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Desabafo

A necessidade de ser amada
Aumenta a cada dia que se faz presente
Meus olhos estão cansados de procurar
E meu coração já não agüenta tanta desilusão
Estou começando a duvidar de sua existência
Meu pranto impede-me de enxergar
Qualquer momento feliz que ainda possa ter.
Falsos amores cruzam meu caminho
Fazendo-me sofrer ainda mais
Aumentando essa angústia
Estou ferida, sem forças.
Não sei até quando vou agüentar
A solidão me invade vorazmente
Corroendo tudo que encontra pela frente
Como um abutre
As dificuldades estão aumentando
Todo dia tenho um motivo pra chorar
Não sei nem porque ainda vivo
Quando tento me agarrar a alguma coisa
Esta me escapa
Estou afundando
Submergindo nessa fossa fétida que se tornou minha vida
Sinto-me num palco
Vivenciando uma peça
Onde todos fingem...
E eu finjo estar bem
Pra que ninguém perceba
O ser fraco que sou
Hoje, exatamente hoje.
Faz dois meses que meu pai se foi
A saudade é gigantesca
Não agüento mais estar com esse nó na garganta
A todo o momento e ter que segurar, pra dar forças aos outros.
Quem é que vai me dar colo?
Estou vivendo num mundo onde ninguém se preocupa
Com a dor do outro,
Pelo contrário as pessoas te testam ao máximo
Pra saber até onde podes, antes de desmoronar.
Sinto que já agüentei demais
Esta pesado.
Eu já não sei o meu limite
Já não sei do que sou capaz
Já não me conheço
A vontade de desaparecer
Ir pra algum lugar onde eu possa ficar sozinha
É muito grande
Quero achar a solução pra isso tudo
Achar um lugar onde eu resolva somente os meus problemas
Onde eu não me preocupe com a repercussão de minhas lágrimas
Onde não tenha que ser a fortaleza
Quem vai me acolher, pelo menos pra um abraço?
Tenho que pensar nos outros
Não posso ser tão egoísta
Quero uma saída
Não estou conseguindo me defender...
Escapar dos predadores desta selva
Esta muito difícil à convivência com todos
Meu pai encarava tudo com alegria
E fazia os problemas parecerem bem menores
Isso nos ajudava muito
Agora não tem ninguém que ampare as coisas
Temos que enfrentar tudo de frente
Sozinhos
Só não sei como conseguir
É ruim, muito ruim você ter que se assumir.
Assim... sem virtudes
Ninguém te gosta o suficiente
O amor sempre chega ao lado mais nunca em minha direção
Às vezes dizem que tenho que acreditar em mim
Mas não vejo como
As circunstâncias me mostram sempre o contrário
Nada acontece pra mim
Não quero a felicidade alheia
Quero a capacidade de despertar um amor puro,
Sincero, companheiro, amigo, amante, fiel...
Mas a perfeição não foi feita pra mim
Sou muito pouco pra merecer tanto
Vou viver um dia após o outro
Fazendo “minha parte” como meu pai ensinou
Alegrando-me com os raios de alegria que exalam da porta ao lado...

Senhora Morrison
Escrito em 23/09/2000

Senhora Morrison
Enviado por Senhora Morrison em 04/05/2006
Código do texto: T150344
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Sobre a autora
Senhora Morrison
São Paulo - São Paulo - Brasil, 36 anos
54 textos (2857 leituras)
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