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No dia em que parti

No dia que parti, era uma noite fria de março.
O dia estava um pouco frio, era uma Sexta Feira. Eu acordei pela manhã e me deu uma angústia uma sensação de não querer mais viver, pois eu já não tinha motivos para fazê – lo, eu saí de minha de casa brigado com minha mãe, ela havia me expulsado de casa, e com a cabeça sobrecarregada, entrei no trabalho e vi que meu dia não ia ser dos melhores, pois quando a noite chegasse você não estaria do meu lado. Eu ouvia o som dos congeladores gritando em meus ouvidos, o ventilador esfriava meu corpo, mas não fazia o mesmo com minha cabeça. Tudo parecia estar claro naquele momento, eu já não tinha mais motivos para viver, no decorrer do dia minha angústia foi aumentando, meu corpo sentia fortes dores, minha cabeça estava pesada e atordoada com os remédios que eu havia tomado na noite anterior a minha morte, parecia que já estava premeditando tudo. Há algum tempo atrás eu havia me sentido da mesma forma que agora, mas eu ainda tinha forças para suportar, hoje tornei - me um fraco, ás vezes me perco pensando em tudo que vivemos juntos durante este tempo, as vezes que me dizia me amar, a forma, tudo parecia um sonho, no qual foi se transformando em meu pior pesadelo.
Na noite em que morri fazia frio, isto eu me lembro muito bem, pois meu corpo parecia estar congelando junto com meu coração, se é que eu poderia dizer que ainda tinha um. Isto eu sei.
Eu a vi sorrindo para seus amigos, sentada no banco da praça, eu pude ver a sua expressão de felicidade, ou pelo menos era o que parecia, e eu não podia suportar minha dor, peguei uma lata de cerveja e achei que poderia resolver tudo naquele momento, talvez me embebedar, pudesse me fazer esquecê –la, mas de certa forma não pude, pois meus olhos encheram- se de lágrimas naquele momento.
Foi ai que percebi que o meu mundo não fazia sentido algum.
Eu caminhava sozinho, meus olhos repletos de lágrimas não deixavam que eu visse nada do que se passava pelas ruas por onde andei, as pessoas falavam comigo, mas eu não as podia ouvir, eu não as queria ouvir, pois tudo o que desejava naquele momento era não mais estar diante a elas. Eu gostaria de saber como tudo chegou a esta forma, a felicidade de outrora tornaram - se os fracassos de hoje, os minutos de felicidade tornaram - se os minutos de sofrimento.
Já era tarde quando tudo aconteceu, eu sentei diante minha casa, olhei se não estava vindo alguém, e com os olhos cheios de lágrimas cortei meus pulsos, senti frio naquele momento, mas tudo terminaria logo, minha vida passava pela minha cabeça como um flash back, eu a vi deitada em meu carro dizendo me amar, as coisas loucas que fazíamos; eu senti pena de mim naquele momento, mas parecia que tudo estava preste a terminar.
Eu não posso dizer o que sinto neste momento, mas de certa forma meu corpo parece vazio. Uma sensação de perda que eu não queria que ter.
Na noite em que parti fazia muito frio, e eu sequer tinha suas mãos para segurar.
Harlley Winter
Enviado por Harlley Winter em 31/03/2006
Reeditado em 27/05/2006
Código do texto: T131386

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Sobre o autor
Harlley Winter
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil
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Harlley Winter