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A Última Carta ...Que te escrevi...

Hoje em muitos momentos do dia, desejei escrever-te... Precisava escutar e perceber alguma similitude do meu olhar em outro olhar e lembrei-me do teu... Tanto há a te dizer sempre. E esta é a minha já presumida predilecção pela escrita que tão bem conheces...
Os meus dedos respiram intranquilos, despidos de qualquer inspiração. Sinto-me a conversar com os meus silêncios, repousada na urgência das letras, dos sons das vogais, como a tentar esquecer o sentido de algumas palavras. Mas existe uma saudade que permanece em ser sempre escrita, anunciada... difícil de controlar este estremecimento que me assalta quando penso em ti.... e essa inquietude derrama-se além da minha possibilidade de escolha. Enquanto teus passos caminham por estradas que não alcanço levo-te no meu peito. É aqui que sempre estarás, enquanto a vida procura um jeito de nos voltarmos a encontrar. Fico a tentar segurar o tempo, congelar os ponteiros do relógio, adiando o ter que contemplar o último beijo deixado, pronto a ser despedida. Fecharei os botões da minha alma envolvendo-me na memória da saudade, em que sempre habitará o calor das emoções sentidas, os sonhos, os sorrisos e a música dos desejos por viver.
Entre nós nunca existirá ausência, ainda que os nossos olhos sejam alvos de tantas janelas, ainda que o tempo anceie bocejos, é no seu deslizar que inventa e reinventa pontes, para que as nossas mãos ainda se toquem e os nossos pensamentos se cruzem. E que há no mais profundo de nós, um tempo que não se reconhece em datas, horários ou anos, porque guarda sempre na memória do presente, todos os sonhos que irisam o horizonte que nos contempla. Um tempo que fala a linguagem dos arrepios da alma e da eternidade a que o nosso amor pertence.
Enquanto eu me abandono em brumas, o sol não desistirá de ti, por saber que há auroras que precisam da tua luz. Há música no ar, a despeito da tua indiferença e ausência e ainda que não observes, existem estrelas a te guiarem, perfumando-te de vida e que ainda assim podes te redesenhar, em traços que te sorriem em cores que ainda não ousaste provar.
E entre rectas e curvas há sempre um caminho a ser trilhado. Soubesse e te descrevia os murmúrios dolentes de cada um dos meus sentidos. Soubesse e falaria sobre este olhar entre uma imagem e outra quando cada espelho me fita, esquece-se que deve reflectir algo. Por vezes a visão é algo limitado. Fotografa apenas o que se expõe, como se braços fossem, apenas braços... quantos abraços ocultam-se neles?! Abraços dados ou apenas desejados...
Em momentos assim, são os solfejos das tuas mãos que me presenciam e compoêm a sinfonia da minha vida... Claves inebriadas pela tua fragância em uma pauta somente compreensível aos olhares do silêncio.
Sei que sentirei falta dos teus beijos, replectos de códigos que só os nossos lábios leêm. Das noites em que compunhas odes aos meus sonos, que me cobrissem de ternuras e afagos. Como não te confessar David, que és e serás sempre “Meu”!?
Escuto agora “The Mahabharata”, e o meu coração parece despido, acariciando o pensamento que desconhece as amarras, o tempo ou ter que chegar a algum lado. Em torno de mim, apenas o espelho imaginário que me diz do que mora além, do que penso ver. E se a Primavera precisa do Outono! Mesmo as folhas secas têm a sua razão de existir, para que as novas cores da natureza cresçam em seus ciclos que engravida.
Há tanto a sentir quando nos devestimos da voz da incredulidade... há um horizonte por demais vasto que nos convida a ir além, porque é de infinito que o coração vive.
Um dia chegará a manhã possível de voltar a acordar contigo e serás mais que todas as letras que alinho nesta carta. Regressarás de onde nunca partiste, mas entretanto quero-te agradecer por todas as rosas que embelezaram o nosso amor. Grata por me dizerem tanto da vida, por seres este amigo e amante de silêncios consentidos, mas de coração pulsante para alcançares teus vôos e motivares os meus.
Não me lamento ter-me dedicado demais mas talvez ter exigido o mesmo de ti, quando na realidade o nosso relacionamento não foi defícil, muito menos igual ou comum. Foi sim um relacionamento invejável, incomensuravelmente compensador...apenas de uma certeza tenho, que nunca na tua vida será igual ou terá o mesmo sabor, porque a única maneira de amar alguém é apenas conseguir perceber que se pode perdê-la...Para sempre! Ou não?!
Recebe a última rosa que me ofereceste deixada no meu carro. Guarda-a como se de um tesouro se tratasse, “...porque jamais encontrarás uma rosa minha á tua espera uma outra vez por um motivo tão triste...”- Faço tuas as minhas palavras.

Vives em mim...

De mim ...

Para ti ...

Amo-te!!

Tua...

“Bela e Terrível “
 Sandra

06.04.2006
Diva
Enviado por Diva em 20/04/2006
Código do texto: T142159
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Sobre a autora
Diva
Estados Unidos, 45 anos
2 textos (414 leituras)
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