Waldemar Levy Cardoso

WALDEMAR LEVY CARDOSO
(108 anos)
Militar e Servidor Público
* Rio de Janeiro, RJ (04/12/1900)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/05/2009)
SAGITÁRIO
 
Detinha a patente de Marechal do Exército Brasileiro.

Filho de uma judia de origem argelina e de pai descendente de portugueses, Waldemar Levy Cardoso ingressou na vida militar em 1914, no Colégio Militar de Barbacena. Saiu de lá em 1918, aos dezessete anos de idade, como Coronel-Aluno, por ter sido o primeiro aluno da turma. Em 1921 tornou-se Aspirante-a-oficial da arma de Artilharia. Sua primeira unidade foi o então 4º Regimento de Artilharia Montado (4º RAM), situado em Itu. Em 1924 envolveu-se na revolta contra Artur Bernardes, quando foi preso e condenado a dois anos de prisão. Depois de cumprir a pena, o Supremo Tribunal Federal reviu seu caso e o condenou a mais três anos de detenção. Waldemar fugiu da pena e passou alguns anos escondido em Paranaguá, usando nome falso. Anistiado, envolveu-se na Revolução de 30, já como tenente. Foi então promovido a capitão.

Em fevereiro de 1935, matriculou-se na Escola do Estado-Maior, no Rio de Janeiro, concluindo o 
cursoarrow-10x10.png em dezembro de 1937. Em 1944, como tenente-coronel, seguiu com a Força Expedicionária Brasileira para a Itália, para lutar na Segunda Guerra Mundial. Participou da Batalha de Monte Castello ao lado das tropas estadunidenses. Ele seria o co-autor da frase "Senta a Pua!", com o major-brigadeiro Fortunato Câmara de Oliveira, comandante da Esquadrilha Azul.

Após a volta da guerra, Levy Cardoso permaneceu na ativa do Exército. Em 1951, foi enviado para a Europa como adido militar às embaixadas do Brasil na França e na Espanha. Retornando ao Brasil em 1953, foi comandar o 2º Regimento de Obuses 105 - Regimento Deodoro em Itu, onde permaneceu até ser promovido a general-de-brigada. Em 1957, foi nomeado para a chefia do gabinete do ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott. Entre 1961 e 1963, foi o comandante da 2ª Divisão de Exército, em São Paulo. Após o Golpe de 1964, assumiu a chefia do Departamento de Provisão Geral (DPG) do Exército. Passou para a reserva em 1966, com a patente de marechal. Em abril de 1967, foi nomeado presidente do Conselho Nacional do Petróleo, cargo que manteve até março de 1969, quando assumiu a presidência da Petrobras. Deixou a presidência em 30 de outubro de 1969. Entre 1971 e 1985, foi conselheiro da Petrobras.

No dia 19 de janeiro de 2008, já com 107 anos, esteve presente à cerimônia comemorativa dos 90 anos do Regimento Deodoro, hoje denominado 2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, unidade que comandou nos anos 50.

Waldemar Levy Cardoso foi durante muitos anos o último brasileiro detentor da patente de marechal.

Ele faleceu em 13 de maio de 2009 aos 108 anos, no Hospital Central do Exército, vítima de insuficiência respiratória. No saguão principal do Palácio Duque de Caxias (PDC), familiares, autoridades civis e militares estiveram presentes, prestando sua última homenagem. O sepultamento ocorreu no Cemitério São João Baptista, com todas as honras fúnebres a que fazia jus um Marechal que dedicou toda sua vida à nossa pátria. A guarda da câmara ardente foi composta por Cadetes da Arma de Artilharia da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a mesma arma à qual pertenceu o Marechal, e também por soldados do 1º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola) - Regimento Sampaio, trajando uniforme histórico da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Seu corpo foi transladado para o cemitério em uma viatura blindada e, no Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Mundial, recebeu uma salva fúnebre de 19 tiros, realizada pelo 31º Grupo de Artilharia de Campanha (Escola). Chegando ao local de sepultamento, foi recebido por uma guarda fúnebre do 1º Batalhão de Guardas - Batalhão do Imperador.

Por ter sido o mais antigo militar combatente da Segunda Guerra, o Marechal Levy detinha o bastão de comando da Força Expedicionária Brasileira.