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Confissões de uma amante

Ao meu querido amante,

através desta carta, quero registrar o que vai em meu coração e em minha mente, o que às vezes tenho vontade de comentar pois falta tempo,pois tão logo me vês seu corpo chora pelo meu e seus braços se enroscam nos meus como uma serpente prestes a me morder e soltar seu veneno fatal.

Amante - a mais bela palavra que conheço. Significa para mim aquele (a) que exerce continuamente o ato de amar. Que ama como exercício do coração e do corpo cheio de tesão.

O amor é o sujeito principal desta ação.

A vida é ação, emoção, vezes outras. No mais certo, no popular é mesmo o resultado da Criação e o amor está presente em tudo.

Como amante fui ao encontro do amor e descobri que não adiantava correr atrás dele. Ele era como o vento, ou como a água quando pensamos penetrar em suas almas, suas essências, escapam ao nosso conhecimento.

Parei, pensei, analisei, nada compreendi. O tempo passou, dei uma grande volta dentro de mim, mais tarde, repousada e tranqüila, intuí que amante como eu sou deveria confiar mais nos meus sentidos, já que eles podem funcionar como sondas e detectar melhor o amor. Confiei e encontrei de novo o amor. Estava lá me esperando. Achei que faltava uma coisinha, a manutençaõ do amor, manter o pacto. A única resposta que encontrei, veio também da intuição, a única maneira de manter é confiar no que recebia, no que estava sentindo, foi soltar as amarras do dique e deixar as águas fluirem livremente. Sabia que no primeiro momento, elas iriam formar uma enchurrada, mas não chegariam a transbordar. E aos poucos as margens do rio foram se acomodandooe formaram um leito. E a correnteza por si ´própria estabeleceu o seu ritmo.

A primeira vez, para difícil mergulhar neste rio e alcançar as profundezas de seu leito. Tentativas mau sucedidas à parte. Ousei mergulhar. Foi saudável e lindo.

O fundo do leito de um rio, é como as profundezas do ser humano. Existem tantos recantos insondáveis ou desconhecidos, que às vezes, deixamos passar algum pedaçinho, por falta de atenção, não conseguimos realmente colocar os pés dentro da água e criar com nossa emoção o que pode ser o melhor e apreciar profundamente nosso mergulho.

Ser amante é uma arte rara, pois além de usarmos todos os nossos sentidos, temos que sentir o que estamos vivenciando, e o amor às vezes cria artimanhas e manhas que até para os mais experientes ele surpreende, mas a amante por ser artista, recupera-se rapidamente e mantém presa sua conquista. Marcando a carne do outro, deixando seu cheiro profundo dentro dos cabelos que ele vai balançar ao vento (se ainda ficar alguns).Ser amante é bom demais, a gente se torna menos egoísta e começa a entender a mente de outro ser semelhante.
Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 17/03/2006
Código do texto: T124504

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Sobre a autora
Aradia Rhianon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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