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Uma verdadeira e derradeira carta.

Esta será a mais longa carta que um dia irei escrever.Minhas mãos vão doer como dói meus pensamentos batendo bem rápido na minha razão. Além de ser a maior carta, será a maior despedida, de tanto tempo perdido, de tantas vezes que tive vontade de escrever e só deixei o silêncio. Está é uma grande carta, para nunca mais escrever nenhuma, nenhuma que mostre que parece que está chegando eternamente o fim. Se não já chegou, há de chegar. Sua presença não fará nada em mim. Nenhuma força e nenhuma vontade. Você virou objeto, de um fim triste.
Como todos os escritores, vou escrever da melhor (ou pior) forma possível expressar algo que nem Carlos, José, William e Luis nem conseguiram chegar perto.Algo que chega tão rápido e demora a sair. Se sair por algum motivo, semplesmente deixa saudade. Sofrimento bom.
Agora sim, posso começar minha grande carta. Disse tudo que deveria ter dito pessoalmente, mas as resções dentro de mim podem acontecer e atrapalhar todos os meus sentidos.
Não exijo de você mais do que desviar de meu corpo, de olhar para meus olhos e respeitosamente me cumprimentar. Como políticos, como vizinhos, sendo ao menos, educado. Sei que sou a culpada de todas estas palavras, e de fato, gosto de alimentá-las. Talvez porque sejam as únicas coisas que me confortam diante de seus olhos. Seu também que todos os sentidos, sendo fortes ou poderosos, lindos ou essenciais, o amor verdadeiro é o maior deles, mas não te amei verdadeiramente, nem sequer te conheci. Esqueceram de colocar regras para o amor. Todos os outros sentidos tem passos e classificações, provas e testes para saber se realmente são eles que estão dentro de nós. O amor não, ele parece loucura.
Então, se eu não verdadeiramente amei, esta carta não é uma prova de amor perdido, de drama ou de cenas que nos fazem chorar. Esta carta só é feita para me expor ao ridículo, ao meu ver, ao ridículo de mim mesma. O torto e fúnebre espaço vago que guardei dentro de mim, escrito você.Hoje me parece que todos os poemas de amor já escritos, são apenas palavras que se completam. Não me dão mais esperanças. Também me parece que todos os romances e frases de amor não foram feitos para que eu lêsse. Apenas existem para fazer bonito, algo que ninguém ao menos conseguiu chegar. Mas estou desviando o objetivo apenas para dizer o que sinto, me perdoe. Estou aqui bancando a idiota como sempre.
Nunca pensei que as coisas passassem tão rápido como passou você. Passou tão depressa que até agora não lembro como você é.Apenas sei que gostava de você e pronto. E isso me bastava, se eu precisasse acreditar que você existiria, eu apenas pegaria uma foto sua.Mas o que é gostar? Até onde o gostar chega para o amor começar? Será que gostar é um estágio do amor? Não ficarei escrevendo as minhas dúvidas, mas sim o que eu preciso e precisava dizer a você pessoalmente e não tenho coragem. Paro para pensar o quanto é difícil até escrever tudo o que eu pensei e passei, que senti e até algum dia demonstrei. Tudo bem, consegui tudo errado. Como o abismo e a docilidade de Clarice, como todas as lindas canções de Sofia, eu espero que você ouça, algum dia, em algum lugar, de preferência bonito e no pôr-do-sol (me sentiria mais feliz) entenda-me.
O destino da vida, as mentiras e as coincidências já me fizeram acreditar que um dia tudo isso daria certo, mas como tudo está presente na realidade acaba com o final que há que merecer. Ouça e sinta apenas o que eu escrevo nas entrelinhas, todo o meu afeto, as minhas emoções despejadas e escancaradas nesta carta, que me parece estar chegando no início, na essência de tudo o que eu preciso dizer.
Não fostes o primeiro choro, nem o primeiro sorriso. Não foi nada demais, nada de maior, nada de novo. Apenas foi. E foi embora, e deu saudade, e deu raiva, e deu tédio, e deu perdão, e deu esquecimento, agora, deu uma relembrança. Volta tudo, vem tudo, chega tudo como se hoje eu te conheci e hoje te esqueci, tudo no mesmo tempo, no mesmo lugar: aqui.
Aqui é meu tempo que eu posso fazer estático e guardar no meu coração. Tudo isso me fará sem dúvida, quebrar meus ossos por dentro, ser e me fazer verme. Louca e imatura como sou. Tenho consciência de que você não vai nem chegar a um dia, me olhar por livre arbítrio, me dizer algo que vem de você.
A diferença entre eu e você é essa: eu te sufoco com minhas vontades. dúvidas e esclarecimentos; você me mata com o seu silêncio. Pronto cheguei ao ponto. Detalhe: Esse silêncio que eu digo não é somente o silêncio que oculta o som, é o silêncio da alma, silêncio da sua vontade, silêncio da sua mente que ainda não se lembrou de mim. Nem queira lembrar. Me esqueça...é o que você mais gosta. Eu haveria de gostar se não fosse você quem gostasse, não quero ter nada em comum com você. Só que somos terráqueos e ponto.
Sinto que quando escrevemos ou falamos, escancaradamente o que achamos, o que sentimos o que se passou, apenas nos faz mostrar algo que ninguém quer saber. Ninguém quer saber se a gente chora por dor ou amor, se cantamos por estarmos felizes, ou para os males saírem de nós. Esclarecemos o que não necessita de esclarecimentos, e neste caso, você é mais correto que eu pelo fato de, ser apenas ser, sem dizer e fim. Não sou perfeita, sou apenas o que você nunca quis que eu fosse, mas não tenho culpa de você querer algo que é impossível de ser :perfeita.
Fica esperando que alguém algum dia seja perfeita como você sempre quer. Sou quase, não sou. Não sou também convencida e nem realista, mas para eu escrever tudo isso para você é porque realmente você me alterou, me fez ter pelo menos, vontade de esclarecer o que eu sempre quis dizer.
Fica estabelecido também, a possibilidade de um dia haver perdão entre nós e a história acabar feliz, deixei para falar isso por último porque eu sei que esse final não será possível. Nada acaba tão bem, acaba só e simplesmente normal. Sem grandes festas, e sem grandes comemorações. Puff...Acabou.
Pucca
Enviado por Pucca em 03/03/2006
Código do texto: T118299
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Sobre a autora
Pucca
Osasco - São Paulo - Brasil, 27 anos
9 textos (3945 leituras)
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