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ERRAMOS OU FOMOS OMISSOS?


Parece até que foi ontem. Éramos semelhantes à relação que há entre a carne e a unha, iguais à corda e a caçamba, enfim, éramos um ser dependente do outro. Éramos de uma compreensão tão recíproca que fazíamos inveja a qualquer outro ser humano racional ou passionalmente envolvido em matéria de amor.

Vislumbrávamos um mundo multicor, repleto de sonhos a serem realizados e de muitos momentos de plena felicidade que estariam por vir.

Acreditávamos numa vida a dois, sem limites para sonharmos, bem como para sentarmos lado a lado e nos organizarmos, e finalmente, nunca pararmos de acreditar que poderíamos realizar nossos anseios, ainda que fossem aqueles que se encontravam guardados em um cantinho das nossas mais profundas recordações.

Entretanto, hoje, diante de tantas frustrações em relação às nossas aspirações, seríamos pretensiosos demais se simplesmente afirmássemos: éramos felizes e não sabíamos. Seríamos assaz pessimistas se afirmássemos: não há mais razão para continuarmos, pois fizemos tudo errado.

Igualmente, seríamos otimistas aos extremos se afirmássemos: "está tudo bem, tudo o que tem acontecido em termos de discórdia, envolvendo o nosso relacionamento, foi apenas um equívoco, uma obra do acaso", e desta forma tentaríamos justificar as nossas pendências mútuas, as nossas falhas recíprocas.

Outrora, ante a tais impasses e dúvidas, por vezes cruéis, chegamos a nos perguntar: afinal, o que há de errado entre nós?

Em princípio, não sabíamos, ou achávamos melhor ignorar as evidências. Inclusive, se naquele momento olhássemos no espelho que havia diante de cada um de nós, certamente iríamos dizer para nós mesmos que tudo aquilo era passageiro, e que logo passaria.

Por outro lado, hoje, se pudéssemos retroceder o tempo que perdemos, e nos situássemos no começo de tudo, sim, no momento em que tudo começou, e que não movemos sequer uma palha para impedirmos que os inconvenientes se alastrassem, estaríamos frente a frente como dois tolos inconseqüentes, dois covardes omissos, além de estarmos agindo como dois vis egoístas.

Naqueles momentos, era-nos mais cômodo procurarmos "dar tempo ao tempo", usando esse "chavão" como simples pretexto para fugirmos das nossas responsabilidades e dos nossos desencontros mais decisivos; geralmente achávamos que após uma noite de sono, após algumas horas de meditação, estivéssemos, finalmente, diante de uma verdadeira "panacéia" afetiva e acreditávamos também que "logo após a tempestade viria a bonança”.

Ledo engano. Hoje nos olhamos por dentro e vemos que somos apenas resto do pouco que sobrou.

Mas, afinal o que ainda restou de nós?!

Sinceramente, eu fico envergonhado, mas eu sinto que restou uma vontade muito grande de te dizer que, apesar de toda essa minha omissão e dessa minha inconseqüência, eu estive simplesmente cego, que não vi a vida passar ao meu lado e que ainda sofro por não ter sido corajoso o suficiente para dizer que te amava ao invés de agir da forma impensada como o fiz.

E você, o que fez para ver o que se passava no interior desse nosso mundo conturbado? Mundo esse onde em quase todos os momentos sempre estivemos a sós, ora eu, ora você e noutros momentos, nem mesmo eu, nem você!

Passado todo esse vendaval, onde entre mortos e feridos somos as únicas vítimas reais, ainda me resta uma única pergunta:

- Afinal, será que erramos reciprocamente ou fomos simplesmente omissos?
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 28/05/2006
Reeditado em 27/08/2009
Código do texto: T164850
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Germano Correia da Silva
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Germano Correia da Silva

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