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Uma carta para um amigo distante

BsB, 12 junho de 2006.

Olê, Olê, Olá... Como vai você? Quanto tempo?!!!... Eu vou bem, apenas um pouco tristonho. Tenho mandado algumas letras para minha amada, mas ela não responde. Por isso resolvi recorrer à sua ajuda nessa complicada empreitada. Não sei se você está lembrando, hoje é o Dia dos Namorados, por isto estou nesta agonia. Sei que não será nada fácil, mas não custa tentar. Vou lhe passar algumas dicas, quem sabe, você encontra minha Flor por aí e lhe dê os meus recados. Se isto vier a acontecer ficarei eternamente agradecido.

Algumas pessoas comentam que ela é uma mulher virtual, que sou fantasioso, que ando vendo coisas que não existem, que ando sonhando com alguém que nem mesmo conheço. Mas isto não é verdade, ela é uma criatura extremamente carinhosa, é incapaz de dizer-me algo que possa magoar-me ou fazer com que eu fique de cara feia.

Para que você tenha uma idéia de quão querida ela é, vou lhe contar o que aconteceu certa vez quando pintávamos figuras nas paredes e teto do quarto e, assim, você poderá tirar suas conclusões. O formato das figuras caminhava para o gótico, outras vezes, moderno demais e às vezes até sem significado lógico para os deuses que nos viam naquelas atitudes. Eram traços dos mais variados e complexos, parecíamos malucos ali naquela cama desarrumada de dois dias. Em um dado momento, quando eu estava para explodir, para jogar para fora todas às minhas fichas num instante de êxtase e pecado, perguntei a ela de uma forma grotesca e vulgar: você quer ser minha amante, minha musa, minha concubina, minha vadia, minha mulher pra cama mesa e banho? Juro que falei sem pensar, falei no calor da hora, mas falei. Não vou negar. Ela olhou-me nos olhos, passou as mãos em minha face, deu um longo sorriso, enquanto eu pensava que receberia um safanão e um cartão vermelho. Confesso que se pudesse teria voltado atrás, teria pedido mil desculpas, talvez milhões e milhões, mas como sou orgulhoso, um bicho do mato sem conserto, não pedi nada, não falei nada. O silêncio se fez presente, falou mais alto do que o que deveria, parecia que tudo estava acabado. O arrependimento era eterno; não sabia o que fazer ou onde colocar as mãos. Estava visivelmente derrotado. Mas não, ela do alto de sua exuberante doçura, sem qualquer descuido, prendeu minhas mãos entre suas pernas com delicadeza. Com voz embargada e curta, murmurou: __ Será que consigo tudo isto?

Meu querido amigo... eu esperava tudo, qualquer coisa, mas nada, nada que pudesse comparar àquela resposta tão meiga, tão elegante, tão feminina. Fiquei alguns instantes sem acreditar no que acabara de ouvir, sem saber o que realmente ela havia dito. O significado daquelas palavras foi além da minha compreensão, desarmou-me por inteiro, tirou de mim, qualquer possibilidade de reação, me fez sentir o homem mais amado e querido da face da terra. Meu desejo foi abraçá-la como nunca havia feito, foi apertá-la dentro dos braços como se fosse a última vez. Dentro daquelas palavras cabia tudo, eram tantas, na minha mente, que não consigo passar pra você a plenitude de minha satisfação. Tive a grata surpresa de saber que ela entendeu que não falei nada daquilo com a intenção de magoá-la, que fui apenas um desastrado tentando expressar os meus anseios mais queridos, que fui apenas um objeto do meu pirado prazer.

Amigo, só mais uma coisinha! Não há nada neste mundo mais importante do que dizer aos nossos entes queridos os nossos verdadeiros sentimentos, nem nada mais lúcido do que o amor de uma mulher que se ama e sente.

Um grande abraço, fui...
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 12/06/2006
Reeditado em 10/05/2010
Código do texto: T174251
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
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Pedro Cardoso DF