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A PROFECIA


A profecia
Naquela noite pelo caminho calçado com pedras ancestrais,  que ali já estavam, antes mesmo do povoado que se avista no vale abaixo existir,  divisa-se com a minha imagem caminhando com passos lentos.  Vem ruminando em seus pensamentos lembranças de mais um dia de pequenas humilhações que já aprendeu a suportar, mas não a perdoar. Porém,  diferente de outras tantas vezes que por ali passou,  desta vez algo me  alertou e chamou minha atenção,  erguendo meus  olhos  ,  e me voltando  para as linhas da construção de um velho templo,  agora abandonado em ruínas pelo esquecimento, mas ainda imponente em suas dimensões,  e que nas sombras da noite adquirem algo de seu antigo esplendor,  quando parte de suas cicatrizes se camuflam na escuridão.  Observa, atônita,  sob os arcos de algo que antes seria uma entrada,  uma silhueta que,  por seu negrume,  se destaca da própria escuridão da noite,  que tem sua intensidade diminuída pelo brilho do luar.  Estanca seu andar e,  enquanto sente um ar frio o envolver,  força sua visão para melhor observar e definir aquilo que lhe chamou a atenção. Em uma fração de tempo,  dois pensamentos o assaltam: continuar seu caminho ou ir até perto do misterioso avistamento. E então,  no mesmo instante eu  decidi se aproximar para melhor observar, em um piscar de olhos  não está mais na estrada,  e sim diante da aparição que agora quase o envolvia em seu manto  que,  diferente de um tecido,  se assemelha a uma espessa e sólida ausência de luz. Paralisada,  observa o ser envolto neste manto de escuridão. De sob algo que se assemelha a um capuz,  globos de tênue luz azul observam-me como se fossem olhos. Após um momento fora do tempo, uma voz em minha cabeça começa a falar:
- Te observo e sempre estás entristecia... Qual o motivo, pequena?
- O destino cruel me impôs uma vida indigna e miserável, meus semelhantes insistem em me humilhar e me usar de bode expiatório para seus medos e amarguras – respondi.
- Assim me foi dado a  entender, mas necessitava ouvir de ti – ecoa um pensamento em minha cabeça. E continua:
- Por força de uma lei maior, acima da minha e principalmente da tua compreensão, foi-me atribuída a responsabilidade de te abrir as portas de duas possibilidades à sua escolha.
- Quais são elas, ó ser da escuridão? pergunto.
- Daqui e agora,   a ti será  dada a escolha,  assim como foi feito a outros tantos para,  a partir do momento da tua decisão,  disseminares,  atrás dos teus passos,  a paz do iluminado ou a ira do justiceiro.  - Lenta e tranqüila a voz soturna envolve meus pensamentos 
- Qual devo escolher? – pergunto.
- A escolha é tua, só posso te esclarecer que por uma carregarás os atos de teus semelhantes nas costas e purificarás às custas de teu sangue. Por outra, cavalgarás os mesmos atos e purificarás com o sangue dos semelhantes em tuas mãos.
-Deixa-me ir...Sou fraco e não suportarei tais destinos – eu falo atemorizada.
- Não, pois perdestes  o direito a esta vida. Bem o sei que se  chegasses  em sua casa,  poria termo nela por suas próprias mãos - diz a  voz que tomará meus pensamentos.
- Pois bem, se devo escolher,  que seja pela ira e pela justiça, pois pelos meus semelhantes só neutra ao  sentimento da vingança!  - grito com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
- Que assim seja feito,  pequena. Ecoa a voz soturna e grave.
Dito isto,  o manto de escuridão me envolve me sinto  como se estivesse flutuando ou sendo sustentado por braços poderosos; então ele sente sobre seu peito como que finas agulhas que se apóiam e furam minhaa pele, como finos e longos dedos de uma mão – pensei –, lentamente elas vão penetrando em meu peito através de minha pele e da minha carne.
A dor inexiste penetrando em meu corpo. As finas agulhas penetram e chegam até meu pulsante e quente coração . Então,  por um instante,  elas estancam sua ação;  neste momento,  algumas lembranças de felicidade da minha vida desfilam pela minha mente como que se desfazendo para nunca mais retornarem. Lembranças de amor, ternura e alegria inocentes ainda da minha  curta infância,  e de uma paixão por um amigo que se transformara em amor, mas fora interrompido pelas sombras da morte e substituídas pela dor da amargura e do desespero. E  enquanto as  lágrima rola dos olhos meus olhos,  as agulhas terminam sua jornada e se cravam no seu coração;  e logo, em colapso, o agonizante órgão vital estanca sua marcha pela vida.
Uma sensação de frio, torpor e cansaço invade o meu corpo do ,  enquanto minha sua visão escurece;   sentia-me com se começar a subir,  como que sugada,  puxado pelo tórax para ima,  suave e rapidamente. A  visão novamente se torna clara,   e eu observo que estou flutuando além das arvores, das nuvens, além do céu,  e se depara finalmente com um enorme batalhão de anjos,  do qual emana um poder indescritível. E, quando  reabrios olhos ,  está novamente perante o ser com o manto da escuridão no local em que tinha visto,  envolto pela noite serena. Seu rosto agora é como um mascara sem expressão e seus olhos têm um brilho que aterroriza e encanta. Eu  agora tinha o conhecimento da totalidade da criação e entendia seu poder.
Novamente a voz soturna e sombria se faz ouvir:
- Renascestes  para a escuridão, livre dos grilhões da vida mundana;  teu destino é teu desejo. Daqui  mistura-te com a escuridão e some. Tua  busca agora é por vingança e justiça, tuas presas serão aqueles que te humilharam. Na escuridão como uma  sombra espreitarás;   sem remorso nem culpas,  ceifaras; serás o carrasco, o cavaleiro justiceiro e implacável. Pela honra de uns lutarás  e pela  infâmia de outros matarás. E  para nenhum darás testemunho e nem te  curvarás, pois és dono do teu poder e senhor do teu destino. Vai, pois de agora em diante  cumprir seu destino e brevemente te enviarei um auxilio na quarta estação para te ajudar na sua jornada.
Após o ser desapareceu e continuei minha caminhada mal sabendo que a minha jornada apenas estava começando.
Naquela mesma semana estava correndo tranqüilamente as brincadeiras e nossa amizade estava ficando mais forte.
Mas algo dentro de mim não me deixava descansar nem um minuto se quer parecia que algo estava faltando para mim se tornar completa.
Parecia que a profecia nunca iria se cumprir e por dentro meu coração estava cheio de rachaduras e a dor de não conseguir completar mais um sonho me fazia chorar lagrimas de sangue, lembro-me que escrevi uma musica sobre isso até um trecho a lembrar dela é:

... Era rosa em minhas mãos...Mas a dor me fez fechá-la, Esmagando-a... E seus espinhos fizeram-me sangrar... Eram lagrimas e olhos fechados...Meu rosto esquecido no tempo...Minha mão sangrava...E a noite era meu preenchimento...

Naquele momento parecia que minha luta ira se findando com uma perda inestimável e que agora so me restava a escuridão de consolo e que a dor seria minha única e fiel companheira para o resto da minha vida.
Rafael reparou que eu não estava bem, e veio falar comigo pediu o que estava ocorrendo e se teria como ele me ajudar, falei que nada poderia mudar, pois a profecia tinha se rompido, e eu tinha sido a culpada de comer da maça proibida, ele olho para mim serenamente e pedi pra mim falar sobre a profecia para ele, relatei com calma explicando os mínimos detalhes dessa jornada que eu não consegui cumprir.
Ele sorriu para mim e falou:
-mas a quarta estação do ano e o inverno.
Olhei pra ele e parecia que o meu engano naquele momento trazia um alivio para minha alma agoniada, pois bem lá estávamos nos no final do inverno, um olhando para o outro e sem palavras, chocados com o inexplicável, com algo que só acontece em filmes e novela estava acontecendo com nos duas almas predestinadas acabaram de se encontrar de uma forma cósmica foi como se naquele momento tive-se passado um anjo no meio do vale dos sonhos perdido e tive-se recuperado meus sonhos.
Após um tempo em silencio olhei para ele e falei:
- e você o predestinado para mim
Ele olhou para mim, seu coração pulsando mais fortes e falou que não conseguia acreditar no que estava acontecido, ele que anteriormente tivera vontade de tirar sua própria vida, aproveitar o que lhe restava dessa vida sem objetivos e sonhos, estava ali agora na minha frente olhando para mim como nunca antes.
Aquela tarde passamos discutindo sobre isso e felizes pois nos já éramos praticamente iguais gostávamos das mesmas coisas e também dividíamos os mesmos dons, e agora dividíamos os mesmos sonhos e poderíamos construir nossas vidas juntos um ajudando o outro nesse jornada para o futuro onde tudo era possível de ser feito onde a dor  não existiríamos, poderíamos caminhar juntos em cima dos trilhos pois teríamos forças de chegar do outro lado, um se apoiando no outro.
Essa foi uma das melhores coisas que aconteceram no inverno, que se tornara a melhor estação da minha vida.
E a profecia havia se concretizado como o aviso do anjo.
Jully Plauth
Enviado por Jully Plauth em 23/01/2012
Código do texto: T3457142

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Sobre a autora
Jully Plauth
Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Brasil, 20 anos
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Jully Plauth



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