se queira. Nas ruas não se percebem os passos, mas senhoras cantam suas vidas por ouvir a música cantada de todas as outras. Em casa, sem por que minha irmã Aline nunca fora acostumada a deixar de por o jantar. Estudar? - aprendeu a ler com um único objetivo, as receitas.
 Aprendeu também a me detestar - hoje me abraça por não ter a quem recorrer. Mora de favor, e o faço por compreender que a cultura dessa cidade está corrompida.Nos jornais só fui aceito, nada de novo surge para me distrair - o que querem, o que dizem, o que vivem, tudo são novelas.
 Borgaty, Tina Borgaty, antigamente era a namorada que eu não podia ver. Agora tudo é jantar; saio com ela em todos os dias de liberdade; nos dias que me restam trabalho quase que nem um condenado. Corrijo as palavras antes de serem publicadas. Sempre sonhei em ser da imprensa, ou talvez escrever folhetins, mas só fui aceito na correção.
 Escrevi muitos romances, nenhum foi aceito. Edgar Trival, hoje meu superior não admite  ouvir falar na publicação de um folhetim que não siga a uma risca, tudo corre em torno da sociedade, ninguém pode tentar corrigi-la. Daqui alguns séculos, podem ser meses, que seja... quando as novelas evoluírem sei que influenciarão a sociedade ainda mais... meios mais poderosos que o folhetim dirão; - sigam o nosso padrão seus tolos, as vendas devem subir, ganhar mais pra gastar mais, ensinar desde já as leis do consumismo, e como Luiz Paulo Domingues me contou num sonho musical - "Nosso Padrão lhe proporciona mais" - "admirável" mundo novo!
r u l
Enviado por r u l em 29/03/2006
Código do texto: T130308
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Sobre o autor
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São Paulo - São Paulo - Brasil, 29 anos
21 textos (1098 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 09:46)
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