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CARTA DA LOUCURA

Quero te dizer que estou chorando. Sei e não sei por que. Consegui tirar uma das minhas capas mais pesadas: a da lucidez. Graças a ti que saistes calado, tão acabado como se pedra fosses, tão perdido como se não pudesses mais ser encontrado.

A loucura nossa mexeu com todas as sensações que conheço e despertou sensações desconhecidas. Sensações do corpo e da alma.

A alma! Nunca ficou tão aberta e tão exposta antes. Nunca um poeta palmilhou com tanta liberdade pelos caminhos de minh'alma. Nunca a entreguei tão sem pensar. E gostei, gosto ainda. As palavras são verdadeiras justamente por serem impensadas... Falo das minhas palavras. As tuas... algumas senti impensadas, algumas senti emprestadas... algumas tive que desenterrar das entrelinhas... tuas formas de falar.

Queria te dizer tudo o que sinto, tudo que despertaste em mim. Não digo tudo. Não quero extrapolar. Não quero te violentar. Mas também não quero me esconder, fingir, mentir. Por isso te peço: me abrace (não como amigo ou irmão), me dê o carinho que está trancado em teu coração sofredor, me arraste contigo para onde quiseres, sobre o teto de vidro que construímos, para o porão do teu eu, para o jardim à luz do sol, para o quintal à luz da lua, sempre com a alma em festa e com a poesia brilhando no olhar, me abrace com ternura e me ame um pouquinho, nem que seja de mentira... Me ame um pouquinho com a força que tivestes ao me arrancar as lágrimas que inundam minha face. Elas correm copiosas... Tu as arrancastes, as lágrimas todas, de emoção, de alegria, de tristeza e muita dor. Outros me feriram, não tu, tu não me causastes dor. Mas tu conseguistes fazê-las aflorar, elas que estavam engasgadas e se recusavam a correr, me sufocando há tantos dias. Me abrace e me enxugue as lágrimas que correm. Com amor... nem que seja de mentira...

Não te assustes comigo, apenas te delicies com a minha entrega sem posse. Entrego-me como sei, sem restrições, óbvia e total que sou. Principalmente agora, abrindo mão da lucidez. E me deixe te abraçar também, com o amor que é de verdade...

Quero, só hoje, ser supérflua sem ser essencial. Só hoje, me deixa anular o SAL em mim e ser MEL para ti.

Meu beijo maior.
Sal
Sal
Enviado por Sal em 26/01/2006
Reeditado em 26/01/2006
Código do texto: T104038
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
507 textos (44790 leituras)
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