A INTELIGÊNCIA NÃO TEM COR

Francisco de Paula Melo Aguiar

Preliminarmente entendo que a inteligência humana não tem cor ou preconceito de qualquer natureza, pois, desde muito jovem que tenho à mania de ler um livro sobre determinado assunto, de autores variados e academias diferentes. Claro! De assunto que me leve a pensar, a meditar, a contextualizar, a criticar e tentar compreender em que tipo de sociedade e lugar o enredo contado pelo(s) personagem (ns), naquele exato momento. Como por exemplo, recentemente li um artigo biográfico contando a história de “Monteiro Lopes (1867-1910), um líder da raça negra na capital da República, escrito por Carolina Vianna Dantas, estudante “bolsista PRODOC/CAPES no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense”, pois, trata-se de um trabalho acadêmico cientifico, proveniente de “uma bolsa de pesquisa concedida pela Fundação Biblioteca Nacional durante o segundo semestre de 2008 possibilitou os primeiros passos dessa investigação, agora em fase de ampliação e aprofundamento”, segundo as palavras da própria pesquisadora em suas referências de rodapé, publicadas in Afro-Ásia nº 41 - 2010, páginas 167 a 209, pelo Centro de Estudos Afro-orientais - CEAO, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas-FFCH, da Universidade Federal da Bahia/UFBA. Aqui a pesquisa de caráter histórico registra a figura da “imagem das primeiras décadas republicanas no Brasil que se encontra consolidada na historiografia remete à inexistência de espaços de participação e intervenção política, ao predomínio absoluto dos esquemas oligárquicos, ao imobilismo, ao vazio de ideias e de propostas alternativas de poder”, é justamente assim que a pesquisadora inicia o seu artigo para resgatar do anonimato nacional e mundial um dos cinco filhos do casal de negros: Jerônimo e Maria de Paula, uma vez que “há poucas informações sobre Jerônimo e Maria de Paula, sendo impossível determinar se viveram a experiência do cativeiro, se eram africanos ou brasileiros”. Tudo porque “quando citados nos obituários de Monteiro Lopes, os nomes de seus pais não vinham precedidos de nenhum qualificativo que pudesse vinculá-los à escravidão”. De modo que “apenas um memorialista, Sebastião Martinez – que afirmou ter conhecido Monteiro Lopes pessoalmente – mencionou que o “deputado negro” era filho de africanos, sem dizer, contudo, se haviam sidos cativos” (MARTINEZ, in: Pimenta, amor e chibata, p. 24), portanto, trata-se da figura extraordinária do negro nordestino, nascido em Recife/Pernambuco,( por analogia enfocamos também só a titulo de exemplo, a figura de Luiz Gonzaga – O rei do baião, que nasceu em Exú, sertão do Estado de Pernambuco, em 13 de dezembro de 1913, cujo centenário o Brasil festeja hoje, igualmente filhos de negros e teve coragem de enfrentar os preconceitos e ditar para o mundo sua personalidade musical, ética e moral, inclusive o baião como ritmo musical, ao lado dos grandes teóricos dos ritmos musicais que o mundo conhece em todos os tempos, é um pessoa negra genial), do advogado dos operários negros e das irmandades religiosas negras e associações abolicionistas da escravidão que lutou contra o preconceito racial, e que foi eleito primeiro negro deputado federal: Monteiro Lopes, na Câmara dos Deputados, em pleno Rio de Janeiro, então Capital da República. Assim sendo, a autora afirma que “o objetivo desse artigo é, em primeiro lugar, encaminhar uma reflexão sobre a experiência de mobilização política de ex-escravos e seus descendentes em torno da eleição de Monteiro Lopes para deputado federal em 1909. E, em segundo lugar, registrar os processos de negociação da cidadania e de “fazer política”, daí decorrentes”. É importante mencionar que “Manoel da Motta Monteiro Lopes nasceu livre no mês de dezembro de 1867 (as fontes indicam diferentes dias de nascimento: 11, 17 e 25) em Recife, Pernambuco. Seus pais, Jerônimo da Motta Monteiro Lopes e Maria de Paula Lopes, ainda tiveram mais quatro filhos: José Elias Monteiro Lopes, um advogado que exerceu o oficio de Juiz de Direito na cidade de Cametá, no Pará; João Clodoaldo Monteiro Lopes, republicano e advogado no Recife; e Maria Julia e Taciana Monteiro Lopes, ambas professoras, que casaram com homens, assim como seus irmãos, dotados de formação superior”, uma vez que “tal fato foi ressaltado em vários obituários publicados nos jornais na ocasião do falecimento de Monteiro Lopes, em 1910”. É importante ressaltar de que no período de 1867 a 1910, onde nasceu, lutou e viveu justamente no fim do segundo império brasileiro e inicio da primeira república, ainda não existia em nosso país, as chamadas cotas para negros e seus descentes em escolas superiores, como atualmente no Brasil, porém, nada impediu que os “Monteiro Lopes”, ingressassem em faculdades e concluíssem seus cursos superiores, pois, a inteligência não tem cor ou preconceito, pois, cada caso é um caso, principalmente o caso do querer ser e enfrentar tudo e todos para conseguir ser e nada mais, o individuo tem que querer ser, independentemente de ser branco, indígena, mestiço ou negro, homem, mulher ou de qualquer orientação religiosa, política, filosófica, sociologia, sexual ou esportiva, não importa a classe social em que o sujeito nasceu, porque a pobreza não é um câncer que se nasce com ele e tem que morrer com ele. Monteiro Lopes sofreu na carne o preconceito e a descriminação racial e étnica de todo tipo pela sociedade do Rio de Janeiro da época pelo fato de ser negro, pois, nada disso lhe intimidou, foi em frente, de modo que “a cor é um predicado que informa parte de alto que acompanhava o individuo não-branco, algo que lhe era inato e com a designação da cor tornava-o transparente ao leitor”, conforme afirma Álvaro Pereira do Nascimento, “Um reduto negro: cor e cidadania na Armada”, in Flávio Gomes & Olívia M.G. da Cunha. Quase-cidadão. Histórias e antropologias da pós-emancipação no Brasil (Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2007), PP. 299-300”. Em síntese, Monteiro Lopes, saiu do Recife e foi morar então Distrito Federal (Rio de Janeiro) e lá teve longa militância na advocacia até o ano de 1903, em 1905, ele foi candidato a deputado federal sem ser filiado a qualquer partido político, foi eleito, porém, não foi reconhecido e nem diplomado pela Justiça Eleitoral. Não desistiu e nas eleições de 1909, apresentou-se como candidato a deputado federal pelo 1º distrito da Capital da República, valendo salientar que [...] agora vinculado ao Partido Republicano Democrata – PRD e na verdade lutou contra todos os seus opositores e o mesmo foi eleito deputado federal, teve outra batalha a enfrentar a do reconhecimento e da diplomação para poder assumir suas funções de deputado federal, enfrentou a oposição de Afonso Pena e do Barão do Rio Branco, dentre outros parlamentares da aristocracia nacional e teve finalmente o reconhecimento de sua eleição quando no dia primeiro de maio de 1909 aconteceu sua posse como Deputado Federal no plenário da Câmara dos Deputados, no Distrito Federal no Rio de Janeiro, pois, “das galerias cheias da Câmara recebeu ruidosas manifestações, uma chuva de flores e pombas brancas foram soltas no recinto. Foi muito abraçado e comemorou com seus admiradores – a maioria negros – ali presentes”, conforme publicou a Gazeta de Noticias do dia 02 de maio de 1909. Finalmente, por analogia a este herói nacional negro, as crianças, os jovens e os adultos da raça negra brasileira, devem espelhar-se na vida e na obra deste grande brasileiro Monteiro Lopes, em vez de acomodar-se com esmolas do tipo: cotas em universidades por ser negro ou por ter estudado em escolas públicas toda educação básica. Infelizmente, viveu pouco, faleceu no dia 13 de dezembro de 1910, com 43 anos de idade tendo como “conseqüência de uma doença nos rins”, portanto, hoje dia 13 de dezembro de 2012 faz 102 anos de sua morte.

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CBP – REPRESENTANTE REGIONAL PARAÍBA

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Biblioteca

Instituto Histórico e Geográfico Paraibano

FONTE: http://www.ihgp.net/biblioteca/index.php?item=10

História

Autor: AGUIAR, Francisco de Paula.

Título: Santa Rita, sua História, sua Gente: origem, história, povo, sociedade, bases econômicas e antropologia geo-social e cultural

Editor: Campina Grande/PB: Gráfica Julio Costa, 1985. 109 p. il.

Descritores: SANTA RITA, HISTÓRIA, MUNICÍPIO DA PARAÍBA.

Série: s.s.

Notas: Traz foto do autor e seus pais, da Bandeira Oficial do Município de Santa Rita (p.91), Brasão Oficial (p.93), Brasão e Armas do Colégio Francisco Aguiar (p. 95).

Localização: HIS-60 PB (5392/97)

FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR
Enviado por FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR em 14/12/2012
Reeditado em 14/12/2012
Código do texto: T4034708
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