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Caminhada axé

Saí por aí andando, simplesmente andando.
Com rumo, claro, mas ainda assim andando.
Olhando firmemente para o calçadão descalçado dessa minha cidade com cara de alguma província do século XIX.
Tentei contar as pedrinhas que, harmoniosamente se encaixavam, desconsiderando os enormes e nada modestos buracos que decidiram aparecer em meu caminho.
Repentinamente, mudei de idéia e passei a observar o povo a minha volta.
Quanta gente estranha, com suas bolsas e sapatos feios, gastos pelo tempo de má companhia.
Brancos, pretos, pardos e até pessoas cor cinza.
Cinza???
Sim meu bem, cinza.
Com seus movimentos robóticos, imitam com maestria, ou não, robôs cibernéticos de algum planeta inexistente.
Quanta bobagem.
Engraçado é que muita gente se intimida e para, avalia/observa, fica servindo de platéia para essa bobagem robotizada sem perceber que se tornaram robôs.
Mas eu ali, entretido com minhas pedrinhas, meu caminho de pedras douradas, em meu mundo de "Oz" falsificado.
E o que não é falsificado???
A quantidade de pessoas vendendo coisas nas ruas é infinita.
Pensei em contar também, mas perdi a paciência.
Tentei trair minha solidão, com aquelas "estranhas pessoas".
Tentando achar alguma felicidade em andar pelo mundo, com brisa no rosto e sem culpa.
Mas como não posso sentir culpa com toda a poluição desta cidade???
Ou melhor, desse mundo meu Deus?
Culpa de saber que vou morrer por intoxicação e ainda estar contribuindo com essa orgia descartável.
Ainda dizem que a vida é boa mais do que o normal. Só se for pra ele.
Segui o meu caminho...
Cantarolando, chutando pedrinhas, pensando e pisando em tudo, tentando esquecer de que o inferno é por aqui.
Ridículo.
Em certo momento me senti perdido. Esqueci o meu rumo, da vida, do caminho douradinho e pra falar a verdade, pra onde eu deveria ir também.
Que péssimo.
Cabeça oca, boneco de papelão.
Realmente, toda essa poluição deve estar afetando meus miolos.
Pensei duas vezes em acender um cigarro. Pena é que, nas duas vezes que eu pensei em acender, foi realmente acender.
Mais uma vez, boneco de papelão, cabeçudo de uma figa.
E fumando eu fui. Em busca da minha berinjela.
E estava podre.
Cassito
Enviado por Cassito em 06/06/2006
Código do texto: T170747
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Sobre o autor
Cassito
Salvador - Bahia - Brasil, 33 anos
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Cassito