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 Arlete Caramês, Deputada Estadual do Paraná (2003/2006), Fundadora e Presidente de Honra do CriDesPar (Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida do Paraná) e extraordinária ativista brasileira, nasceu no dia 15 de setembro de 1943 em Porto União – SC. Estigmatizada na alma pelo desaparecimento do pequeno Guilherme, seu único filho, tornou-se uma das maiores referências nacionais na luta em prol das crianças desaparecidas.

Formada em Contabilidade pelo Colégio Visconde de Cairú, localizado na capital paranaense, foi funcionária de carreira do extinto BADEP nas décadas de 70 e 80. E nos anos 90 ocupou vários cargos no Banestado, hoje Banco Itaú.

Na fatídica manhã do dia 17 de junho de 1991, Arlete Caramês e seu esposo Ewaldo Oscar Tiburtius, forçosamente, deixam o anonimato e passam a viver o maior e mais longo pesadelo de suas vidas - pesadelo envolto no manto gélido do mistério que já dura uma década e meia. Juntos iniciam um íngreme calvário pautado por intensos momentos de sofrimento, angústias e dúvidas quanto ao misterioso desaparecimento do maior tesouro que possuíam: o filho Guilherme Caramês Tiburtius, de apenas oito anos e meio, indefesamente retirado do amoroso convívio familiar por monstros anônimos que se escondem nas tenebrosas sombras da marginalidade impune.

Enquanto aguardava o almoço e à hora de ir para a escola, Guilherme brincava de bicicleta em frente à sua casa no Bairro Jardim Social em Curitiba, sob a vigilância periódica da avó materna que naquele dia estava completando mais um ano de vida. Quando ela foi chamá-lo para almoçar, não o encontrou mais. Nem ele e nem sua bicicleta ou qualquer vestígio que desse uma pista sobre o seu paradeiro.

Familiares e vizinhos solidários se mobilizam. Começa a busca... A imprensa e a polícia são acionadas. À medida que as horas passam, o desespero aumenta... Passam-se os dias... Passam-se os meses... Centenas de informações, cartas, telefonemas, pistas, alimentando a intensa chama da esperança nos corações paternos dilacerados pela dor sem trégua. Inúmeras demonstrações de solidariedade, revelando a grandeza do ser humano sensível que se irmana na dor. Vários trotes e tentativas de extorsão, confirmando a indiferença e a insensibilidade de muitos diante do sofrimento alheio. Passam-se os anos... Pereniza-se a dor...

Dor indecifrável, traduzida por Arlete num emocionante desabafo: "Ter um filho desaparecido é ter a vida suspensa!" “É pior do que a morte! Porque na morte, por mais violenta e dolorosa que ela seja, o tempo se encarrega de aplacar a dor, pelo simples motivo de que ela é inexorável. E diante do inexorável, o ser humano trata de se defender. Aos poucos o sofrimento diminui, a pessoa se recupera e a vida segue seu fluxo normal. Mas, isto não acontece quando, misteriosamente, o seu filho é seqüestrado. Quando lá fora há fome... chuva... frio... desabrigo... violência... Para os pais, o simples ato de comer, de se vestir e até mesmo de sorrir, é um ato doloroso. Como comer, se o filho pode estar passando fome? Como se agasalhar, se o filho pode estar passando frio... miséria... desamor... sofrimento... violência? Como sorrir... se o filho pode estar chorando?”.

O mais árido deserto é capaz de abrigar um oásis, assim também o coração materno de Arlete Caramês, embora dilacerado pela dor indescritível, refuta o ódio aos seqüestradores do filho e abriga o amor incondicional à humanidade; amor que a impulsionou, ainda em 1991, a iniciar um dos maiores movimentos sociais do país - o CriDesPar (Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida do Paraná).

Guiada pelo lema: “A única causa que se perde é aquela que se abandona” (Mães da Praça de Maio), Arlete Caramês percorreu o país distribuindo panfletos com fotos e fazendo apelo por informações que pudessem revelar o paradeiro de Guilherme e também o de outras crianças desaparecidas.

Através do trabalho responsável e comprometido da equipe do CriDesPar, liderada por Arlete Caramês, criou-se uma consciência nacional sobre o rapto de crianças, grave problema que atinge milhares de famílias brasileiras. Inclusive, o mesmo foi tema da novela Explode Coração, estreada no final de 1995, em horário nobre, pela Rede Globo de Televisão, através da qual foram solucionados cerca de mil casos de crianças desaparecidas em todo o país.

É importante ressaltar que, ao longo dos quinze anos de existência, o CriDesPar vem promovendo intensas campanhas de alerta aos pais, conscientizando-os sobre a observância de medidas preventivas com relação à segurança dos filhos e tem firmado importantes parcerias com várias empresas. Atualmente são 62 parcerias que estão fazendo a divulgação das fotos de crianças e adolescentes desaparecidos no Paraná. Também atua em parceria com o SICRIDE (Serviço de Investigação da Criança Desaparecida), na busca da criança menor de 12 anos; com a D.V.C. (Delegacia de Vigilância e Capturas), na busca do adolescente e com o NUCRIA (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima de Crime), sendo, portanto, co-responsável pelo desfecho bem-sucedido de inúmeros casos de crianças e adolescentes desaparecidos ou vítimas de violência.

A luta para resgatar e devolver as crianças e adolescentes desaparecidos às suas famílias e o ardente desejo por leis em sua defesa, tornou-se o estandarte de Arlete Caramês e também o motivo principal do seu ingresso na carreira política em 1998, como candidata à Câmara Federal. Apesar de ter somado 30.226 votos, não conseguiu se eleger. Em 2000 foi eleita vereadora com 14.160 votos (2ª colocada nesse pleito), garantindo uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba. Em 2002 elegeu-se Deputada Estadual pelo PPS.

Na Assembléia Legislativa do Paraná, a Deputada Arlete Caramês destaca-se como política atuante, verdadeiramente comprometida com as causas de cunho social, através da elaboração de importantes Projetos, na sua maioria em defesa de "nossas crianças". Dentre seus projetos, transformados em Lei Estadual, destaco:
Lei nº.14934/2005 Autoriza o Poder Executivo a criar o programa “Vida Nova Mulher Mastectomizada” de apoio às mulheres carentes mastectomizadas no Estado do Paraná.
Lei nº14425/2004 Obriga a todas as escolas da Rede Estadual de Ensino o uso de alimentação especial na merenda escolar adaptada para alunos portadores de diabetes melito.
Lei nº14426/2004 Torna obrigatório que hotéis, pensões, pousadas e albergues mantenham ficha de identificação de crianças que se hospedem nos estabelecimentos.
Lei nº14493/2004 Assegura procedimentos para a imediata busca de pessoas de 0 a 16 anos ou de qualquer idade se portadora de deficiência, quando noticiado seu desaparecimento.
Lei nº14857/2005 Obriga a afixação de cartazes nas salas de aula das Escolas da Rede Pública de Ensino, com os números dos telefones de utilidade pública.
Lei nº10529/2002 Institui no calendário oficial do Município de Curitiba, a Semana de Prevenção contra Desaparecimento de Crianças e Adolescentes e dá outras providências.
Lei nº14424/2004 Dispõe que as Escolas Estaduais de Ensino Fundamental e Médio ficam obrigadas a exigir a carteira de identidade como documento necessário à realização de matrícula escolar.
Lei nº14588/2004 Dispõe que as maternidades e os estabelecimentos hospitalares públicos e privados do Estado do Paraná ficam obrigados a realizar, gratuitamente, o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (Teste da Orelhinha) para o diagnóstico precoce de surdez nos bebês nascidos nestes estabelecimentos.
Lei nº14990/2006 Dispõe sobre afixação de letreiros que explicitem crimes e penas decorrentes da prática de prostituição ou exploração sexual de crianças.

Arlete - Mãe do Guilherme, como ficou conhecida, é uma extraordinária mulher; um verdadeiro exemplo de fé, persistência, coragem e determinação diante das vicissitudes existenciais. Graças ao seu ideal concretizado, aproximadamente 1.500 crianças e adolescentes retornaram ilesos ao aconchego dos seus lares, após viverem intensos momentos traumáticos longe de suas famílias.
Maria Aparecida Giacomini Dóro
Enviado por Maria Aparecida Giacomini Dóro em 11/06/2006
Reeditado em 30/12/2015
Código do texto: T173686
Classificação de conteúdo: seguro

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Maria Aparecida Giacomini Dóro
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